Um estudo recente realizado nos Estados Unidos estabeleceu pela primeira vez uma ligação entre o consumo de bebidas açucaradas e a incidência de câncer de estômago na população dos EUA. No âmbito deste estudo, foram analisados dados de 112.284 participantes acompanhados por décadas, resultando na identificação de 278 casos da doença.
De acordo com a análise publicada no periódico Gastro Hep Advances, pessoas que consumiam pelo menos uma porção de bebida açucarada diariamente tinham um risco 2,45 vezes maior de desenvolver câncer de estômago do que aquelas que nunca consumiram tais bebidas, após ajuste estatístico por outros potenciais fatores de risco. Este resultado foi semelhante tanto em homens quanto em mulheres.
O estudo foi conduzido por cientistas como Tae-Geun Gweon, Jane Ha, Hanseul Kim, Mengxi Du, Mingyang Song e Andrew T. Chan, utilizando dados dos estudos Nurses’ Health Study (NHS) e Health Professionals Follow-up Study (HPFS). Os participantes forneceram informações sobre seu estilo de vida, dieta, histórico médico e estado de saúde durante todo o período de observação.
Os autores enfatizam que, até onde sabem, este é o primeiro estudo a demonstrar tal relação entre bebidas açucaradas e a incidência de câncer de estômago. Embora trabalhos anteriores tenham investigado essa possibilidade, eles não conseguiram estabelecer uma correlação clara.
Para a análise, foram considerados refrigerantes, ponche, limonada e bebidas esportivas. Uma porção equivalia a 8 onças ou 237 ml. O consumo foi dividido em cinco categorias, começando com menos de uma porção por mês até mais de uma porção por dia.
Dos 112.284 participantes na análise final, havia 68.311 mulheres e 42.973 homens. Durante o período de observação, foram registrados 278 casos de câncer de estômago em 3.204.001 anos-pessoa: 140 no NHS e 138 no HPFS.
Um dos pontos notáveis deste estudo foi a comparação com bebidas adoçadas com substitutos artificiais. Nesse caso, os pesquisadores não encontraram nenhuma ligação entre o consumo delas e a incidência de câncer de estômago após os ajustes estatísticos.
O consumo de frutose, o principal adoçante usado em bebidas açucaradas, também foi estudado. Foi observada uma correlação positiva entre o consumo total de frutose e os casos de câncer de estômago, tanto na população geral quanto entre as mulheres.
A diferença entre os dois tipos de bebidas por si só não permite determinar inequivocamente o mecanismo responsável pelo resultado obtido. Os pesquisadores citam possibilidades como ganho de peso, resistência à insulina, desequilíbrio hormonal esteroide, inflamação, dano ao DNA e disbiose, mas enfatizam que o mecanismo carcinogênico exato ainda precisa ser estudado.
Apesar da relação descoberta, os autores apontam limitações significativas. Como o estudo é observacional, ele não fornece base para afirmar que o consumo de bebidas açucaradas causou diretamente o câncer de estômago; outros fatores podem ter influenciado os resultados. Além disso, havia informações limitadas sobre infecção por Helicobacter pylori, localização anatômica dos tumores, histórico familiar de câncer de estômago e histórico de gastroscopia do trato gastrointestinal superior. Também se observa que os participantes eram predominantemente brancos e recrutados inicialmente entre 30 e 75 anos, o que limitou a análise por grupos raciais e étnicos, bem como entre adultos jovens.
Os cientistas concluem que são necessários estudos adicionais tanto para confirmar a relação observada quanto para compreender os possíveis mecanismos biológicos subjacentes a ela.
