Estudo mostra que salvar informações por meio de capturas de tela pode prejudicar a memória
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Estudo mostra que salvar informações por meio de capturas de tela pode prejudicar a memória

Existe uma prática comum de salvar informações importantes, senhas ou outros dados tirando capturas de tela. No entanto, um estudo conduzido por cientistas da Universidade de Binghamton concluiu que essa ação pode ter um efeito contrário. A principal conclusão é que delegar a tarefa de memorização ou atenção a um suporte digital pode levar à diminuição da concentração e a um esquecimento mais fácil.

Para chegar a esse resultado, os autores do estudo organizaram quatro experimentos com a participação de mais de 500 voluntários da Universidade de Binghamton, localizada nos Estados Unidos. Os pesquisadores desenvolveram quatro experimentos para aprofundar o estudo desse problema.

Nos três primeiros experimentos, foi estudado como fotografar ou tirar capturas de tela afeta a memória. Os participantes observaram obras de arte e, dependendo do grupo, eles simplesmente as observavam, tiravam fotos ou faziam capturas de tela.

No geral, aqueles que tiravam capturas apresentavam os piores resultados. O segundo experimento demonstrou a maior diferença: a taxa de respostas corretas foi de 76% para aqueles que apenas observavam, 63% para aqueles que fotografavam e 54% para aqueles que faziam capturas de tela.

No quarto experimento, os pesquisadores mudaram o foco para entender os motivos de salvar imagens. Eles analisaram seis capturas de tela recentes e seis fotos recentes armazenadas nos telefones móveis dos participantes e perguntaram sobre o propósito de cada arquivo.

O desejo de salvar informações para não precisar memorizá-las foi identificado em 30,6% dos casos de capturas de tela e em 19,2% dos casos de fotografias. Isso confirma a hipótese de que as pessoas podem transferir parte da responsabilidade pela memória para o dispositivo.

Os resultados levaram os pesquisadores a questionar a suposição de que o problema surge da divisão da atenção ao fotografar ou tirar capturas de tela. Afinal, a captura de tela, sendo a tarefa mais simples do teste, causou mais dano à memória do que a fotografia de imagens.

Para os autores, os resultados se alinham mais com a hipótese de 'descarga cognitiva' (cognitive offloading), segundo a qual o indivíduo delega parte da responsabilidade pelo armazenamento de informações ao dispositivo. O quarto experimento reforçou essa possibilidade: a intenção de 'descarregar' informações foi mais comum em capturas de tela do que em fotografias, pois na fotografia geralmente ocorre um contato mais próximo com o objeto observado. No entanto, os pesquisadores enfatizam que o mecanismo exato ainda não foi totalmente esclarecido e são necessários novos estudos para determinar como esse processo afeta a memória.

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Algumas décadas atrás, quadros de tinta eram amplamente utilizados nas escolas primárias. Os autores alertam que a transição completa para o uso de teclados pode levar à perda de memória no futuro, o que é especialmente relevante no contexto de condições como doença de Alzheimer, várias formas de demência e declínio cognitivo após a doença de Parkinson.

Escrever à mão não é apenas nostalgia, mas uma disciplina que mantém a atividade dos circuitos cerebrais. Este ritual de combinação de pensamento e movimento não pode ser totalmente reproduzido ao digitar. Abandoná-lo ameaça enfraquecer as conexões que unem memória, atenção e capacidade de aprendizado.

Cientistas neurológicos observam que o movimento da pena sobre o papel ativa muitas áreas do cérebro, acelera o processo de recordação de informações e fortalece a saúde mental a longo prazo. O autor relembra como, na primeira infância, antes dos tablets, o principal instrumento para pequenas mãos era um quadro negro plano.

O autor compartilha sua experiência pessoal, contando sobre o início do aprendizado da língua tâmil, onde inicialmente praticou em um quadro negro. Ele lembra como, apesar da exigência tradicional de apagar cada letra com um pano úmido, ele às vezes usava o método de 'cuspir e esfregar' quando as letras ficavam desleixadas.

