Muitos pais enfrentam momentos difíceis na criação dos filhos, seja na correria matinal, nas despedidas na escola, nas negociações antes de dormir ou em súbitas explosões emocionais. No entanto, a especialista em coaching parental, Raquel Taiebi, acredita que esses momentos podem ser facilitados mudando a abordagem da reação, em vez de apenas corrigir o comportamento da criança.
Raquel Taiebi compartilha cinco princípios simples que as famílias podem incorporar ao dia a dia. Estas recomendações variam desde abraços longos até avisar sobre o término do tempo de uso de dispositivos eletrônicos, e muitas delas são apoiadas por pesquisas científicas.
Quando uma criança está chateada, a reação natural dos pais é frequentemente fazer perguntas, explicar a causa do problema ou tentar resolvê-lo imediatamente. Raquel aconselha começar com algo mais simples — abraçar a criança. Ela recomenda incluir abraços longos na rotina diária: de manhã, quando a criança acorda, após voltar da escola ou antes de dormir. Se a criança estiver sobrecarregada, pode-se dizer: 'Venha aqui, vamos nos dar um abraço apertado primeiro.'
Essa interação física ajuda a criança a se sentir segura o suficiente para se acalmar antes de discutir o que aconteceu. Um estudo da Universidade da Carolina do Norte mostrou que o afeto físico está ligado a níveis mais baixos de estresse e ao aumento do sentimento de bem-estar e conexão. Pesquisas sobre toques carinhosos também sugerem que isso pode influenciar a resposta do organismo ao estresse e fortalecer os laços sociais.
Para que a criança sinta uma conexão com o pai ou mãe, não é necessário uma hora de tempo individual contínuo. Em vez disso, recomenda-se focar em três momentos chave: os primeiros três minutos após acordar, os primeiros três minutos após uma longa pausa, como a escola, e os últimos três minutos antes de dormir. Pode ser apenas um abraço pela manhã, tempo juntos após as aulas ou ler uma história antes de dormir.
Em vez de perguntar imediatamente: 'Como foi a escola?', é melhor dizer: 'Senti sua falta hoje! Estou tão feliz em te ver'. Esta ideia baseia-se em estudos de apego, incluindo os trabalhos de Mary Ainsworth sobre apego seguro, que enfatizavam a importância de relacionamentos responsivos e consistentes com os cuidadores para garantir a segurança das crianças. Embora o estudo não estabeleça uma 'regra de nove minutos' cientificamente prescrita, ele apoia a ideia geral de que interações calorosas e responsivas em momentos cotidianos podem fortalecer o vínculo entre pais e filhos.
Para uma criança totalmente imersa em um desenho animado favorito, a equipe 'Desligue Agora' pode parecer o fim do mundo. Em vez disso, Raquel aconselha dar à criança um tempo para se preparar. Antes que o tempo de exibição termine ou que comece a hora de dormir, deve-se avisar: 'Mais dois minutos e depois terminamos'. Pode-se até oferecer uma escolha: 'Você quer desligar sozinho, ou eu?' O limite permanece inalterado, mas a criança tem a oportunidade de se preparar para ele.
Pesquisas sobre rotinas e transições previsíveis mostram que as crianças tendem a cooperar melhor quando sabem o que esperar. O aviso prévio torna as mudanças menos repentinas e ajuda as crianças a se prepararem emocionalmente. Uma janela exata de dois minutos é uma estratégia prática, e não uma regra científica universal.
Os pais precisam corrigir seus filhos, e isso faz parte da paternidade. No entanto, Raquel insiste que as correções não devem ser o único tipo de interação que a criança recebe. Sua regra é buscar cinco interações positivas para cada negativa. Isso pode se manifestar em elogios por um pequeno ato de bondade, risadas compartilhadas, brincadeiras, um abraço ou simplesmente expressar gratidão à criança.
Assim, depois da frase 'Não pule no sofá!', pode-se adicionar: 'Mas você pode pular no trampolim lá fora'. A proporção conhecida de 5:1 deriva de pesquisas do psicólogo John Gottman sobre relacionamentos adultos, onde ele descobriu que relacionamentos estáveis tinham significativamente mais interações positivas do que negativas. Embora o estudo original não tenha sido realizado com pais e filhos, este princípio é amplamente aplicado na criação como um lembrete da necessidade de equilibrar a correção com calor e encorajamento.
Às vezes, uma criança pode passar instantaneamente de uma felicidade total para um estado de extrema tristeza. Antes de considerar que ela está agindo de forma inadequada, pergunte-se: ela está com fome, zangada, solitária ou cansada? Quando foi a última vez que comeu? Dormiu o suficiente? Ela se sente excluída? Ou ela está simplesmente sobrecarregada?
Às vezes, um lanche, um abraço, um descanso ou um momento tranquilo juntos pode ter mais impacto do que outro aviso. Existem evidências que ligam a privação de sono à irritabilidade, explosões emocionais e dificuldades de regulação emocional em crianças. Estudos também investigaram como fatores como fome e baixo nível de glicose no sangue podem afetar o humor e o comportamento. O próprio framework H.A.L.T. é uma ferramenta prática, mas sua mensagem principal é simples: às vezes, o comportamento é um sinal de que alguma necessidade física ou emocional básica precisa de atenção.
No cerne de todas as cinco regras reside uma mudança simples: antes de reagir ao comportamento, pare e estabeleça contato com a criança por trás dele. Porque, às vezes, o que seu filho mais precisa não é outra instrução, mas um abraço, um pequeno aviso, um momento de confiança ou simplesmente um pai disposto a perguntar: 'O que realmente está acontecendo aqui?'
