Estudo revela que primatas demonstram comportamentos de cuidado e afeto com animais de outras espécies
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Estudo revela que primatas demonstram comportamentos de cuidado e afeto com animais de outras espécies

Pesquisas indicam que primatas, como símios e macacos, não são os únicos seres que desfrutam da companhia de animais de estimação, pois demonstram cuidar, nutrir laços afetivos e até adotar indivíduos de outras espécies.

Embora na natureza a interação entre espécies geralmente possua um objetivo claro, como defesa contra predadores ou auxílio na caça de alimentos, os cenários observados pelos cientistas fogem a essas normas estabelecidas.

As evidências coletadas apontam para interações entre primatas e diversos animais, incluindo lagartos, aves, cervos, esquilos, cães e gatos. As formas de interação mais frequentes eram, surpreendentemente, limitadas a brincadeiras e à limpeza mútua, embora em certas ocorrências, o relacionamento se assemelhasse a um processo de adoção.

Segundo os autores, este comportamento reflete diretamente a dinâmica social que os próprios primatas mantêm dentro de sua espécie. Observou-se que os indivíduos jovens tinham maior tendência a interagir com animais de outras espécies, enquanto as fêmeas adultas frequentemente amamentavam os animais que haviam sido adotados. Em contraste, os machos adultos foram os únicos a manifestar indiferença, chegando ocasionalmente a apresentar violência.

Os pesquisadores especulam que a motivação para macacos e símios adotarem companheiros reside na solidão. Assim como os seres humanos, esses primatas buscam a companhia de outros indivíduos, seja para participar das atividades diárias de higiene ou para se aconchegar juntos.

Exemplos notáveis incluem a gorila Koko, conhecida por ter um gato como companheiro. Além disso, existem relatos de uma amizade entre um elefante e um cachorro, um corvo que acolheu um gato e um ganso que convive com uma tartaruga.

Historicamente, os registros mais antigos de humanos com animais de estimação remontam a 14.000 anos na Alemanha, onde foram encontrados um casal sepultado ao lado de seu cão. Contudo, é provável que essa ligação tenha se originado antes desse período, sendo um bom exemplo a domesticação dos lobos, ocorrida há mais de 15 mil anos, que deu origem aos cães. Com o avanço da domesticação, essa conexão tende a migrar de uma função puramente utilitária para um vínculo mais carregado de afeto.

A ideia de investigar primatas com laços afetivos com outros animais surgiu quando Cyril Grueter, antropólogo biológico e primatologista da Universidade de Oxford, visitava o Zoológico de Xangai, na China. Nesse dia, ele presenciou uma fêmea gibão segurando e acariciando um pequeno rato em suas mãos.

O pesquisador teve outros contatos com esse comportamento. Em uma reserva na África, em Uganda, Ishe e Dembe, dois jovens chimpanzés-orientais, estavam pulando entre os galhos da floresta quando Grueter se aproximou. O que se seguiu surpreendeu o estudioso: a dupla de chimpanzés aproximou-se de um macaco-de-cauda-vermelha vizinho, não com hostilidade, como é usual entre chimpanzés, mas com gestos de carinho, começando a pentear o rabo do outro.

Para ir além de casos isolados, Grueter e sua equipe revisaram a literatura científica e consultaram especialistas em primatologia em busca de relatos similares. O artigo final consolidou 427 registros envolvendo 88 espécies de primatas. Os dados confirmaram que todos os primatas, independentemente da espécie, exibiam algum comportamento passível de ser associado à criação de animais de estimação.

Os autores enfatizam que, para os animais, não há um paralelo exato ao conceito humano de «ter um animal de estimação»; o termo mais adequado seria descrever a troca de afeto entre animais pertencentes a espécies distintas.

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