Hoje, os quadros negros são peças de museu, mas o autor acredita que foram mais do que meros materiais didáticos; serviram como artefatos culturais, simbolizando modéstia e disciplina. Eles incorporavam a simplicidade, focando o aprendizado no essencial, ao contrário das modernas salas de aula digitais, sobrecarregadas com notificações e multimídia distrativa.

O quadro negro refletia a importância da repetição: a prática de escrever e apagar até que o conhecimento se tornasse memória muscular. Isso é comparado à leitura rítmica de tabuadas ou ao cheiro de pó de giz durante os recreios.

Existe um aspecto profundamente humano no som da pena no papel, que ecoa através dos séculos de tábuas de argila, pergaminhos e cadernos escolares. Escrever não é apenas registrar dados; é uma forma de memorizá-los.

Historicamente, a escrita não era apenas uma habilidade, mas um assunto ao qual se dedicava muita atenção. Gerações de crianças aprenderam caligrafia com tanta rigorosidade quanto aritmética. O próprio autor fez um curso de quatro anos de escrita manual e agradece a essa disciplina, pois sua caligrafia possuía uma elegância inatingível pela digitação.

O caminho do desenvolvimento das ferramentas de escrita foi multifacetado: do lápis grosso, conveniente para mãos pequenas, ao lápis fino, que exigia maior precisão. Seguiu-se a pena com ponta G, que ensinava paciência, e depois surgiram canetas-tinteiro mais modernas, e finalmente a caneta esferográfica, que tornou a escrita acessível graças à velocidade e portabilidade.

Cada ferramenta carregava não apenas tinta, mas também memória, moldando as formas de aprendizado, memorização e autoexpressão de diferentes gerações. As ferramentas de escrita não eram neutras; elas eram formativas. O lápis grosso ensinava coragem, a pena, contenção, a caneta-tinteiro, elegância, e a caneta esferográfica, eficiência.

As sensações táteis de cada etapa tornavam-se parte da própria memória. O cheiro da tinta, o grafite espalhado, o clique da caneta BIC — todos esses sinais sensoriais intensificavam o processo de aprendizagem.

Em diferentes culturas, a escrita sempre esteve ligada à preservação da memória. Em rituais hindus, a inscrição de mantras santifica a memória e a devoção. Na Europa medieval, monges reescreviam manuscritos não apenas para preservar textos, mas também para assimilá-los. Nas escolas da África do Sul, gerações de crianças aprenderam copiando trechos em cadernos, o que afetava tanto a alfabetização quanto a memória.

Mesmo na vida profissional, anotações manuscritas durante reuniões frequentemente levam a uma lembrança mais clara do que as protocoladas em formato impresso, pois o ato de escrever atua como um filtro, destacando o essencial. No entanto, a escrita tem suas limitações: é mais lenta, menos adequada para busca e mais difícil de compartilhar. A impressão supera em velocidade e organização, tornando-a indispensável nos processos de trabalho modernos. Mas quando o objetivo é a memória, e não apenas o armazenamento, prevalece a escrita à mão.

A escrita ajuda a memória porque é mais do que um ato mecânico; é um ritual de atenção. Escrever significa parar, ponderar as palavras, dar-lhes forma. Nesta pausa, a memória encontra apoio. O autor cita o exemplo de seu pai, que escreveu à mão até o fim da vida, aos 91 anos, e cuja memória era impecável.

Ao relembrar cartas, diários, anotações escolares e notas da prática jornalística, ele percebe que essas coisas existem não apenas em gavetas, mas em sua consciência, brilhantes por terem sido criadas por sua mão. Ao escrever, não estamos apenas armazenando informações; estamos inserindo-nos na narrativa de nossa própria vida. O ato de escrever torna-se um ensaio de quem somos e quem queremos ser.

A escrita é a memória visível, e a memória é a identidade estável. A caneta, um objeto humilde e comum, é um vaso de continuidade, transmitindo o pensamento através do tempo. Negligenciá-la em nome da velocidade ameaça a perda da profundidade das memórias.

Pessoalmente, o autor sente o poder da memória que a pena proporciona. Quando faz uma lista de compras à mão, lembra-se melhor do conteúdo da loja do que quando a insere no telefone. A conclusão é simples: se você precisa lembrar de algo, anote! Para melhorar a memória com a idade, deve-se restaurar a prática diária de escrita à mão.

