O Banco Central do Uzbequistão apresentou os resultados do primeiro cálculo piloto dos índices nacionais de acessibilidade financeira para 2025. De acordo com os dados do regulador, a pontuação geral para pessoas físicas foi de 59 de 100, e para pequenas e médias empresas (PMEs) foi de 49 pontos.
Estes índices avaliam adultos com mais de 16 anos e pequenos negócios, incluindo empreendedores individuais. Cada métrica analisa três componentes chave: acessibilidade, uso e qualidade dos serviços, abrangendo três categorias de produtos financeiros: crédito, depósitos e pagamentos.
A metodologia foi desenvolvida em colaboração com especialistas internacionais e inclui o quadro de 16 organizações, entre as quais o Banco Mundial, a OCDE e a Aliança para Acessibilidade Financeira (AFI). O cálculo baseia-se em dados de oferta fornecidos pelo Banco Central, Comitê Fiscal, Comitê Nacional de Estatística, bancos e outros prestadores de serviços financeiros.
Detalhes dos indicadores para a população
Para a população adulta, a acessibilidade foi avaliada em 62 pontos, o uso em 51 pontos e a qualidade do serviço em 64 pontos. Os serviços de pagamento demonstraram um alto nível de acesso: 83% dos adultos possuem cartões bancários, cerca de 77% utilizam internet banking e 86,3% são capazes de realizar pagamentos através de internet móvel. O acesso ao crédito também foi elevado: 98% da população está incluída nos dados do bureau de crédito, e 80% dos novos créditos de varejo são processados automaticamente.
No entanto, o acesso a poupanças foi menor: embora 86% dos adultos possuam uma conta bancária básica, apenas 4% têm contas de poupança ou depósitos a prazo. Contudo, o uso real dos produtos mostrou uma tendência oposta. As contas de poupança receberam 68 pontos por uso, impulsionado por um nível de atividade de 66% entre as contas de depósito existentes. O uso de crédito foi avaliado em 47 pontos, sendo que 27% dos adultos possuem uma conta de crédito ativa, com uma média de 1,7 créditos por mutuário. O uso de pagamentos recebeu a pontuação mais baixa — 34 pontos; apesar da média de 3,2 cartões por pessoa, apenas 53% dos cartões são usados ativamente, e as transferências entre pessoas físicas representam 69% de todas as operações de pagamento.
Acessibilidade financeira para PMEs
O índice geral de acessibilidade financeira para PMEs foi de 49 pontos, distribuídos da seguinte forma: 39 pontos para acessibilidade, 64 pontos para uso e 43 pontos para qualidade dos serviços. O segmento mais acessível para os negócios foi o crédito, que obteve 50 pontos, com 24% das PMEs tendo contas de crédito ativas e 68% registradas no bureau de crédito. No entanto, a adoção de pagamentos sem dinheiro ficou significativamente atrás, recebendo apenas 19 pontos de acessibilidade. Apesar de as PMEs representarem 34% dos empréstimos bancários concedidos e 36% do portfólio total de crédito do setor bancário, o financiamento permanece concentrado em um pequeno grupo de empresas.
Indicadores por gênero e em áreas rurais
Os indicadores orientados por gênero mostraram um índice geral de acessibilidade financeira para mulheres em 72 pontos. A posse de contas básicas entre as mulheres atingiu 86%, correspondendo à média nacional, mas a proporção de mulheres com depósitos de poupança ou a prazo foi de apenas 6%. No entanto, persiste uma disparidade no uso de crédito: 19% das mulheres possuem contas de crédito ativas, o que representa 35% do volume de novos créditos de varejo e 38% do portfólio de crédito de varejo.
Em áreas rurais e remotas, o índice de acessibilidade financeira foi de 49 pontos. O principal obstáculo é a abertura de uma conta primária, pois apenas 21% dos residentes rurais possuem contas bancárias, em comparação com a média nacional de 86%. O uso de depósitos a prazo em áreas rurais atingiu 1%. No entanto, o nível de atividade nas contas rurais existentes é comparável aos dados nacionais: a proporção de contas inativas é de 32% contra 34% em todo o país.
Após a publicação do relatório piloto, o Banco Central identificou uma série de tarefas prioritárias. Estas incluem a expansão de produtos de poupança simples, o aumento da participação na posse de contas em áreas rurais, a redução das desigualdades regionais, o desenvolvimento de serviços digitais integrados para PMEs, a redução dos riscos do endividamento e a expansão do crédito empresarial com base em fluxos de caixa. O Banco Central pretende realizar cálculos regulares do índice para monitorar as tendências de acessibilidade financeira ao longo do tempo.

