Projeto de interiores da Casa Damata por Melina Romano integra arquitetura e paisagem rural paulista
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Projeto de interiores da Casa Damata por Melina Romano integra arquitetura e paisagem rural paulista

O projeto de interiores realizado na Casa Damata, situada na área rural de Itatiba, no estado de São Paulo, foi concebido por Melina Romano. Este trabalho se baseia na arquitetura original de Otto Felix e no paisagismo de Daniel Nunes, visando fortalecer a conexão entre a moradia e o cenário natural ao seu redor.

A proposta busca estender para o interior da casa as características materiais e as referências construtivas típicas do contexto rural paulista. Isso é alcançado através da articulação de materiais, móveis, iluminação e peças de arte, criando uma linguagem fluida entre os espaços internos e externos.

Essa sensação de continuidade é notável na seleção de materiais que evocam a 'identidade regional'. A taipa de pilão, empregada nas paredes da varanda e das áreas de circulação, resgata um método construtivo historicamente usado nas fazendas do interior de São Paulo. Além disso, o piso feito de cacos de pedra São Tomé, um quartzito com propriedades térmicas proveniente de São Thomé das Letras, Minas Gerais, percorre o hall de entrada, as áreas de passagem e a varanda, garantindo uma transição ininterrupta entre o interior e o exterior.

A Sala da Pedra foi planejada tendo como ponto de partida a conservação de uma grande rocha já existente no terreno, integrando este elemento natural à arquitetura como parte essencial da vivência no imóvel.

A varanda atua como o centro de ligação entre a arquitetura e a paisagem, voltada tanto para a piscina quanto para o campo. Ela funciona como um espaço coberto destinado à convivência, lembrando o papel tradicional do alpendre em antigas propriedades rurais. Neste local, o sofá de linho e os bancos de madeira rústica auxiliam a estabelecer essa relação íntima com o ambiente externo.

Em relação aos detalhes do projeto, o mobiliário reforça os traços da identidade regional. A poltrona Kariri, criada por Neca Abrantes, oferece uma releitura de um modelo clássico utilizando o desfiamento da palha natural de buriti. Na mesa de jantar, os pendentes, feitos artesanalmente por Evanilce Souza, unem arquitetura e artesanato; suas formas e o uso de fibras naturais criam um diálogo visual com o desenho da cobertura, projetando um dos elementos arquitetônicos mais marcantes para dentro do espaço.

Nos cômodos internos, a escolha de acabamentos, móveis e obras de arte expande a linguagem material construída durante toda a residência. No home theater, as paredes revestidas com textura de taipa de pilão, material também visto nas áreas externas, cobrem a parte superior do ambiente, contrastando com a base clara e os móveis de tons suaves, o que evidencia a própria natureza dos elementos utilizados. Já na cozinha, a cor desempenha um papel estruturante importante. O piso e os revestimentos em tijolos cerâmicos em tons terrosos remetem às cozinhas tradicionais do interior paulista, reinterpretando essa referência em uma estética contemporânea.

Em conjunto, todos esses materiais e cores conferem a cada ambiente uma atmosfera distinta, mantendo, contudo, a unidade entre arquitetura, design de interiores e paisagem que permeia toda a casa.

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Como cenário da vida cotidiana, a casa é parte de uma experiência contínua, atuando como um organismo complexo e sutil que reage não apenas ao estilo de vida dos habitantes, mas também às paisagens circundantes. Após a apresentação de várias perspectivas e definições de figuras como Le Corbusier, Ernest Rogers e Lewis Mumford, o arquiteto argentino Eduardo Sacriste, em seu livro «Qué es la casa», enfatiza o papel da casa como reflexo do passado, dividindo o presente e iluminando o futuro.

No entanto, ao repensar o conceito de casa e aprofundar sua origem, pode-se argumentar que a casa como experiência é, em última análise, criada para ser habitada, e não apenas observada. Entre os diversos cenários naturais e a ampla gama de condições climáticas, o recente desenvolvimento de residências individuais por jovens escritórios argentinos une estudos sobre estilos de vida modernos através de respostas adaptativas às condições específicas de cada lote. Cada casa expressa uma conexão entre arquitetura e território, tornando-se um resultado direto de seu contexto.

Os projetos apresentados abaixo fazem parte de uma seleção de casas localizadas em diferentes regiões de Buenos Aires, Entre Ríos, Córdoba e Santa Fé. Estas casas são expostas na mostra «25 Casas Argentinas» no Museu de Arquitetura e Design (MARQ) em Buenos Aires até 25 de setembro de 2026. Coletivamente, elas representam um panorama diversificado da produção moderna no país, mas cada casa funciona como um laboratório de ideias, experiências e possibilidades para a nova geração de profissionais de arquitetura que buscam criar uma arquitetura enraizada em seu contexto, com sua própria linguagem de projeto distinta.

