Uma nova pesquisa realizada na África do Sul identificou como o assédio online afeta negativamente o desempenho acadêmico e o estado mental dos alunos do ensino médio.
De acordo com o estudo, quase dois terços dos adolescentes em escolas de elite sul-africanas são vítimas de cyberbullying — uma cultura destrutiva de perseguição online que mina diretamente sua concentração em sala de aula, saúde mental e conquistas educacionais.
Segundo o estudo inovador, publicado no South African Journal of Information Management, 63,9% dos alunos entrevistados em cinco escolas privadas do quinto quintil relataram envolvimento em violência digital. O Professor Daniel le Roux da Universidade de Stellenbosch e Camryn Twaddle da Artefact South Africa apresentaram esses resultados.
A situação não é passiva; 37,3% dos alunos atuavam simultaneamente como vítimas e agressores, enquanto 19,9% eram exclusivamente vítimas e 6,7% praticavam o bullying apenas contra outros. O nível de envolvimento foi praticamente igual entre meninas (65,1%) e meninos (62,6%), indicando um problema amplamente difundido no ambiente de educação média abastada.
A natureza da violência é predominantemente emocional, impulsiva e de baixa tecnologia, baseada em crueldade social imediata, e não em esquemas digitais complexos. Os adolescentes mais frequentemente relataram a disseminação não autorizada de informações pessoais, insultos ou o recebimento de mensagens humilhantes e dolorosas. Ações cuidadosamente planejadas, como sequestro de contas ou criação de sites falsos vergonhosos, foram menos frequentes.
Foram identificadas diferenças de gênero nos métodos de assédio: as meninas eram mais frequentemente alvo de boatos e insultos, enquanto os meninos ameaçavam diretamente ou distribuíam fotos e vídeos impróprios sem consentimento com muito mais frequência.
As mídias sociais servem como pano de fundo principal para esse assédio, com padrões de uso variando drasticamente dependendo do gênero. TikTok, Instagram e Snapchat foram identificados como principais centros de abuso, sendo o TikTok o que continha a gama mais ampla de atividades maliciosas, incluindo ameaças, boatos e publicação de vídeos humilhantes. O WhatsApp era usado principalmente para insultos e fofocas. As meninas preferiam TikTok, Instagram, Snapchat e WhatsApp, enquanto os jovens tendiam ao YouTube, Discord, Reddit e X.
É importante notar que o estudo mostra um pico de cyberbullying no início do ensino médio: três quartos dos alunos da 8ª série estão envolvidos em comparação com cerca de metade dos alunos da 13ª série. Os pesquisadores explicam essa vulnerabilidade aumentada dos alunos mais novos pela pressão combinada da adaptação ao ensino médio, acesso inicial às plataformas de mídia social e uso da agressão online para obter reconhecimento entre os colegas e ascender na hierarquia social.
Essa busca por status gera um paradoxo preocupante: a participação direta em cyberbullying correlaciona-se com um sentimento mais forte de pertencimento aos colegas, mesmo quando há danos sistemáticos ao bem-estar emocional dos alunos.
As consequências dessa hostilidade online para os estudos são sérias, diretas e muitas vezes passam despercebidas. As vítimas relatam uma diminuição na felicidade e menor persistência, o que leva diretamente à piora do desempenho em sala de aula. Da mesma forma, os agressores demonstram uma notável incapacidade de superar dificuldades acadêmicas, recorrendo frequentemente a táticas de evitação, como procrastinação ou ausência total nas aulas.
Em última análise, as conclusões demonstram uma profunda interconexão entre saúde emocional, interações online e sucesso acadêmico, exigindo que os educadores considerem o possível abuso digital sempre que um aluno enfrenta dificuldades de aprendizado.
