Reforma da Casa do Guarda-Chuva / Chaoffice: Integração entre arquitetura e natureza
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Reforma da Casa do Guarda-Chuva / Chaoffice: Integração entre arquitetura e natureza

A Casa do Guarda-Chuva, também conhecida como Chaoffice, apresenta um cenário onde não se sabe se a residência ou as árvores imponentes em seu jardim surgiram primeiro. Soforas-do-japão, caquizeiros e ginkgos formam um dossel denso, criando uma atmosfera que remete tanto ao retorno à natureza quanto a um isolamento deliberado. Diferentemente das propriedades vizinhas ao norte, esta casa situa-se na fronteira entre o ambiente construído e o mundo natural.

Os quatro membros da família proprietária demonstram um forte apreço pela vida; o pai dedica-se à cerâmica, a mãe decora as paredes com suas pinturas, e os filhos compartilham a alegria de tocar música juntos. Com o crescimento dos meninos e a necessidade de mais espaço pessoal, os pais decidiram reformar a casa para ampliar sua área útil, visando garantir conforto para todos e planejar o futuro familiar no mesmo local.

O projeto enfrentou duas limitações significativas: um orçamento restrito, que impossibilitava demolições e reconstruções completas, exigindo que qualquer alteração fosse feita por reforço estrutural; e a necessidade de respeitar a vizinhança, impedindo alterações drásticas na volumetria ou obstrução da luz e das vistas dos vizinhos.

Nestas condições, a única possibilidade de expansão surgiu sob o beiral inclinado. Para manter a altura original nas três fachadas voltadas para os vizinhos, apenas o beiral sul possuía potencial real de modificação. Este foi elevado, nivelado e deslocado da cumeeira original leste-oeste em direção ao sul, conferindo à casa uma orientação mais definida ao romper o equilíbrio original de quatro direções.

A fachada sul elevada agora se volta para a floresta, fazendo com que toda a casa se assemelhe a um grande barril inclinado para o sul. Esta face sul é maximizada como uma abertura, enquanto as outras três fachadas e o telhado funcionam como as paredes delimitadoras. Dentro dessas robustas 'paredes de barril', a rotina é organizada com a floresta servindo de cenário, sendo a luz solar filtrada pelas árvores e a vegetação presente fontes de vitalidade. Simultaneamente, as paredes externas mais grossas ajudam a mitigar ruídos da rua e dos vizinhos, promovendo um clima de serenidade.

A estrutura inicial de tijolo e concreto possuía capacidade de carga limitada. A reforma do telhado e a inclusão de um mezanino demandaram uma reavaliação completa do sistema estrutural. Após longas deliberações com o engenheiro estrutural, optou-se pela solução mais econômica: fortalecer as paredes longitudinais e transversais principais, ampliando as sapatas corridas. As paredes originais de 240 milímetros de espessura foram reforçadas em ambos os lados com vergalhões e concreto projetado, atingindo 450 milímetros de espessura em paredes de cisalhamento compostas. Quase todas as demais paredes puderam ser removidas, liberando o interior de sua antiga e densa divisão.

Contudo, a parede de carga central norte-sul permaneceu intacta, sendo transformada no suporte para a circulação vertical. O elevador e a escada tornaram-se o ponto focal da casa, conforme descrito por Terunobu Fujimori. O novo núcleo estrutural ao redor do poço do elevador, junto com uma parede curta de pé-direito duplo na fachada sul, age como dois pilares que sustentam o telhado norte-sul, lembrando um guarda-chuva aberto. Este ato de 'sustentar o guarda-chuva' possibilitou que a fachada sul se abrisse quase totalmente em vidro. As outras fachadas, delimitadas por novas paredes externas reforçadas de 500 milímetros de espessura, receberam janelas recuadas e direcionadas para o interior.

Embora o volume geral do edifício tenha permanecido similar ao original, a composição externa foi simplificada em um núcleo bem definido, complementado por adições secundárias. As cores vermelho e amarelo, comuns na vizinhança, foram utilizadas para diferenciar esses elementos e criar uma fachada coesa. Um volume ausente no canto sudoeste do segundo pavimento foi substituído por uma parede inclinada, o que manteve a luz solar matinal dos vizinhos a oeste, ao mesmo tempo que gerou uma varanda semi-externa sob a copa das árvores.

Em termos de disposição espacial, os cômodos privados e as áreas de apoio com menor necessidade de luz natural foram alocados na parte norte, protegidos pelas paredes espessas. As áreas de convivência e atividades públicas ocupam os espaços mais iluminados ao sul. No térreo, a cozinha, sala de jantar e sala de estar estão localizadas perto das janelas. Painéis inclinados na junção entre paredes e teto criam uma cavidade triangular que esconde os sistemas mecânicos, dando aos tetos dobrados uma aparência de abóbadas distorcidas e reforçando a sensação de aconchego. Durante as refeições, as árvores externas mostram apenas seus troncos, simulando a sensação de habitar o interior de uma árvore.

O segundo pavimento acompanha perfeitamente o dossel das árvores, abrigando a área íntima da família atrás da pele de vidro de pé-direito total, onde ocorrem as atividades diárias sob as sombras das árvores. A suíte dos pais está localizada no mezanino do terceiro pavimento. No nível superior do espaço de pé-direito duplo, duas aberturas de janela se voltam para a área comum da família. A 'Casa do Guarda-Chuva' transcende o suporte estrutural; os pais também sustentam um guarda-chuva para seus filhos.

O conceito de 'sustentar um guarda-chuva' permitiu apoiar um grande barril inclinado em uma única direção, tornando-se o gesto central do projeto. Sob essa ação dinâmica, o sistema anterior de paredes estruturais foi rompido, e a casa, antes fechada, abriu-se para o sul, injetando vitalidade natural na vida cotidiana. Assim, o limite foi ativado, e o guardião não é quem se impõe sobre ele, mas sim o próprio limite quando ele é posto em funcionamento.

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