China realiza pouso inédito de foguete reutilizável em terra firme com o Zhuque-3
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China realiza pouso inédito de foguete reutilizável em terra firme com o Zhuque-3

A China alcançou um marco sem precedentes no setor de lançamentos espaciais ao recuperar, pela primeira vez em solo firme, o primeiro estágio de um foguete após completar um voo orbital. Este feito foi concretizado pelo Zhuque-3, um veículo desenvolvido pela companhia espacial privada chinesa LandSpace, durante um lançamento efetuado na Zona de Testes de Inovação Espacial Comercial de Dongfeng.

O lançamento ocorreu na quarta-feira, dia 19, seguindo o horário local da China, o que correspondeu à noite de terça-feira, dia 18, no Brasil. Após cumprir sua fase orbital, o primeiro estágio do foguete retornou à Terra e executou um pouso vertical sob controle na área designada para a recuperação, localizada em Minqin, na província de Gansu.

Este sucesso sinaliza um avanço significativo para o programa espacial comercial chinês e posiciona a LandSpace entre as entidades que comprovaram a capacidade prática de resgatar um estágio de foguete orbital em terra. O propósito dessa tecnologia é possibilitar a reutilização de partes do veículo em missões subsequentes, o que visa reduzir custos operacionais e aumentar a frequência dos lançamentos.

A LandSpace já vinha conduzindo testes específicos para desenvolver essa funcionalidade. Em janeiro de 2024, um veículo de teste equipado com o motor Tianque-12 realizou uma decolagem seguida de um pouso vertical após atingir aproximadamente 350 metros de altitude. Esse pouso ocorreu a cerca de 2,4 metros do ponto planejado, com uma velocidade de apenas 0,75 metro por segundo. Em setembro do mesmo ano, outro ensaio elevou a tecnologia a mais de dez quilômetros de altura, incluindo a desconexão e religamento do motor durante o voo.

O pouso bem-sucedido desta semana também constitui uma recuperação importante para a LandSpace, vinda de uma tentativa inicial infrutífera. O voo inaugural do Zhuque-3 ocorreu em dezembro de 2025. Nessa ocasião, o segundo estágio conseguiu colocar a carga em órbita, contudo, o primeiro estágio não concluiu a recuperação. O propulsor sofreu uma anomalia durante a fase final da tentativa de pouso e foi danificado. De acordo com informações divulgadas pela agência estatal chinesa Xinhua, houve uma combustão anormal durante o processo de recuperação.

Mesmo diante da falha, a primeira missão gerou dados cruciais para o aprimoramento do sistema. A LandSpace conseguiu analisar o comportamento da estrutura e da proteção térmica durante a reentrada, bem como o controle aerodinâmico e os mecanismos empregados para guiar o estágio durante a descida. A empresa também avaliou os algoritmos de navegação nas fases de reentrada e reinício dos motores. Dessa forma, apesar do primeiro pouso ter sido um fracasso, a missão auxiliou na identificação dos pontos que necessitavam de correção antes de uma nova tentativa.

É fundamental contextualizar o feito do Zhuque-3, visto que a China já havia conseguido recuperar um primeiro estágio de foguete orbital anteriormente. Em julho de 2026, o país recuperou o primeiro estágio de um Long March-10B após seu voo inaugural. A distinção reside no fato de que este estágio foi capturado por uma estrutura instalada em uma embarcação marítima, em vez de executar um pouso vertical sobre pernas.

Portanto, o Zhuque-3 representa uma nova fase nessa tecnologia: é o primeiro foguete chinês a realizar uma recuperação orbital em terra, com o primeiro estágio retornando de maneira controlada e pousando verticalmente. Essa diferença também é relevante porque a estratégia da LandSpace segue um conceito similar ao adotado pela SpaceX em seus foguetes Falcon 9. Em vez de descartar o primeiro estágio no oceano, o veículo utiliza seus próprios motores para diminuir a velocidade e retornar à superfície, onde pode ser recuperado e preparado para um novo voo.

Com isso, a China passa a empregar duas metodologias distintas para recuperar estágios de foguetes orbitais: a captura no mar, demonstrada pelo Long March-10B, e o pouso vertical em terra, agora comprovado pelo Zhuque-3. Essa tecnologia é vista como estratégica para o crescimento do setor espacial comercial chinês. O Zhuque-3 foi concebido para uma nova geração de veículos aptos a realizar lançamentos com menor custo, maior capacidade de carga e maior frequência.

A reutilização do primeiro estágio pode diminuir a quantidade de componentes que precisam ser produzidos para cada missão. Em vez de construir um propulsor novo para cada lançamento, a empresa pode recuperar, inspecionar e preparar o mesmo estágio para voos futuros. Este modelo foi popularizado pela SpaceX, que estabeleceu a recuperação e reutilização dos primeiros estágios do Falcon 9 como uma operação rotineira. A China busca desenvolver tecnologias próprias para competir neste segmento, tanto através de empresas estatais quanto de companhias privadas.

No caso específico do Zhuque-3, a LandSpace apostou em motores movidos a metano e oxigênio líquidos, uma combinação também utilizada pela SpaceX no sistema Starship. O foguete chinês possui uma capacidade projetada de transportar até 18,3 toneladas para a órbita baixa da Terra quando o primeiro estágio é recuperado. Contudo, o sucesso do pouso não implica que a China tenha atingido o mesmo patamar de maturidade operacional da SpaceX; o Zhuque-3 ainda se encontra em sua fase inicial de desenvolvimento e apenas demonstrou a recuperação orbital em terra pela primeira vez. No entanto, este resultado elimina uma das barreiras tecnológicas primárias para que a China comece a operar lançadores parcialmente reutilizáveis em escala comercial.

Espera-se que tecnologias deste tipo sejam aplicadas para expandir a capacidade chinesa de colocar satélites em órbita, especialmente enquanto o país trabalha na ampliação de grandes constelações de satélites de órbita baixa e no fortalecimento de seu setor espacial comercial.

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