O termo horologia refere-se ao estudo, à arte ou à ciência dos instrumentos de medição de tempo. Embora muitos associem o conceito à relojoaria, ele abrange tanto a oficina ou empresa fabricante quanto o local de reparo, manutenção e venda de relógios.
Quando se fala em alta relojoaria, o foco não está necessariamente em uma loja física, mas sim em um nível de complexidade mecânica extremamente elevado, acabamento artesanal e prestígio, características dominadas por marcas notáveis como TAG Heuer, Cartier, Breitling ou Rolex.
Inicialmente, o autor mantinha-se afastado do tema devido à percepção de exclusividade, acreditando que relógios com alma e história estavam fora de seu alcance financeiro, na faixa de dezenas de milhares de reais. Ele via a admiração por relógios como um ato fútil, especialmente considerando que a função básica de ver as horas poderia ser realizada com maior precisão em dispositivos móveis ou no painel de um carro.
Contudo, a mentalidade mudou. Até o início do ano passado, seu critério para relógios era puramente pragmático, considerando loucura gastar mais de R$ 300 em uma peça. Ele apreciava o Casio F-91W por ser um ícone indestrutível e barato, custando pouco mais de R$ 100 com bateria para quase uma década.
A mudança de perspectiva ocorreu quando decidiu melhorar sua imagem pessoal e aceitar o interesse por relógios. Após pesquisar e visitar lojas, ele superou sua barreira financeira e adquiriu um Orient automático (modelo 469SS083F, caixa de 38 mm e mostrador inspirado em instrumentos de aviação) por menos de R$ 1.000. Essa experiência revelou que a compra de um relógio transcende a mera função de indicar as horas.
No caso do Orient, o fascínio residiu em uma marca com forte presença no Brasil, vasta tradição, alta confiabilidade e excelente custo-benefício. O Orient serviu como sua introdução à relojoaria genuína, não à alta relojoaria inacessível, mas a peças de qualidade comprovada, com mecânica honesta e projetadas para durar décadas.
Essa lógica se assemelha à paixão por carros. O entusiasmo por engenharia e design não exige que se admire apenas o inatingível. Assim como um entusiasta de carros se encanta com o desempenho de um hot hatch, a engenharia de um esportivo antigo ou a essência de um Fusca bem regulado, apreciar relógios requer reconhecer o valor da microengenharia e da história, independentemente do preço.
Pensando nisso, e para demonstrar que é possível iniciar uma coleção com escolhas inteligentes e preços realistas, foram selecionados 10 relógios ideais para quem gosta de carros. A seleção é variada, abrangendo cronógrafos, quartzo, Meca-Quartz, automáticos e modelos de corda manual, todos mantidos na faixa de até R$ 5.000.
Adicionalmente, houve prioridade para peças disponíveis em relojoarias e e-commerces brasileiros, prontas para entrega ou sob encomenda, evitando dependência de importadoras, visto que os custos finais de importação podem elevar significativamente o preço anunciado.
Victorinox Fieldforce Sport Chrono (R$ 4.000-4.500)
O Victorinox Fieldforce Sport Chrono é apresentado como uma alternativa ao cronógrafo TAG Heuer Formula 1, que inicia em R$ 12.000 e pode chegar a R$ 20.000. Este modelo possui um design similar em caixa, bezel e mostrador.
A Victorinox é uma empresa suíça conhecida por suas facas e canivetes multifuncionais. Há mais de 35 anos, a marca entrou no setor de relógios, tornando-se respeitada e um primeiro passo para quem busca um relógio suíço autêntico. O Fieldforce Sport Chrono replica as funções do TAG Heuer, incluindo a escala de taquímetro, utilizando o calibre suíço Ronda 5030.D, um movimento de quartzo da linha Startech da Ronda, elogiado por possuir 13 rubis, ser reparável e oferecer precisão no layout clássico de três submostradores com data. Vale notar que a própria TAG Heuer utilizou o Ronda 5040.D, da mesma família, em sua linha Formula 1 a quartzo.
Com vidro de safira, o Victorinox Fieldforce Sport Chrono custa entre R$ 4.000 e R$ 4.500 nas principais lojas do país e é facilmente encontrado em sites confiáveis.
Citizen Promaster Tsuno Chrono Racer (R$ 4.500)
A Citizen é uma das marcas japonesas que ajudaram a popularizar relógios de qualidade no Brasil ao longo de mais de cinquenta anos. O Tsuno Racer apresenta a caixa bullhead, um design criado nos anos 70 para permitir que pilotos operassem o cronômetro usando luvas de corrida.
Seu grande diferencial é a estética de painel de instrumentos: o movimento solar Eco-Drive, montado à mão, exibe quatro submostradores, incluindo alarme, cronômetro de alta precisão e um indicador de reserva de energia que imita o ponteiro de combustível de um carro de corrida. Com 44,5 mm de diâmetro, ele possui um tamanho considerável.
