Lula defende o enriquecimento de urânio no Brasil para uso pacífico e avança no programa nuclear naval
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Lula defende o enriquecimento de urânio no Brasil para uso pacífico e avança no programa nuclear naval

O tema da soberania nacional tem sido recorrente nos pronunciamentos do candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) que busca a reeleição nas eleições de outubro. Essas declarações ganharam mais destaque devido à crise diplomática entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca, especialmente após os Estados Unidos rotularem as duas maiores facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, gerando receio de intervenção militar no país por Brasília.

Durante uma visita ao complexo científico e militar da Marinha brasileira, localizado na cidade de Iperó, no interior do estado de São Paulo, Lula defendeu o prosseguimento do desenvolvimento de um submarino movido a energia nuclear, componente essencial do Programa Nuclear da Marinha.

O presidente brasileiro enfatizou que tal embarcação é crucial para que o país adquira tecnologia para exportação e para realizar o enriquecimento de urânio com fins pacíficos, conforme estabelece a Constituição. Ele ressaltou que é fundamental finalizar este projeto para que o Brasil se torne um dos poucos países, ao lado das nações com assento no Conselho de Segurança da ONU, capazes de construir um submarino nuclear.

Lula reforçou a importância de o país possuir capacidade de defesa, afirmando: «Não é pouco coisa. A gente não tem soberania nacional, porque a gente faz discurso. O discurso é só palavra, porque o adversário às vezes nem escuta». Ele acrescentou que é preciso estar preparado para que os outros saibam que o Brasil terá força para recusar ou para competir.

Após conhecer o Laboratório de Enriquecimento Isotópico da Marinha, o presidente destacou que, apesar de o orçamento governamental priorizar saúde e educação, é necessário alocar verbas para a finalização da construção do submarino nuclear. Lula mencionou que o projeto está em andamento desde 2007, ou seja, desde o começo do seu segundo mandato, e reconheceu que cortes e bloqueios orçamentários prejudicam sua conclusão.

Ele concluiu que algo tão vital para a soberania nacional e para o respeito internacional do Brasil não pode depender da instabilidade orçamentária. Antes do discurso de Lula, o comandante da Marinha, Sergio Sampaio Olsen, informou que o Brasil detém a sexta maior reserva mundial de urânio. Olsen apoiou a manutenção do Programa Nuclear da Marinha, citando que ele sustenta 60 mil postos de trabalho diretos e indiretos, envolvendo 900 empresas.

O comandante também alertou que o desenvolvimento de um programa visando um submarino nuclear ocorre em um cenário geopolítico muito complexo, uma dinâmica que exige análise profunda e demonstra a disposição do Presidente Lula em garantir a soberania do país.

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Apesar das recentes tensões com os Estados Unidos, Lula fez uma distinção em seu discurso entre o presidente americano, Donald Trump, e outros membros do governo. Ele manifestou grande respeito pela relação com seu homólogo norte-americano.

Lula mencionou uma conversa recente com Trump, durante a qual foi alegadamente insistido que, como líderes das duas maiores democracias do continente, ambos deveriam promover uma certa harmonia global, em vez de se apoiarem em informações falsas.

Em contrapartida, o presidente brasileiro direcionou suas críticas ao Departamento de Estado e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. Lula o descreveu como um apoiador de Bolsonaro que demonstra aversão ao Brasil e à América Latina.

De acordo com o líder brasileiro, Rubio seria um indivíduo anti-latino-americano ou um latino-americano insatisfeito, que age de maneira divergente dos acordos estabelecidos com Trump. Além disso, Lula alegou que Rubio nutre ódio por Cuba, Colômbia e Brasil, motivado por ser descendente de cubanos residentes em Miami.

Durante um evento onde o governo brasileiro celebrou uma diminuição de 37% nos alertas de desmatamento na Amazônia para o biênio 2025-2026, o chefe de Estado declarou que o argumento utilizado pelos Estados Unidos para impor tarifas ao Brasil era infundado. Ele expressou ceticismo sobre existir algum país no mundo que trate a pauta climática com maior seriedade do que o Brasil.

Lula reforçou essa posição, dizendo que ninguém, nem mesmo os Estados Unidos, leva a sério a questão climática como o Brasil, citando Trump na ONU como alguém que não crê na questão climática e a considera mentira.

As relações diplomáticas entre a Casa Branca e o Palácio do Planalto têm enfrentado atritos desde o ano passado, momento em que Trump anunciou a aplicação das primeiras tarifas alfandegárias ao Brasil. Os Estados Unidos implementaram, a partir de 22 de julho, uma taxa aduaneira extra de 25% sobre boa parte das mercadorias brasileiras, como punição por diversas práticas comerciais consideradas desleais que impactam as exportações americanas para o país sul-americano.

Entre as práticas citadas estavam o sistema eletrônico de pagamentos automático brasileiro 'PIX', a observância das normas anticorrupção, as legislações de proteção à propriedade intelectual, o acesso ao mercado de etanol e a suposta permissividade ao desmatamento ilegal.

Entretanto, Trump concedeu isenção de tarifas para aproximadamente 2.100 produtos brasileiros, incluindo carne, certos tipos de peixe, café, petróleo, terras raras e obras de arte, visando mitigar os efeitos em seu mercado interno.

Neste contexto, o presidente brasileiro lamentou ter tomado conhecimento do novo 'aumento tarifário' através da imprensa nesta sexta-feira. Ele informou que enviará a Trump gráficos que comprovam a queda recorde do desmatamento na Amazônia para refutar as justificativas ambientais das tarifas.

Adicionalmente, neste mês, o governo brasileiro rejeitou a revogação do visto de sua embaixadora em Washington pelo Departamento de Estado americano, classificando tal ação como uma retaliação ideológica e uma tentativa de interferência nas eleições futuras no Brasil.

Essa decisão ocorreu em resposta à demora de Brasília em nomear o novo embaixador indicado por Donald Trump e à recusa de vistos a diplomatas dos EUA, sob alegação de possível interferência nas eleições presidenciais brasileiras de outubro.

No mês anterior, os EUA também optaram por estender por um ano o estado de emergência para o Brasil, rotulando o governo brasileiro como uma ameaça 'inusitada e extraordinária' à segurança nacional, à política externa e à economia americana.

Recentemente, Washington também designou como organizações terroristas globais as duas maiores facções criminosas do país sul-americano: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

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