Ex-executivo da Meta alega que Mark Zuckerberg negligenciou a segurança infantil em prol do engajamento
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Ex-executivo da Meta alega que Mark Zuckerberg negligenciou a segurança infantil em prol do engajamento

Arturo Béjar, ex-diretor de engenharia da Meta, declarou nesta quarta-feira (19) que o CEO da empresa, Mark Zuckerberg, estabeleceu uma cultura onde a proteção de crianças e adolescentes era secundária em comparação com o aumento do engajamento e do número de usuários no Facebook e no Instagram.

Béjar apresentou essa acusação durante seu segundo dia de depoimento em um julgamento significativo, que tem o potencial de definir novos parâmetros para a responsabilidade das redes sociais pelos impactos de suas plataformas em jovens. Este processo é movido por uma coalizão composta por 29 estados dos Estados Unidos contra a Meta.

Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey acusam a companhia de projetar o Facebook e o Instagram de modo a prender os jovens nas plataformas, o que contribui para problemas como ansiedade, depressão e até mesmo suicídio. Além disso, os 29 estados alegam que a Meta infringiu leis federais ao coletar e usar dados pessoais de crianças com menos de 13 anos de maneira inadequada.

O julgamento teve início na terça-feira (18) em um tribunal federal localizado em Oakland, Califórnia (EUA), e está previsto para durar aproximadamente seis semanas. Mark Zuckerberg figura entre as testemunhas aguardadas neste processo.

Durante seu testemunho, Béjar compartilhou uma vivência pessoal envolvendo sua própria filha, que tinha 16 anos quando criou uma conta no Instagram em 2021. Ele relatou que a adolescente desejava usar a rede para encontrar um local onde mulheres pudessem discutir sobre automóveis. Contudo, com o passar do tempo, ela começou a receber comentários misóginos, incluindo ofensas relacionadas aos seus seios.

Béjar mencionou que monitorava o efeito dessa situação em sua filha, declarando: «Fiquei de olho em como isso era angustiante para ela. Ela conseguiu muitos seguidores, ao preço de sofrer danos». Durante o questionamento conduzido pelo advogado da Meta, Brian Stekloff, Béjar admitiu não ter tido ciência dos riscos que sua filha enfrentaria ao auxiliá-la na criação da conta.

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Em seu depoimento, Béjar também sustentou que a Meta dava prioridade ao engajamento dos usuários — e, consequentemente, ao lucro — em detrimento da segurança. Um exemplo citado por ele foi uma funcionalidade destinada a encorajar os usuários a fazerem pausas no uso das plataformas, recurso que faz parte das medidas de segurança defendidas pela Meta.

O ex-executivo afirmou que essa ferramenta estava «projetada para falhar», visto que não é ativada como configuração padrão e seus avisos podem ser facilmente ignorados. Ele acrescentou que a Meta detinha tecnologia capaz de identificar usuários com menos de 13 anos e exigir uma confirmação de idade, uma ferramenta que, segundo ele, poderia alcançar milhões de usuários.

Adicionalmente, Béjar alegou que a empresa adotou uma política de «não perguntar, não contar» sobre a presença de crianças menores de 13 anos nas plataformas, pois manter esses usuários seria vantajoso financeiramente a longo prazo. Ele ressaltou: «Onde estão as crianças mais novas é onde os usuários estarão no futuro». A Meta, por sua vez, refuta as alegações de que desenvolveu o Facebook e o Instagram com o intuito de tornar as plataformas viciantes para crianças.

No primeiro dia do julgamento, o advogado da empresa, Paul Schmidt, argumentou que não há comprovação de nexo causal entre o uso de redes sociais e a diminuição do bem-estar dos adolescentes. A defesa também defende que Zuckerberg compartilha o objetivo de aprimorar os serviços da companhia, e não de torná-los perigosos.

Este processo pode acarretar sanções e modificações no funcionamento do Facebook e do Instagram. Os estados pleiteiam, entre outras ações, a eliminação de funcionalidades como curtidas e rolagem infinita, o estabelecimento de limites de tempo para usuários mais jovens e o fortalecimento das restrições para impedir que crianças menores de 13 anos utilizem as plataformas. O caso é visto como um dos maiores desafios jurídicos enfrentados pelas redes sociais em relação aos efeitos de seus produtos sobre crianças e adolescentes, sendo que a Meta lida com milhares de processos similares nos Estados Unidos.

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