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O ato de clicar em 'deletar' é uma prática cotidiana, seja ao enviar arquivos para a lixeira de dispositivos ou ao encerrar contas pessoais indesejadas. Contudo, o que efetivamente acontece com esses dados raramente é explicado de forma transparente pelos fornecedores de tecnologia.

Pesquisas apontam que a falta de clareza sobre como as solicitações de exclusão são processadas e a ausência de confirmação inequívoca de remoção geram preocupações significativas. Essas questões não se restringem apenas a sistemas operacionais; plataformas de mídia social e diversos serviços por assinatura apresentam mecanismos de exclusão igualmente obscuros, o que pode expor os usuários a riscos de segurança e problemas de privacidade.

Existe também o fenômeno conhecido como 'diagrafofobia', onde alguns usuários sentem grande ansiedade com a possibilidade de perda ou exclusão acidental de informações pessoais, como fotos e músicas. Essa apreensão leva ao acúmulo de dados não acessados nem excluídos, mantendo-os vulneráveis a usos indevidos.

Um equívoco comum é confundir 'deletar' com 'apagar' completamente. Na realidade, quando arquivos são movidos para a lixeira e excluídos permanentemente, os dados não são eliminados; o sistema apenas marca o espaço de armazenamento como disponível e atualiza os metadados para desvincular o arquivo. No entanto, o conteúdo original pode permanecer recuperável com as ferramentas adequadas, especialmente se houver cópias em múltiplos dispositivos ou sistemas.

Métodos mais seguros de exclusão envolvem a destruição física do meio de armazenamento, a sobrescrita dos blocos de memória com novos dados para mascarar o original, ou a criptografia seguida pela destruição da chave. Apesar de eficazes, essas abordagens podem ser custosas ou inutilizar o dispositivo, como ocorre na sobrescrita de mídias magnéticas. Além disso, a infraestrutura de nuvem impõe desafios à eliminação segura de dados.

No contexto das redes sociais, o conteúdo pode não ser totalmente apagado após a exclusão, pois respostas, comentários e arquivos da internet podem preservar as publicações. Por exemplo, o sentido de um tweet excluído pode ser reconstruído através de menções e respostas.

Outro ponto de confusão é a crença de que remover um aplicativo de um dispositivo apaga automaticamente a conta associada. Muitos usuários acabam com contas 'zumbis' — perfis abandonados em serviços variados, como compras, finanças e streaming — sem saber, deixando dados pessoais vulneráveis a ataques cibernéticos.

Com o avanço da Inteligência Artificial (IA), surge a dúvida se os dados podem ser verdadeiramente excluídos após serem utilizados no treinamento de modelos. Os módulos de aprendizado de máquina retêm facilmente os dados de treinamento, tornando o processo de 'desaprender' complexo.

Legalmente, cidadãos na Europa e em outras regiões possuem o 'direito de ser esquecido', permitindo solicitar a eliminação de dados pessoais. Desenvolvedores de IA são considerados controladores de dados sob regulamentos como o RGPD da UE e estão sujeitos a essa exigência. Contudo, não existem diretrizes claras sobre como aplicar essa exclusão em sistemas de IA, e empresas podem alegar inviabilidade técnica.

Para mitigar os riscos de exclusão incompleta, o autor defende a urgência de fornecer informações claras e acessíveis sobre o funcionamento da exclusão. Uma proposta é a 'exclusão explicável', um protocolo criado por Marvin Ramokapane no Rephrain, da Universidade de Bristol. Este método segmenta a informação em seis aspectos: o quê, como, quando, quem, onde e por quê, oferecendo ao usuário detalhes sucintos sobre cada etapa do processo.

A exclusão explicável visa conferir maior controle e autonomia ao usuário, além de reduzir a ansiedade relacionada à perda acidental de dados. Embora ainda não implementada amplamente, a adoção desses protocolos por provedores de serviços poderia aumentar a confiança e servir como comprovação de conformidade com o GDPR e o direito ao esquecimento.

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