Nos arredores de Balcarce, a casa foi concebida como um dispositivo de contemplação: um grande telhado alinhado ao perfil das colinas cria uma nova geometria, permitindo a reinterpretação da paisagem. Estruturada por seis abóbadas de concreto contínuas, a estrutura forma uma faixa horizontal que interage com o perfil recortado das colinas, mediando as relações entre sol, vento e sombra. A vida se desenrola sob este plano estrutural, concebido como um percurso, onde os espaços se tornam pontos de aproximação ao telhado, à paisagem e ao pátio.

Os ventos fortes e constantes da região ditam muitas decisões de projeto. Graças à configuração das paredes entre as abóbadas e à presença das colinas, a casa transforma-se em um refúgio preciso — uma arquitetura que combina sombra, horizonte e uma série de jardins em um único gesto.

Localizada nas planícies pampeanas na província de Buenos Aires, esta casa foi projetada para acomodar vários cenários. Sua organização integrada, mas fragmentada em quatro módulos, permite separar funções e garantir o funcionamento independente de cada módulo de acordo com sua finalidade. A casa foi projetada para interagir com as condições existentes do terreno e expandir-se quando necessário, refletindo uma abordagem de baixo ou zero nível de serviço, que define a escolha de materiais para revestimentos internos e externos.

Apesar de estar localizada em uma região de altas temperaturas, a Casa La Escocesa opera de forma autônoma (off-grid) e requer um ar condicionado artificial mínimo durante o ano, utilizando várias estratégias de projeto bioclimático. O projeto é definido pela ventilação cruzada, proteção solar constante e iluminação natural, enquanto o pátio central oferece um local para contemplar a paisagem circundante aparentemente infinita.

Situada em Carilo, província de Buenos Aires, a casa foi concebida como um refúgio que utiliza de forma econômica os recursos locais. Durante o projeto, as conversas com os clientes focaram nos hábitos, sensações, desejos e preferências, em vez de questões comuns sobre número de quartos, área ou aparência do edifício. Os espaços e modos de uso foram intencionalmente projetados de forma menos rígida, garantindo maior flexibilidade ao longo do tempo e no uso da casa. Concebida como uma moradia informal, flexível e temporária, ela pode crescer e se transformar em uma habitação mais tradicional em sua organização, se necessário. Surgindo da interpretação de um determinado estilo de vida, ela aceita adaptações no curto, médio e longo prazo.

Simples à primeira vista, mas responsiva a exigências complexas e dinâmicas, a casa explora a estética moderna, ao mesmo tempo que introduz referências à história do local. Ela é projetada para maximizar os recursos materiais e humanos da região e pode evoluir de acordo com as necessidades de seus habitantes no momento em que as mudanças sociais superam a vida útil dos edifícios.

Em Villa Elise, a poucos metros do Parque Perreira, perto de La Plata, a Casa con Columnas é resultado de um jogo: um sistema aberto e indefinido, regulado por regras e elementos definidos. Através de múltiplas configurações, esse jogo composicional mantém a ordem entre suas partes. Elementos de concreto pré-moldado, dispostos em uma grade tridimensional, criam uma floresta abstrata de colunas, coexistindo com cercas definidas e temporárias.

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A inclinação natural do terreno está incluída no corte da casa, enquanto uma série de núcleos programáticos organiza o plano. Entre os volumes estruturais do espaço fluem e se entrelaçam, eliminando a necessidade de corredores e destacando esta área para encontros familiares.

Na margem do canal secundário Arroyo Martínez, em Villa Paranascito, Entre Ríos, o projeto está situado em uma elevação natural do terreno, o que garante condições de solo mais estáveis e proteção contra possíveis inundações. Localizado em uma paisagem insular baixa e sujeita a inundações, emoldurada por diques naturais, vegetação costeira e vias aquáticas que formam um sistema fluvial dinâmico, as soluções de projeto reagem intimamente à paisagem circundante.

Embora a longa galeria sirva como espaço de transição e ligação, organizando a casa, a residência emoldura a paisagem, criando vistas para o canal e campos vizinhos. O entorno torna-se parte da vida cotidiana e adquire importância central, integrando a paisagem à experiência espacial. Nascido do encanto do ecossistema do Delta do Paraná, o projeto alcança a coexistência com a paisagem através de sua localização, orientação e forma, enraizando-se na lógica do território, em vez de se impor a ele.

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O design da casa visa replicar a aparência das montanhas distantes através de uma composição geométrica sofisticada. Essa composição utiliza volumes idênticos dispostos com planos inclinados em diversas direções.

Galeria do Projeto

O escopo arquitetônico inicial previa uma casa com três quartos, estruturada em cinco módulos. Adicionalmente, foram incorporados mais três módulos autônomos, os quais oferecem acesso direto a partir do exterior, garantindo assim maior adaptabilidade funcional ao longo do tempo.

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Galeria do Projeto

O projeto foi apresentado com a descrição fornecida pela equipe de projeto. Mais detalhes sobre a obra podem ser acessados através da galeria do projeto.

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