Funcionários da Cidade do Cabo negaram qualquer ligação entre a poluição da Laguna Milnerton e a recente morte em massa de sardinhas ao longo da costa do Cabo Ocidental.
Nas últimas semanas, uma vasta área da linha costeira, desde a Baía de Saldanha até Cape Agulhas no Cabo Sul, testemunhou o descarte de sardinhas mortas e morrendo na praia. Sardinhas também foram observadas nas praias de Silverstrand, na área de Milnerton e Camps Bay, em Cidade do Cabo.
As observações na área de Milnerton levantaram questões sobre uma possível conexão das mortes com preocupações antigas sobre a poluição da Laguna Milnerton e do estuário do Rio Deep. No entanto, a Cidade rejeitou qualquer tal relação.
Eddie Andrews, vice-prefeito e membro do Comitê da Prefeitura de Planejamento Espacial e Meio Ambiente, declarou: «Queremos assegurar aos residentes que este fenômeno não tem nada a ver com a Laguna Milnerton. As sardinhas não vivem na Laguna Milnerton, nem no estuário; são peixes oceânicos».
Ele acrescentou que o Departamento Nacional de Florestas, Pesca e Meio Ambiente (DFFE) está investigando as causas da mortalidade das sardinhas ao longo do Cabo Ocidental e acompanhará os resultados dessa investigação.
A Cidade confirmou ter recebido relatos de sardinhas mortas em vários locais do Cabo Ocidental, mas observou que esses casos fazem parte de um evento mais amplo de morte em massa de sardinhas ao longo de toda a costa.
Enquanto isso, o DFFE informou que a sequenciação laboratorial detectou material genético do herpesvírus da sardinha, ou PHV, em sardinhas coletadas nas áreas afetadas. No entanto, os cientistas ainda não concluíram que o vírus por si só foi a causa das mortes.
O PHV foi encontrado tanto em sardinhas mortas quanto em baixas concentrações em algumas sardinhas aparentemente saudáveis coletadas no Cabo Ocidental. De acordo com o departamento, isso sugere que a presença do vírus por si só pode ser insuficiente para provocar uma morte em massa.
Portanto, os cientistas também estão estudando se um estressor ambiental, incluindo algas nocivas, baixo nível de oxigênio ou condições oceanográficas incomuns, poderia ter provocado ou exacerbado essa morte. O departamento enfatizou que isso permanece uma hipótese que requer evidências adicionais.
Foram realizados testes de toxinas em sardinhas coletadas na Baía de Saldanha, Cape Kannon e Gansbaai, bem como uma amostra de controle de peixes aparentemente saudáveis da Baía de St Helena. Não foi detectada toxina paralítica associada ao florescimento de algas nocivas na Baía de Saldanha. Outros dois tipos de toxinas de algas, ácido domoico e saxitoxina, foram encontrados em baixas concentrações, sendo os níveis mais altos encontrados na amostra de controle que parecia saudável.
Esses resultados indicam que as toxinas testadas provavelmente não foram a causa principal da morte das sardinhas, embora algas nocivas e outras condições ambientais não sejam totalmente excluídas como fatores contribuintes.
Anteriormente, o PHV não havia sido registrado em sardinhas sul-africanas. No entanto, o público foi fortemente aconselhado a não coletar nem consumir peixe morto ou morrendo. A cidade também emitiu um aviso semelhante para os residentes, especialmente para aqueles que passeiam com cães nas praias afetadas.
Andrews lembrou: «Gostaríamos de lembrar aos residentes para não permitir que seus animais de estimação consumam vida marinha ou objetos não identificados encontrados na praia em geral, e também não mover ou descartar peixes por conta própria se os avistarem».
O DFFE realizou uma reunião urgente com partes interessadas da indústria de pesca pelágica pequena e planeja criar um grupo de trabalho com a participação do departamento, da indústria e de outras partes relevantes. Além disso, o monitoramento de doenças está sendo expandido ao longo das costas Oeste, Sul e Leste enquanto as pesquisas patológicas e ambientais continuam.



