No âmbito da celebração do Mês da Mulher, destaca-se que, apesar dos progressos alcançados, ainda há muito a ser feito na África do Sul para construir uma sociedade que valorize a igualdade de gênero. Tal sociedade deve excluir a submissão de mulheres e meninas a preconceitos, discriminação e violência.
Para resolver esses problemas, é necessário combater práticas sociais que continuam a alimentar a discriminação contra as meninas, o que pode levar à violência de gênero e feminicídio (GBVF). A autora argumenta que o combate ao GBVF exige o questionamento constante dessas práticas, pois campanhas, publicidade e debates sozinhos não são suficientes.
Ao analisar uma das políticas de uniforme escolar, a autora notou as diferenças nos requisitos para meninas e meninos. O uniforme para meninas inclui saia no verão e saia com calcinha no inverno, enquanto os meninos podem usar calças compridas no inverno e shorts no verão.
A autora recorda sua própria experiência escolar, quando teve que usar vestido, o que lhe causava insegurança. Como mãe, ela ficou preocupada com essa situação, refletindo sobre as mensagens ocultas e as possíveis consequências de tal abordagem diferenciada.
Ao considerar essa política, ela começou a pensar no que essa prática social diz sobre o que é considerado um traje 'aceitável' para meninas e quais outras consequências podem estar sendo negligenciadas. Foi apresentada uma situação hipotética em que um menino e uma menina estão sentados juntos no inverno: o menino está aquecido graças ao uniforme de calças, enquanto a menina sente frio na saia e calcinha, causando desconforto.
Esse desconforto é resultado da escolha por manter a prática normalizada de vestuário diferenciado por gênero na escola. Como a divisão das roupas formais para meninos e meninas se tornou habitual, deixamos de avaliar criticamente as consequências dessas práticas sociais. Este uniforme não é apenas um código de vestimenta; ele carrega um significado específico, refletindo expectativas de gênero estereotipadas, segundo as quais as mulheres usam vestidos e os homens usam calças.
Essas visões patriarcais estão enraizadas nas escolas e são reproduzidas através de algo tão simples quanto a política de uniforme. É um exemplo que convida à reflexão sobre os tipos de distinções criadas pelas práticas educacionais. Surgem questões sobre a promoção de crenças de superioridade masculina e como isso afeta a vida dos meninos cujas experiências contradizem os papéis esperados.
Quando não analisamos os significados sociais associados às práticas em nossas políticas, podemos perpetuar narrativas de que 'homens usam calças' e são líderes. A mensagem implícita para as meninas é que elas não são destinadas a liderar ou a serem líderes. Apesar de mais de três décadas de estrutura democrática, a constituição rejeita a discriminação de gênero, e para sua implementação é necessário verificar ativamente se as políticas adotadas promovem a igualdade de gênero ou, pelo contrário, promovem a desigualdade de gênero.
Em homenagem ao Mês da Mulher, a autora apela a todos para participar do combate ao GBVF, examinando criticamente as práticas sociais aparentemente 'naturais', 'familiares' e 'neutras' que, na verdade, podem consolidar estereótipos de gênero e intensificar a discriminação. Somente através do questionamento constante dessas práticas é possível trilhar o caminho para a igualdade de gênero e a redução do alto nível de GBVF na sociedade.
