A proposta do Edifício Porfirio, desenvolvida pela equipe de projeto da ViGa Arquitectos, visa estabelecer uma presença clara na cidade já estabelecida, promovendo a densificação sem comprometer a identidade local. Situado a menos de cem metros do Parque Hundido, o projeto considera não só o valor ecológico de seu entorno imediato, mas também a memória histórica associada à extração de argila que originou o bairro de Noche Buena.
O conjunto arquitetônico é estruturado em torno de dois volumes verticais, os quais são conectados por uma base horizontal. Essa base une funções residenciais e comerciais, estabelecendo uma interação dinâmica com a via pública. O projeto transcende a ideia de ser um elemento isolado, funcionando como parte integrante do tecido urbano: a loja localizada no térreo possui acesso autônomo pela Avenida Porfirio Díaz, ampliando a vida comunitária, enquanto as áreas residenciais se elevam para garantir a privacidade dos moradores sem se desconectar do ambiente circundante.
Ao invés de seguir uma lógica padronizada, o PORFIRIO introduz variedade tipológica para atender às distintas maneiras de viver. São propostas duas configurações: uma unidade distribuída em dois níveis com terraço e outra em um único nível que conta com pátio. Um jardim interno serve para articular a circulação vertical entre os dois volumes e funciona como o centro ambiental do empreendimento.
A concepção arquitetônica baseia-se no conceito de corte, utilizando pés-direitos duplos, coberturas abobadadas e amplas aberturas. Estes elementos não são meros adornos formais, mas sim mecanismos projetados para otimizar a entrada de luz natural e fortalecer a conexão com o exterior. Na fachada, o projeto se abre tanto para a avenida quanto para as copas das árvores jacarandá, integrando a paisagem urbana como um componente ativo da moradia. A passagem entre o interior e o exterior é suavizada através do uso de varandas e múltiplas camadas de vegetação.
No aspecto dos materiais, o projeto prioriza a autenticidade construtiva. A escolha pelo tijolo aparente não só faz referência à história produtiva da região, como também assegura longevidade, baixa necessidade de manutenção e uma estética atemporal, o que se aplica também aos pisos e aos painéis de compensado utilizados nas paredes. Finalmente, a inclusão de uma obra de Ariel Rojo na área de acesso cria um elo lúdico com o espaço público e reforça a ligação do projeto com o parque vizinho, expandindo sua identidade para além dos limites do terreno.
