A Samsung Electronics implementou um aumento nos custos de fabricação de semicondutores, que pode chegar a 15%. De acordo com a agência Reuters, este ajuste foi aplicado em nível mundial e surge como resposta tanto à crescente procura por inteligência artificial quanto ao esgotamento da capacidade produtiva de sua principal concorrente no mercado de chips, a TSMC.
Este encarecimento afeta diretamente as corporações que utilizam os serviços da Samsung para produzir seus chips, embora possa impactar os consumidores de forma indireta através do repasse desses custos nos produtos finais. A Reuters aponta que essa mudança de preço visa converter o período de escassez em uma oportunidade para fortalecer a lucratividade da empresa.
Os incrementos nos valores são determinados pela complexidade do processo de litografia e pela localização da empresa contratante. Por exemplo, para componentes fabricados no processo de 4 nanômetros, marcas chinesas e americanas deverão pagar entre 10% e 15% a mais. Além disso, a arquitetura de 5 nanômetros (SF5) teve um reajuste de 10% a 15%, enquanto os wafers baseados na tecnologia mais antiga de 8 nanômetros ficaram quase 10% mais caros.
Essa movimentação ocorre em um momento crítico, pois a TSMC, líder isolada no segmento, alcançou seu limite técnico nas linhas de produção. A empresa taiwanesa já reservou toda a sua produção de componentes de 3 nanômetros até 2027 e garantiu sua capacidade de 2 nanômetros até o final de 2026 para atender clientes como Apple, Nvidia e AMD.
Sem a possibilidade de aceitar novos pedidos no curto prazo, a companhia também está avaliando aplicar aumentos de até 10% a partir de janeiro de 2027. Com a operação da rival saturada, a Samsung obteve maior poder de negociação para otimizar suas margens.
Segundo o analista Lee Min-hee, da BNK Investment & Securities, os compradores habituais da TSMC começaram a buscar fornecedores alternativos, como a Samsung e a Intel, criando o cenário ideal para a sul-coreana aumentar seus preços. A Samsung possui uma vasta clientela e já fabrica chips para a Qualcomm em sua linha SF4, localizada na Coreia do Sul. Outras empresas, como Nvidia, Google e Broadcom, também firmaram ou estão negociando acordos para fabricar semicondutores com a Samsung.
O novo processador de IA da Nvidia, por exemplo, deverá ser produzido nas instalações da Samsung. O Google está negociando o uso do processo SF4, e a Broadcom concluiu um acordo para fabricar chips de IA. Adicionalmente, a Meta planeja encomendar mais de US$ 6,5 bilhões (aproximadamente R$ 33 bilhões) em chips de IA produzidos nas linhas de 2 nm da Samsung. Tesla e Apple também possuem acordos de produção com a fabricante.
Para dar suporte à elevada demanda de trabalho, a Samsung deu início aos procedimentos legais para expandir sua infraestrutura fabril no complexo de Pyeongtaek e desenvolver um projeto interno denominado “fábrica tripla”. Caso o governo sul-coreano aprove a expansão, a capacidade de produção atual desse local será multiplicada por 1,5. A dimensão deste plano acompanha a forte previsão de crescimento do mercado global de memória em 2027, impulsionado pela corrida da IA.
Os novos contratos e os ajustes de preço já modificam o panorama de rentabilidade da divisão de chips. Este segmento registrou um lucro operacional recorde no segundo trimestre de 2026. A pressão gerada pela demanda do mercado se refletiu nos indicadores financeiros, resultando em uma valorização superior a 10% das ações da Samsung durante as negociações de pré-mercado.