O calor anormal representa um sério teste para o funcionamento dos sistemas de energia. Como os aparelhos de ar condicionado aumentam significativamente o consumo de eletricidade, as altas temperaturas criam simultaneamente cargas adicionais tanto nas próprias usinas quanto nas redes elétricas. No Uzbequistão, em 20 de julho, foi registrado um consumo diário recorde de 301,9 milhões de quilowatt-hora, e a carga máxima no sistema de energia atingiu 14,2 GW. Está sendo analisado como exatamente o calor extremo afeta diferentes tipos de geração, por que os blocos de energia podem reduzir a potência ou parar temporariamente nessas condições, e quais medidas estão sendo tomadas para adaptar a energia aos novos desafios de temperatura.
A principal razão para o aumento do consumo nos dias quentes é o crescimento da demanda por sistemas de resfriamento de ambientes. De acordo com dados da Agência Internacional de Energia, no período desde 2015, o consumo mundial de eletricidade destinado à climatização aumentou aproximadamente 50%. Atualmente, cerca de 10% do consumo anual total de eletricidade é dedicado ao resfriamento, mas a parcela desse consumo na carga de pico já atingiu cerca de 30%. Quanto maior a temperatura ambiente, maior é a carga sobre os aparelhos de ar condicionado e, consequentemente, maior é a demanda por eletricidade nas horas de pico.
Assim, o calor exerce um duplo efeito sobre o sistema de energia: por um lado, causa um aumento acentuado na demanda por energia e, por outro, deteriora as condições de trabalho para parte dos equipamentos de produção.
Como a alta temperatura afeta diferentes fontes de energia
O impacto do calor varia significativamente dependendo do tipo de geração utilizada. Por exemplo, turbinas a gás podem perder parte de sua potência potencial devido ao aquecimento do ar, pois o aumento da temperatura leva à diminuição da densidade do ar que entra na turbina. Simultaneamente, a eficiência dos painéis solares cai quando superaquecidos.
Linhas de transmissão e transformadores também estão sujeitos a uma carga térmica adicional. O aumento da temperatura limita a capacidade desses componentes de transmitir e distribuir eletricidade de forma eficiente, especialmente nos momentos de pico de demanda.
A energia hidrelétrica enfrenta riscos específicos, pois sua geração depende diretamente do nível da água nos rios e do suprimento de água nos reservatórios. Em uma análise do Global Energy Review 2026, a Agência Internacional de Energia aponta para uma redução na geração de energia hidrelétrica em várias regiões, incluindo Europa, América Central e América do Sul. Este déficit surgido precisou ser compensado, em muitos casos, pelo uso de combustíveis fósseis.
Grande atenção é dada à água usada para resfriar as usinas. Este sistema é crucial não apenas para usinas nucleares, mas também para usinas de carvão e para muitos blocos de energia a gás. Se uma usina utiliza água de um corpo d'água ou rio, a diminuição do nível dessa água ou seu superaquecimento pode levar à limitação da potência. Portanto, relatos de redução temporária de geração ou paralisação de blocos de energia individuais durante ondas de calor e baixa vazão nem sempre indicam um acidente ocorrido.
Razões para a parada temporária de um bloco de energia sem acidente
A Agência Internacional de Energia Atômica reconhece que condições climáticas e ambientais extremas podem servir como fatores que exigem a adoção de medidas de proteção, redução de potência ou parada temporária do bloco de energia. Por exemplo, se a temperatura da água de resfriamento se tornar muito alta, isso pode exigir a redução da potência da usina para cumprir as normas de temperatura estabelecidas. Em caso de baixa vazão, a diminuição do volume de água disponível também pode exigir a redução da potência ou a suspensão temporária das operações para manter a capacidade de resfriamento necessária e garantir reservas de segurança.
Isso implica que os parâmetros climáticos e hidrológicos devem ser considerados não apenas na fase de projeto da usina, mas também durante todo o período de operação e modernização. No entanto, a energia nuclear mantém o status de fonte de energia controlada. A Agência Internacional de Energia destaca que as usinas nucleares são capazes de fornecer geração em grande escala 24 horas por dia e servir como complemento às fontes de energia renovável.
Para sistemas de energia onde a participação da geração solar e eólica está em constante crescimento, isso tem um significado especial: as usinas nucleares garantem uma geração estável nos momentos em que a produção de energia em instalações solares e eólicas depende da hora do dia e das condições climáticas.
Preparação de usinas nucleares para clima quente
A capacidade de uma usina nuclear operar em condições de temperaturas extremas é determinada em grande parte pelo projeto específico e pelas características do local de construção. Alexey Likhachev, chefe da Rosatom, afirmou que os projetos russos são desenvolvidos inicialmente levando em consideração as características climáticas e naturais do local de construção. Ele observou que existem usinas nucleares do norte (Kola, Bilinskaya, flutuante), projetos para clima temperado, bem como usinas e projetos destinados a zonas quentes e áridas, como El Dabaa no Egito. Cada projeto é criado individualmente, com base nas condições locais — incluindo temperatura do ar, hidrologia, regimes de vento, características de abastecimento de água e atividade sísmica.
Um bom exemplo é a experiência da Usina Nuclear de Rostov. Segundo Likhachev, no verão, a temperatura do ar nesta região pode ultrapassar 40 graus. Após a entrada em operação plena dos novos blocos de energia, descobriu-se que nos períodos mais quentes, a temperatura da água técnica subia acima dos indicadores ideais. Para resolver esse problema, em 2021, um complexo adicional de torres de ventilação foi instalado. Essas torres funcionam em conjunto com o sistema de resfriamento principal e, em caso de calor intenso, intensificam forçadamente o processo de troca de calor, permitindo que o bloco de energia continue operando sem redução de potência e mantendo uma geração estável. Um complexo semelhante está atualmente em construção para outro bloco de energia.
Significado da situação para o Uzbequistão
Para o Uzbequistão, onde os picos de consumo de eletricidade no verão estabelecem regularmente novos recordes, a questão da estabilidade do sistema de energia diante do calor extremo adquire cada vez mais importância. A alta temperatura aumenta simultaneamente a carga em todo o sistema e impõe requisitos elevados ao funcionamento das capacidades de geração, redes e sistemas de resfriamento. Portanto, ao criar novos objetos de energia, é fundamental considerar não apenas sua potência nominal, mas também as condições climáticas reais do local, a disponibilidade de água e a capacidade do equipamento de funcionar durante o período de demanda máxima.
Ao mesmo tempo, o calor por si só não fornece uma resposta definitiva sobre qual tecnologia de produção de eletricidade é mais confiável. Mais precisamente, as temperaturas extremas demonstram o nível de preparação de uma usina específica e de todo o sistema de energia para operar sob carga máxima, bem como o grau de consideração dos riscos climáticos possíveis na fase de projeto inicial.
