A vila de Dafeng, situada na periferia da área urbana central de Dongguan, possui uma rica história que remonta ao 31º ano do reinado de Shaoxing, durante a Dinastia Song do Sul (1161 d.C.). Ao longo dos séculos, essa comunidade acumulou um significativo patrimônio cultural.
Com o avanço da industrialização e da urbanização, a função das residências sofreu alterações. Inicialmente destinadas apenas ao uso familiar, elas passaram a conciliar moradia com atividades de aluguel. Essa transição alterou o desenho espacial, que deixou de focar apenas nas necessidades diárias da família para priorizar maior capacidade de ocupação visando o lucro. Este contexto gerou dois movimentos: muitos moradores demoliram suas casas antigas para erguer edifícios multifamiliares de poucos andares, e outros optaram por se mudar para apartamentos na cidade, deixando suas propriedades originais em estado de abandono, fazendo com que a paisagem tradicional da região lacustre de Lingnan fosse progressivamente perdida.
Em 2020, a vila de Dafeng deu início a um plano de desenvolvimento urbano global, impulsionando esforços de conservação e crescimento. Em 8 de dezembro de 2022, a Segunda Sessão Plenária do 13º Comitê Provincial de Guangdong do Partido Comunista da China aprovou medidas importantes, lançando oficialmente a implementação em larga escala do «Projeto de Desenvolvimento de Alta Qualidade para Centenas de Condados, Milhares de Cidades e Milhares de Vilas» no âmbito provincial. Posteriormente, em maio de 2023, a cidade de Dongguan emitiu uma ordem de mobilização para executar o projeto de maneira ampla, e em setembro do mesmo ano, uma conferência municipal foi realizada para detalhar as orientações de trabalho.
O projeto específico está localizado na vila de Dafeng. O edifício central é uma casa típica de dois pavimentos, construída em tijolos azuis e com telhado de duas águas, característico do estilo lacustre de Lingnan da década de 1960. Orientada de norte a sul, a edificação é ladeada por um riacho antigo ao norte e oferece vista para um lago ao sul. Adições feitas nas décadas de 1980 e 1990, localizadas a leste e ao sul da casa antiga, consistiam em estruturas de tijolos vermelhos de um único pavimento, destinadas a funções de suporte, como depósito, cozinha e banheiro. Por quase vinte anos, a casa esteve desocupada, apresentando um arranjo espacial interno e externo fechado, deteriorado e desorganizado. Seu caráter modesto e elegante foi obscurecido pelas construções multifamiliares vizinhas revestidas de azulejos. No canto sudeste do terreno, uma cânfora centenária funciona como um ponto de reunião sombreado para os residentes, espaço público que foi integrado ao nó do «Caminho da Vida» no mapa da vila de Dafeng.
A antiga residência, juntamente com os riachos, lagos, vielas e árvores centenárias, guarda memórias de infância do proprietário e seus laços afetivos vividos com a avó. Assim, o objetivo da reforma era transformar o local em um ponto de encontro para a família dispersa, permitindo honrar os ancestrais e reforçar os vínculos familiares. Em momentos de menor uso familiar, o espaço também pode sediar encontros comunitários e debates públicos com funcionários do comitê da vila e vizinhos.
A equipe de arquitetura do CM Design implementou uma estratégia de diálogo e justaposição entre o novo e o antigo, tanto na arquitetura quanto nos materiais. A casa original foi restaurada seguindo o princípio de «restaurar o antigo como ele era», mantendo a estrutura espacial inicial e o portal de entrada no canto noroeste do pátio. As vigas de madeira do segundo andar receberam tratamento anticorrosivo para restauração, telhas de argila danificadas foram trocadas, as paredes externas de tijolos azuis e os corrimãos de cimento foram limpos, e portas e janelas existentes foram replicadas e reparadas, evidenciando a simplicidade e a elegância da época. As paredes internas e a escada original foram pintadas para simular taipa, recuperando uma textura rústica e autêntica. O piso térreo utiliza os tradicionais tijolos vermelhos de Guangdong, conhecidos por sua resistência à umidade e serem antiderrapantes. Antigos móveis de madeira, armários e utensílios domésticos foram higienizados, restaurados e expostos ao lado de fotografias antigas. Os espaços habitacionais originais foram convertidos em um «Memorial de Memórias Familiares», complementado por fotografias, desenhos e maquetes do processo de projeto e construção da reforma.
A nova adição expande o complexo pelo lado leste da casa antiga. Sua estrutura primária é composta por uma ossatura leve de aço de dois pavimentos, cuja volumetria acompanha o telhado de duas águas da construção original. O fechamento externo emprega chapas onduladas galvanizadas, um material comum em vilas locais, conferindo uma estética moderna e minimalista, ao mesmo tempo que sublinha a relevância histórica do edifício antigo. Isso configura uma isomorfia heterogênea, onde o novo e o antigo coexistem lado a lado. O térreo abriga áreas de apoio, como cozinha, banheiro e lavanderia, enquanto o segundo pavimento foi concebido como uma sala de reuniões multifuncional ligada ao andar superior da casa antiga. Uma escada helicoidal metálica conecta os dois níveis.
As estruturas de tijolos vermelhos que haviam sido adicionadas ao longo da viela voltada para o lago ao sul e no lado oeste foram removidas. Esta intervenção serviu para revelar a casa antiga e acentuar sua identidade, além de liberar um pátio em formato «L» de alta qualidade espacial. Um novo acesso ao pátio foi criado no canto sudoeste, conectando a vista do lago ao futuro paisagismo do nó da árvore antiga do «Caminho da Vida». O piso e as paredes do pátio são revestidos com pedra vulcânica alongada, harmonizando com o tom dos tijolos azuis da casa antiga, resultando em uma estética integrada e simples. Integrando o espaço interno do pátio, a viela à beira-mar e a praça da árvore centenária, o topo do muro do pátio recebeu corrimãos de bambu-aço na altura dos olhos dos pedestres. Estes elementos, dispostos de maneira ordenada e parcialmente girados, estabelecem um limite permeável com efeitos alternados de presença e ausência.
Este projeto representa uma revitalização de cunho comunitário conduzida pela equipe do CM Design. Alinhado com as diretrizes públicas de fortalecimento de condados e valorização de vilas, o projeto atende ao desejo do proprietário de resgatar uma vida rural idealizada e recuperar memórias afetivas. Através desta exploração integrada à prática arquitetônica em vilas históricas da região lacustre de Lingnan, a equipe espera que o projeto funcione como um agente catalisador que respeite a cultura local, reative a identidade antiga do local e promova o rejuvenescimento gradual de toda a vila. O propósito final é a melhoria tangível da vida diária dos moradores, o estímulo à convivência comunitária e o restabelecimento do reconhecimento pela cultura arquitetônica das vilas tradicionais.
