Adolescente compartilha opinião sobre a celebração do Dia da Mulher, destacando a lacuna entre conquistas históricas e problemas cotidianos
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Adolescente compartilha opinião sobre a celebração do Dia da Mulher, destacando a lacuna entre conquistas históricas e problemas cotidianos

Savania Govender, aluna do 10º ano da Greenbury Secondary School, compartilhou seus pensamentos sobre a celebração do Dia da Mulher, observando que sua percepção difere da visão convencional.

Quando agosto chega, a sociedade frequentemente assume uma aparência corporativa, enchendo as lojas com balões rosa e as marcas lançando comerciais sobre como 'valorizam as mulheres'. A sociedade oferece um apoio coletivo, lembrando a força e a resiliência das mulheres. No entanto, ao estar na sala de aula e navegar por inúmeras postagens esteticamente agradáveis no Instagram, Govender sente um sentimento de distanciamento.

Os adultos tendem a ver o Dia da Mulher como um feriado merecido ou um momento para trocar cartões. Mas para uma jovem de 15 anos, tentando se orientar na vida escolar e no amadurecimento real, todo o elogio público parece pertencer a um mundo completamente diferente.

Na escola, estudam-se a história, como as lendárias mulheres de 1956 que marcharam para os Union Buildings contra as leis de ausência. Govender respeita sua coragem, mas observa que o ensino de história muitas vezes dá a impressão de que a luta pela igualdade foi concluída décadas atrás, e agora as pessoas simplesmente desfrutam dos frutos dessa luta. No entanto, isso não corresponde à sua experiência pessoal.

Os problemas atuais nem sempre se parecem com batalhas de livros de história; eles são mais silenciosos e ocorrem na internet. É a pressão constante e exaustiva de corresponder a uma imagem específica nos feeds controlados por algoritmos voltados para o lucro da insegurança. É também o sexismo cotidiano na sala de aula, ignorado como 'apenas uma piada', e o risco de ser marginalizada se for criticado. Ela tem que lidar com contradições: dizem a ela que pode realizar tudo, mas ao mesmo tempo aconselham-na a controlar o tom, escolher outro caminho para casa e ser menos notável para não ser 'demais'.

Durante a celebração do Dia da Mulher, o foco está nos resultados finais — CEOs bem-sucedidas, cientistas proeminentes e figuras históricas. Embora tais modelos de papel sejam necessários, ninguém quer discutir a fase intermediária complexa. Ninguém deseja reconhecer o quão assustador é tentar encontrar a própria voz quando ainda não se tem certeza de si. Govender afirma que empoderamento não significa um sentimento constante de invencibilidade; para ela e seus amigos, muitas vezes significa tentar falar quando a voz treme, ou apoiar um amigo que luta contra a insegurança interna.

Para superar essa lacuna, é necessário mudar a abordagem aos adolescentes. Em vez de palestras sobre encontros históricos, escolas e espaços públicos devem criar discussões reais e sem filtros, onde as meninas possam conduzir conversas sobre problemas atuais, como segurança online, saúde mental ou igualdade diária. Também é importante que mulheres mais velhas compartilhem não apenas sucessos, mas também fracassos reais e caminhos de vida complexos, para mostrar que é normal passar pelo processo de autodescoberta. Além disso, é preciso ensinar os meninos desde cedo a apoiar as meninas, mudando assim a cultura nas salas de aula, onde o respeito é praticado diariamente, e não apenas ensinado como regra.

Se o objetivo é promover mudanças, os direitos das mulheres não podem ser vistos como um fenômeno sazonal que termina após agosto. A pressão, os padrões duplos e as expectativas não surgem subitamente aos dezoito anos; eles estão embutidos na vida cotidiana da adolescente moderna. Portanto, além de erguer faixas, é preciso criar um espaço onde os adolescentes se sintam pertencentes agora, e não apenas a promessa de governar o mundo no futuro.

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