A Financial Times incluiu o Uzbequistão no grupo das novas 'potências médias menores', juntamente com o Cazaquistão e o Azerbaijão. Estes países estão a aumentar a sua influência regional graças à sua localização geográfica, à existência de rotas comerciais e à capacidade de negociar com vários centros de poder mundiais.
O especialista do Carnegie Russia Eurasia Center, Zaur Shiriyev, define as 'potências médias menores' como estados que, embora não moldem a agenda mundial, possuem influência significativa em certas áreas estratégicas. Shiriyev expôs este ponto de vista no seu artigo para a Financial Times.
Na opinião do especialista, este grupo de países evita escolher entre Rússia, China e potências ocidentais; em vez disso, desenvolve parcerias paralelamente com diferentes partes. Esta abordagem multivectorial confere-lhes maior liberdade para tomar decisões independentes e reduz o risco de dependência excessiva de qualquer grande estado.
Um fator chave para o crescimento da influência é o desenvolvimento da infraestrutura de transporte. O Cazaquistão e o Azerbaijão já participam ativamente no funcionamento do Corredor Central, que liga a Ásia e a Europa, contornando a Rússia. O Uzbequistão também está a integrar-se gradualmente nesta rota, o que lhe abre novas oportunidades para expandir o comércio externo.
Outra área importante é o corredor do Cáspio de energia verde. Azerbaijão, Cazaquistão e Uzbequistão estão a trabalhar na criação de infraestruturas que, no futuro, garantirão o fornecimento de energia renovável da Ásia Central para a Europa através do Azerbaijão.
O autor do artigo afirma que é incorreto considerar a Ásia Central exclusivamente como um palco de confronto entre Rússia, China e Ocidente. Uzbequistão, Cazaquistão e Azerbaijão interagem com a Rússia, China, Turquia, União Europeia e EUA, guiados principalmente pelos seus interesses económicos e políticos.
A influência destes estados, segundo a avaliação do especialista, deve-se não tanto ao seu poder militar ou económico, mas sim ao controlo sobre recursos críticos, artérias de transporte e capacidades diplomáticas. Consequentemente, torna-se cada vez mais difícil para os grandes atores mundiais concretizar os seus objetivos na região sem interagir com estes países.
Para o Uzbequistão, as vantagens adicionais incluem a população e a sua localização geográfica, o que permite ao país construir simultaneamente laços comerciais e diplomáticos com vários centros de poder e fortalecer o seu estatuto na Ásia Central.
Anteriormente, o presidente do Quirguistão, Sadyr Japarov, anunciou que, antes do início da construção da ferrovia China-Quirguistão-Uzbequistão, ele visitou pessoalmente Moscovo para discutir o projeto com Vladimir Putin. Segundo o líder quirguiz, após este encontro, a parte russa ofereceu apoio ao projeto, permitindo à China iniciar a sua implementação.