Como um cantor azarado se tornou um líder sanguinário na América: a história de Charles Manson
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Aaj Tak
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Como um cantor azarado se tornou um líder sanguinário na América: a história de Charles Manson

Antigamente, Charles Manson tinha uma guitarra em mãos e um sonho de Hollywood nos olhos. Ele almejava alcançar a fama, como Frank Sinatra. Apesar de um passado repleto de prisão e crimes, ele estava convencido de seu talento e acreditava que o brilhante mundo de Los Angeles lhe daria notoriedade. No entanto, seu destino tomou um caminho diferente. Buscando a fama, Manson gradualmente se transformou em um líder cultuado, cuja palavra podia incitar as pessoas a qualquer ato. Surge a questão: como este pequeno criminoso, criado em prisões e instituições correcionais, conseguiu exercer tamanha influência sobre as pessoas?

Esta história vai além da terrível morte de Sharon Tate, atriz grávida de oito meses. É um relato sobre um homem louco cujas ambições, inseguranças e ansiedades criaram um mundo que posteriormente se tornou epicentro um dos crimes mais terríveis da América.

Para entender Manson, é preciso analisar a América daquela época, onde ele foi gradualmente conquistando seu lugar. Foi a década de 1960 — um dos períodos mais turbulentos da história dos EUA. Nas ruas, protestavam contra a Guerra do Vietnã, a discriminação racial era generalizada e a juventude desafiava as estruturas sociais. As velhas normas de vida, moralidade e família estavam sendo questionadas. Nesse cenário, o bairro de Haight-Ashbury, em São Francisco, tornou-se um símbolo dessa nova contracultura. Ali, liberdade significava não apenas libertação política, mas também a possibilidade de viver pelas próprias regras, seja através de vida comunitária, uso de drogas psicodélicas, relacionamentos livres ou rebelião contra o sistema social.

Foi esse solo que permitiu a Manson encontrar seu lugar entre os desabrigados semelhantes a ele. Ao chegar a São Francisco em março de 1967, após ser libertado da prisão, Manson, de 32 anos, não tinha dinheiro, identidade social nem um plano claro para o futuro. Mas ele tinha uma guitarra, músicas e um modo de falar que rapidamente atraiu a atenção dos outros.

A atração de Manson não era parecida com a de um herói de cinema. Ele era um homem baixo e magro, que passou muito tempo preso. Ele não tinha riqueza, fama ou conquistas para sustentar as pessoas, mas ainda assim as atraía. Ele sabia fazer o interlocutor sentir que ele entendia suas preocupações. Ele dizia aos jovens insatisfeitos com a sociedade que o problema não era neles mesmos, mas no mundo que nunca os aceitou. Gradualmente, as pessoas reunidas ao seu redor começaram a considerar Manson como um salvador.

Para a juventude cujos laços familiares estavam arruinados e que não conseguiam encontrar seu lugar em casa e na sociedade, Manson criou uma família alternativa. Ele atuava diante deles simultaneamente em três papéis: amigo, parceiro sexual e mentor. Primeiro, ele conquistava sua confiança, depois os afastava de laços antigos e gradualmente limitava seu mundo ao seu. Foi esse processo que transformou um pequeno grupo de hippies no que mais tarde foi chamado de Família Manson.

Neste mundo, a liberdade era declarada, mas gradualmente Manson começou a definir o próprio conceito dessa liberdade. Ele afirmava que a sociedade era falsa, a família estava ultrapassada e as leis eram corruptas. As pessoas que viviam com Manson passaram a se considerar superiores a esse sistema. Para seus seguidores, a vida parecia inicialmente emocionante: convivência, sexo, drogas, música e vida sem regras sociais estabelecidas. No entanto, dentro dessa liberdade, germinava outra armadilha — a dependência.

Mas o desejo de Manson não era apenas controlar os outros. Ele também sentia um forte desejo de provar seu valor. A música continuava sendo seu principal caminho. Ele escrevia canções, tocava violão e acreditava ter um talento capaz de tirá-lo da vida comum para o mundo da fama. No final de 1967, ele e seu grupo seguiram em direção a Los Angeles para procurar contatos na indústria musical. Lá, ele conheceu Dennis Wilson, baterista da banda Beach Boys. Através de Wilson, Manson conheceu o produtor Terry Melcher. Parecia que Hollywood estava muito perto. Ele mostrava suas músicas escritas, gravava-as e esperava que alguém lhe desse uma chance, mas cada vez encontrava decepção.

Após a decepção com Melcher, a Família Manson chegou a Spahn Ranch. Era um antigo set de filmagem fora de Los Angeles, onde antes eram filmados westerns e programas de televisão. Naquela época, o local estava deteriorado. Para Manson, este lugar provou ser ideal. Agora, Manson falava não apenas sobre liberdade e comunas. Ele começou a criar seu mundo estranho, unindo religião, tensão racial, drogas e vários aspectos da cultura pop.

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