A Sociedade da Meia Lua Vermelha Iraniana (IRCS) apresentou uma proposta para a criação de uma rede de centros de medicina pública no âmbito do BRICS. De acordo com um comunicado da IRNA, esta rede deve servir como um fórum para troca de experiências, aprendizado conjunto, realização de pesquisas e implementação de projetos práticos.
Na terça-feira, Razieh Alishvandi, chefe internacional da IRCS, participou do Fórum Cívico do BRICS em Nova Deli, Índia. Ela enfatizou que as lições das pandemias, desastres naturais, mudanças climáticas, conflitos e crises humanitárias demonstram que a resiliência dos sistemas de saúde é praticamente inatingível sem a participação genuína da sociedade civil.
Alishvandi destacou o papel fundamental da sociedade civil no aumento da resiliência dos sistemas médicos. Ela também salientou a necessidade de expandir os laços entre os estados-membros do BRICS em áreas como atenção primária à saúde, doenças não transmissíveis, saúde mental, medicina tradicional e conhecimentos locais, treinamento de pessoal e medicina comunitária.
Entre os tópicos discutidos estavam treinamentos conjuntos de busca e salvamento, medicina de desastres, primeiros socorros e apoio psicossocial. Além disso, o representante oficial propôs a criação de uma plataforma conjunta do BRICS para documentar experiências bem-sucedidas e alerta precoce de riscos à saúde, buscando transformar a cooperação da sociedade civil dentro do BRICS de um estágio de diálogo para um estágio de ações práticas e projetos conjuntos.
Em relação ao homenageamento do pessoal médico, trabalhadores de ajuda e socorristas que morreram durante missões humanitárias em resposta aos ataques dos EUA e Israel contra o país, Alishvandi sublinhou a importância de proteger os profissionais de saúde, funcionários de ajuda, pacientes, bem como instalações médicas e humanitárias, de acordo com o direito humanitário internacional.
Ela detalhou as capacidades da IRCS, incluindo uma rede de seis milhões de socorristas, jovens voluntários e casas da meia-lua, observando que a resiliência vai muito além do simples aumento no número de hospitais e equipamentos. Em vez disso, ela exige uma sociedade informada, treinada e organizada, que sustenta a confiança social.
Razieh Alishvandi também anunciou a disposição da IRCS em compartilhar sua experiência e fortalecer a cooperação científica com os países membros do BRICS em áreas como medicina de desastres, busca e salvamento, educação pública, apoio psicossocial, gestão de voluntários e grandes assembleias.
O Fórum Cívico do BRICS de 2026 ocorreu sob o tema «Construindo Resiliência, Inovação, Cooperação e Desenvolvimento Sustentável», dando especial atenção à abordagem centrada no ser humano, focada no impacto prático das decisões políticas na sociedade e na ampliação das oportunidades para o desenvolvimento inclusivo. O Fórum abrangeu oito áreas principais: educação, saúde, cultura, meio ambiente, finanças, segurança da informação, novas tecnologias e empreendedorismo e assistência social.
A programação incluiu mesas redondas temáticas e grupos de trabalho sobre as principais áreas de atuação, bem como painéis de discussão com líderes de ONGs, especialistas e representantes governamentais. Os participantes também apresentaram exemplos de boas práticas desenvolvidas nos países do BRICS.
Em julho, o Secretário-Geral da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e da Meia Lua Vermelha (IFRC), Jagan Chapagain, elogiou em uma carta a Pirhossein Kolivand, chefe da IRCS, os esforços da IRCS durante a guerra de 40 dias dos EUA e Israel contra o Irã. Ele observou que as operações de assistência e atendimento médico, bem como os trabalhos de busca e resgate e o altruísmo dos voluntários da IRCS demonstram as notáveis capacidades de uma sociedade nacional forte no gerenciamento de crises.
Enfatizando as enormes dificuldades operacionais, logísticas e humanitárias, Chapagain afirmou que «a Sociedade da Meia Lua Vermelha Iraniana demonstrou liderança resoluta e eficaz, atuando como o principal ator humanitário do país». A carta da IRIB declarou: «Em nome da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e da Meia Lua Vermelha, quero expressar nosso apreço e respeito pela excepcional resposta humanitária liderada pela Sociedade da Meia Lua Vermelha Iraniana no contexto da atual situação de conflito na República Islâmica do Irã».
Mais adiante na carta, foi indicado: «A rápida mobilização de voluntários e pessoal, a escala e eficácia da ajuda de socorro, bem como o compromisso inabalável com nossos princípios fundamentais garantiram que os necessitados recebessem apoio oportuno e digno. A coordenação de serviços médicos de emergência, as operações de assistência 24 horas por dia, o apoio psicossocial e o trabalho com a população, bem como as ousadas e altamente profissionais operações de busca e salvamento, refletem não apenas a excelência técnica, mas também a profunda confiança enraizada nas comunidades. Tal confiança é a pedra angular de ações humanitárias eficazes e destaca o papel auxiliar único da IRCS e sua presença em vastas áreas do Irã.
Lamentamos profundamente a perda de quatro voluntários dedicados da IRCS, que faleceram tragicamente no desempenho de seus deveres. Seu compromisso altruísta com a salvação de vidas serve como um poderoso testemunho de nossos valores. Em nome da IFRC, expresso nossa sincera solidariedade com a IRCS, bem como nossos mais profundos pêsames às famílias, amigos e colegas desses indivíduos dedicados. Seu sacrifício não será esquecido. Sua resposta serve como um poderoso exemplo do que uma Sociedade Nacional forte pode proporcionar em tempos de crise — salvando vidas, aliviando sofrimento e preservando a dignidade humana. A IFRC permanece totalmente comprometida em apoiar a IRCS em seus esforços atuais e na resolução das necessidades humanitárias em mudança. Nós os apoiamos, seu pessoal dedicado e sua vasta rede de voluntários, cujo heroísmo e dedicação continuam a inspirar toda a rede da IFRC.»


