A Unitree Robotics, reconhecida como a maior produtora de robôs humanoides do planeta, teve sua estreia na Bolsa de Xangai nesta quarta-feira, resultando em uma notável valorização de suas ações. No primeiro dia de negociação, as ações da empresa chinesa apresentaram um aumento superior a 460%.
Inicialmente, os títulos foram ofertados pelo valor de 150,80 yuans (equivalente a cerca de R$ 116) cada, mas ao final do pregão, foram negociados a 845 yuans (R$ 653). Durante as primeiras transações, essa valorização elevou a capitalização da Unitree para aproximadamente US$ 53 bilhões, chegando em um momento específico do dia a um ganho superior a 600%.
A Oferta Pública Inicial (IPO) havia sido precificada no começo do mês corrente. Com esta operação, a companhia visava arrecadar cerca de US$ 900 milhões, partindo de uma avaliação inicial estimada em US$ 9 bilhões. A debut ocorreu no Star Market, um segmento da Bolsa de Xangai dedicado a empresas de tecnologia, conhecido como o “Nasdaq da China”. Este evento de abertura de capital marca um passo significativo nos objetivos de Pequim de fomentar a indústria robótica nacional.
Embora a Unitree não seja a primeira fabricante chinesa de robôs humanoides a entrar no mercado de ações, ela é a pioneira neste segmento a realizar uma estreia em bolsa na China continental. Fundada em 2016, a empresa, cujo nome oficial é Yushu Technology Co Ltd, está sediada em Hangzhou, localizada no leste da China. A companhia consolidou uma posição relevante no setor de robótica e apoia os planos de Pequim para o desenvolvimento de tecnologias avançadas.
Seu catálogo de produtos abrange desde sensores e braços automatizados até robôs humanoides e cães robóticos. No ano anterior, a Unitree forneceu mais de 5,5 mil robôs humanoides ao mercado, impulsionada pelo aumento da procura por essa tecnologia. Além disso, a Unitree figura entre os poucos players do setor que conseguem gerar lucros, tendo registrado um lucro líquido de 278 milhões de yuans (R$ 215 milhões) em 2025.
Um fator que coloca a fabricante chinesa em concorrência direta com desenvolvedores dos Estados Unidos reside nos preços. A empresa fabrica robôs com especificações similares aos de seus rivais americanos, mas consegue disponibilizá-los por custos inferiores. Hangzhou, onde se encontra a sede da Unitree, é um polo de empresas de robótica que se beneficiaram de substanciais aportes governamentais. Esse suporte ajudou a fazer com que o número de companhias chinesas nesse setor mais que triplicasse entre 2020 e 2024, conforme relatado pelo veículo de imprensa local China Daily.
Atualmente, equipamentos industriais automatizados e aspiradores inteligentes já são comuns em fábricas, depósitos e residências. Contudo, são os robôs humanoides que estão atraindo um grande volume de investimentos. Gigantes como Tesla, BYD e Amazon estão trabalhando no desenvolvimento de máquinas bípedes aptas a executar tarefas tipicamente humanas.
A Unitree começou a comercializar humanoides em 2023, e no ano subsequente lançou o modelo G1, vendido por US$ 13,5 mil (R$ 70,4 mil). Enquanto isso, grandes competidores americanos, incluindo a Tesla, de Elon Musk, ainda não iniciaram a entrega de seus produtos.
A robótica e a inteligência artificial tornaram-se mais um ponto de atrito entre China e Estados Unidos. Ambos os países consideram essas áreas de importância estratégica e buscam o domínio tanto do mercado global de robôs quanto do mercado de modelos de IA usados para operá-los. Segundo Harold Soh, pesquisador da Universidade Nacional de Singapura, os fabricantes americanos tendem a oferecer softwares mais intuitivos. Em contrapartida, os preços mais baixos das fabricantes chinesas são um aspecto difícil de ser ignorado.
Os cães-robôs da Unitree possuem preços a partir de US$ 2,7 mil (R$ 14 mil), enquanto o Spot, um dispositivo quadrúpede da Boston Dynamics, custa aproximadamente US$ 70 mil (R$ 365 mil). Soh enfatiza que os produtos não são diretamente comparáveis, visto que alguns cães-robôs da Unitree são significativamente menores. Não obstante, o pesquisador aponta que a disparidade de preço é considerável.
Essa disputa também atingiu o âmbito político. Em julho, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que impediria a entrada de novos robôs humanoides e quadrúpedes fabricados na China, alegando preocupações com a segurança nacional e a defesa da indústria americana. Pequim refutou essa afirmação, acusando Washington de «politizar» assuntos comerciais. Os Estados Unidos também impuseram restrições severas a outras tecnologias chinesas, como modelos de inteligência artificial e veículos elétricos.
A Unitree pertence a um grupo reduzido de fabricantes de robôs humanoides cujas ações são negociadas publicamente. Sua principal concorrente, AgiBot, opera como uma empresa privada. Já a rival de menor porte, UBTech, possui ações listadas em Hong Kong. No entanto, esse panorama pode sofrer alterações, pois outras seis empresas chinesas de robótica estão se preparando para abrir capital, incluindo Deep Robotics e Leju Robotics.


