Dra. Judy Pretorius transforma o cuidado infantil com queimaduras na África do Sul
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Dra. Judy Pretorius transforma o cuidado infantil com queimaduras na África do Sul

A Dra. Judy Pretorius, cientista biomédica e empreendedora sul-africana, trabalha para transformar avanços científicos em soluções de saúde compassivas na África do Sul. Ela acredita que o verdadeiro valor da ciência é medido por sua capacidade de ajudar as pessoas fora do laboratório.

Uma visita recente da Dra. Judy ao Departamento de Queimaduras Pediátricas do Hospital Acadêmico Chris Hani Baragwanath, em Soweto, Joanesburgo, permitiu-lhe ver essa ideia em ação enquanto ouvia profissionais de saúde tratando crianças com queimaduras graves.

Esta visita, organizada pela U Matter Foundation, deu à fundadora da Biomedical Emporium a oportunidade de explorar como cientistas, clínicos, organizações sem fins lucrativos e empresas podem colaborar para melhorar os resultados de tratamento em pacientes vulneráveis.

A Dra. Judy observou: «Eu sou cientista por formação, mas também sou empreendedora, pesquisadora e alguém que acredita firmemente que o conhecimento deve gerar um impacto significativo».

Ela possui mestrado em genética e biologia molecular, além de doutorado em química farmacêutica pela Northwestern University. Sua especialização inclui cicatrização de feridas, medicina regenerativa e terapia celular. A Dra. Judy compartilhou que sempre esteve interessada na capacidade de autorregeneração do organismo.

Ela explicou que a cicatrização de feridas é um processo biológico complexo que envolve células, fatores de crescimento, inflamação, formação de tecidos e interação entre diferentes sistemas biológicos. A medicina regenerativa aprofunda esse entendimento, investigando como melhor compreender e apoiar a capacidade natural do corpo de restaurar e regenerar tecidos.

Para ela, a inovação científica só faz sentido quando resolve um problema real. Ela enfatizou que inovações na saúde não devem ser apenas sobre desenvolver algo novo, mas sim resolver problemas que são importantes para pacientes e profissionais de saúde.

Essa abordagem se manifestou durante seu trabalho no departamento de queimaduras Baragwanath, onde dedicou tempo para ouvir médicos e especialistas em saúde sobre as dificuldades reais no tratamento de crianças com queimaduras graves. Ela ficou impressionada com a complexidade do trabalho deles. A Dra. Judy afirmou que o cuidado com queimaduras não é apenas tratar uma ferida.

A Dra. Judy Pretorius conversou com jovens pacientes no Hospital Baragwanath, ouvindo suas histórias e estudando soluções conjuntas para melhorar os cuidados pediátricos com queimaduras. Crianças que se recuperam de queimaduras graves podem enfrentar dor, risco de infecções, cicatrizes, problemas de mobilidade e consequências psicológicas muito tempo após o trauma inicial.

Ela acredita que as pessoas às vezes veem a queimadura como um trauma que termina com o fechamento da ferida, mas, na verdade, a recuperação é frequentemente apenas o começo de um caminho muito mais longo. À medida que as crianças crescem, as consequências físicas de queimaduras graves podem mudar, e o impacto psicológico continua a afetá-las e suas famílias.

A Dra. Judy considera que é por isso que o cuidado pediátrico com queimaduras merece mais atenção de políticos, pesquisadores, setor privado e público. Ela destacou a vulnerabilidade das crianças e que as consequências de queimaduras graves podem persegui-las por muitos anos.

A visita também reforçou a importância da união entre cientistas e clínicos. Na opinião dela, as pesquisas devem ser baseadas nos problemas enfrentados pelos profissionais de saúde na linha de frente, e não desenvolvidas isoladamente. Ela insiste: «Em vez de os cientistas desenvolverem algo isoladamente e depois pedirem aos profissionais de saúde para usarem, devemos perguntar aos clínicos sobre os problemas que eles enfrentam e permitir que esses problemas definam a agenda de pesquisa. As inovações devem ser projetadas considerando a realidade. Não basta desenvolver algo que funcione do ponto de vista científico. Devemos desenvolver soluções que possam realmente funcionar nos sistemas de saúde».

Isso implica considerar a acessibilidade, a aceitabilidade em termos de custo, a facilidade de uso e a escalabilidade desde o início. Segundo ela, uma tecnologia promissora cientificamente terá um impacto limitado se não puder ser implementada no sistema de saúde real.

Este princípio é refletido também na Biomedical Emporium, a empresa de biotecnologia fundada pela Dra. Judy há 11 anos. O negócio evoluiu de uma startup focada em pesquisa para uma empresa integrada de saúde com divisões B2B e D2C, além de uma farmácia recém-aberta. A Biomedical Emporium também possui laboratórios em Maurício e Dubai.

Para a Dra. Judy, o crescimento comercial está ligado à responsabilidade de usar conhecimentos científicos e empresariais para resolver problemas reais de saúde. Ela declarou: «Como cientista e empreendedora, sinto uma responsabilidade especial para garantir que o conhecimento e as oportunidades que desenvolvemos possam contribuir para a resolução de problemas reais de saúde».

Essa responsabilidade também se estende à forma como o negócio apoia comunidades vulneráveis. A Dra. Judy acredita que doações podem oferecer ajuda imediata, mas o apoio sustentável exige um compromisso de longo prazo com o desenvolvimento de capacidades, apoio à pesquisa e desenvolvimento de soluções para problemas recorrentes. Ela acrescentou que uma contribuição única não resolve necessariamente os problemas de raiz, mas o valor reside na criação de relacionamentos que possam levar a colaboração e soluções de longo prazo.

Ela vê organizações sem fins lucrativos, como a U Matter Foundation, como cruciais para estabelecer essas conexões, reunindo comunidades, profissionais de saúde, empresas e pesquisadores em diálogos que podem ir além de uma única intervenção. Para a Dra. Judy, o próximo passo é continuar ouvindo e definindo como sua experiência científica, produtos e recursos podem contribuir significativamente para o Departamento de Queimaduras Pediátricas.

Seu objetivo mais amplo é demonstrar como a ciência e a biotecnologia africanas podem ajudar a resolver problemas de saúde africanos, ao mesmo tempo em que fortalece as ligações entre pesquisa, negócios e sociedade. Ela concluiu: «Precisamos de mais pontes entre ciência e sociedade. Precisamos de pesquisas que vão além do laboratório, de negócios que entendam sua responsabilidade social e de parcerias que unam experiências de diferentes setores».

No entanto, durante a visita a Baragwanath, foram as crianças que ficaram marcadas em sua memória, estando por trás da ciência. Foi tocada pela visão do ambiente onde os profissionais de saúde trabalham e pelos pensamentos sobre os pequenos pacientes por trás de cada ferida tratada. Para a Dra. Judy, este é o momento em que a ciência se torna algo mais do que apenas pesquisa. Ela enfatizou: «Por trás de cada questão científica, há, em última análise, uma pessoa cuja qualidade de vida estamos tentando melhorar».

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