Criador de Flappy Bird, jogo de grande sucesso, removeu o aplicativo após 22 horas
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Criador de Flappy Bird, jogo de grande sucesso, removeu o aplicativo após 22 horas

Em fevereiro de 2014, Flappy Bird alcançou o topo das lojas de aplicativos nos Estados Unidos e na China, acumulando mais de 90 milhões de downloads e gerando aproximadamente US$ 50 mil por dia com anúncios.

Neste auge, seu criador, Dong Nguyen, um cidadão vietnamita, tomou a decisão incomum de remover seu próprio jogo do mercado. Inicialmente, Flappy Bird começou como um projeto modesto, desenvolvido sozinho por Nguyen, então com 28 anos, em apenas três dias, sem prever o impacto global que teria.

A concepção do aplicativo era simples: guiar um pássaro entre tubos verdes, controlando-o com toques na tela para mantê-lo no ar. Lançado na App Store em maio de 2013, o jogo permaneceu pouco notado por meses, perdendo-se entre inúmeros lançamentos diários.

A visibilidade disparou em janeiro de 2014, impulsionada por um vídeo do youtuber PewDiePie jogando e expressando frustração com a dificuldade do Flappy Bird. Contudo, registros da época indicam que o aplicativo já estava subindo nas listas de mais baixados antes desse pico de menções nas redes sociais, sugerindo que o crescimento poderia ter começado internamente nas lojas, com o youtuber atuando mais como catalisador do que como causa primária.

Para Nguyen, essa súbita popularidade gerou um problema que ele não sabia como solucionar. No final da tarde de 8 de fevereiro de 2014, ele optou por resolver a questão publicando um aviso nas redes sociais, anunciando que Flappy Bird seria retirado do ar em 22 horas, pois não suportava mais a situação.

Ele cumpriu o prazo rigorosamente, e no domingo subsequente, o jogo sumiu tanto da App Store quanto do Google Play, privando milhões de usuários de um passatempo que muitos haviam adotado.

Essa remoção desencadeou uma onda de especulações, variando desde teorias dramáticas sobre uma possível ameaça legal da Nintendo devido aos tubos verdes semelhantes aos de Super Mario, até a hipótese mais simples de que o criador desejava retomar uma vida pacífica.

A saída abrupta criou um vácuo significativo. Em poucas horas, colecionadores começaram a competir por celulares com o jogo instalado; um iPhone 5s chegou a receber 74 lances no eBay, aproximando-se de US$ 100 mil, tudo por um dispositivo contendo um aplicativo gratuito.

Por outro lado, uma vasta comunidade de desenvolvedores viu nisso uma oportunidade rápida. Com um investimento de US$ 99 e cerca de três horas de trabalho, era possível criar um clone, com novos surgindo a cada 24 minutos na App Store, totalizando uma média de 60 lançamentos diários. Um desses clones, intitulado “Tiny Flying Drizzy” e ostentando a imagem do rapper Drake, chegou a figurar no primeiro lugar entre os aplicativos gratuitos mais baixados.

A razão real foi revelada em uma entrevista exclusiva concedida à Forbes, dias após a retirada do jogo, enquanto ele estava hospedado em um hotel em Hanói. Nguyen explicou que Flappy Bird foi concebido para ser jogado por curtos períodos, como um momento de descanso, mas que ele se transformou em um produto altamente viciante.

Ele foi enfático ao justificar sua decisão de removê-lo: “Acho que isso se tornou um problema. Pra resolver esse problema, o melhor é tirar o Flappy Bird do ar. Ele se foi para sempre.” Além disso, durante a mesma entrevista, ele refutou categoricamente a teoria da Nintendo, negando qualquer risco legal relacionado aos tubos verdes parecidos com os de Super Mario.

O reconhecimento da fama também agravou o quadro; ele confessou não conseguir mais dormir e que somente após a remoção do jogo sentiu alívio. Sobre os ganhos financeiros, ele evitou confirmar o valor exato, mas reconheceu que era substancial, sendo estimado pela imprensa da época em torno de US$ 50 mil por dia.

Apesar disso, ele afirmou sentir maior segurança e liberdade para seguir seus caminhos após o sucesso. A entrevista concluiu com um simples agradecimento: “muito obrigado por jogar meu jogo”.

Nos meses seguintes, Nguyen sinalizou diversas vezes a possibilidade de Flappy Bird retornar. Em fevereiro, logo após a exclusão, ele informou à BBC que cogitava ressuscitar o jogo. Em março, em resposta a um fã no Twitter, ele respondeu brevemente: “Sim. Mas não tão cedo”. Em maio, em outra entrevista à CNBC, ele prometeu uma versão renovada, incluindo modo multiplayer e, segundo ele, menos viciante que a original, embora nenhuma dessas promessas tenha se concretizado conforme descrito.

Dez anos depois, Flappy Bird reapareceu, mas sem a participação de Nguyen. Em 2024, após o registro da marca expirar, a empresa Gametech Holdings adquiriu os direitos e os vendeu para a Flappy Bird Foundation, associada a Michael Roberts, um estúdio focado em projetos Web3.

Pesquisadores localizaram páginas ocultas no site do relançamento que indicavam que o projeto envolvia criptomoedas. Havia um token próprio denominado “$FLAP”, que os jogadores obtinham ao jogar e podiam converter em dinheiro real.

Após sete anos ausente das redes, Nguyen reapareceu apenas para negar qualquer envolvimento, declarando: “Não tenho nada a ver com o jogo deles. Eu não vendi nada.” Ele reforçou ainda: “Também não apoio cripto.”

O jogo que ele tentou eliminar do cenário mundial retornou, agora sob a posse de um estúdio ligado a iniciativas Web3/cripto, sem sua autorização ou qualquer compensação financeira. Flappy Bird sobreviveu ao seu criador; Nguyen buscou apagá-lo em 2014 alegando que o jogo havia se tornado excessivo, mas ele ressurgiu uma década depois, em um formato totalmente inesperado, atrelado a tokens e promessas de lucro.

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