Vida de safári, conforto e conexão na Fazenda Caiman no Pantanal
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Vida de safári, conforto e conexão na Fazenda Caiman no Pantanal

A experiência de vivenciar dias de safári, conforto e conexão na Fazenda Caiman no Pantanal foi marcada por momentos inesquecíveis, como o avistamento de uma onça-parda atravessando a estrada durante um passeio de safári.

Este grande felino americano, conhecido também como suçuarana, é notavelmente mais discreto que a onça-pintada, sendo mais tímido e, consequentemente, mais difícil de ser visto. O encontro com o animal, em plena luz do dia e tão próximo ao veículo, foi considerado um grande golpe de sorte.

A autora relata que, após essa primeira viagem em 2020, retornou diversas vezes ao Pantanal, sendo surpreendida em cada visita. Ela compara a experiência à máxima de Heráclito, afirmando que "nenhum homem entra duas vezes no mesmo rio, porque, na segunda, o homem já não é mais o mesmo, nem o rio".

O Pantanal é descrito como um exemplo de impermanência em estado selvagem, preservado em uma reserva que combina a imensidão da natureza com uma infraestrutura bem cuidada, como a oferecida pela Caiman. Atualmente, a fazenda abrange quase 53 mil hectares no sul de Mato Grosso do Sul, integrando conservação, ecoturismo e pecuária extensiva, além de oferecer serviços de hotelaria de alta qualidade.

A história da Caiman começou com Roberto Klabin, um empresário e ambientalista que frequentava o Pantanal desde a infância. Em 1985, quando o ecoturismo ainda era incipiente na região, ele iniciou a transformação da fazenda familiar no que é a Caiman hoje.

Estrutura e acomodações da Fazenda Caiman

Durante a estadia, a autora hospedou-se na Casa Caiman, a sede principal da propriedade. Existem também duas opções mais isoladas: a Villa Baiazinha e a Villa Cordilheira.

A Casa Caiman, recentemente reformada, dispõe de 18 suítes com varanda. Seus ambientes são caracterizados por um conforto elevado e decoração que reflete a cultura local e a paisagem circundante. A culinária também valoriza o Pantanal, utilizando ingredientes regionais, produtos da própria fazenda e de pequenos fornecedores locais.

Os momentos de lazer incluem drinks apreciados à beira da piscina da sede, com vista para a Baiazinha, uma lagoa permanente que atrai diversas aves. A academia e a sauna também oferecem vistas privilegiadas, permitindo observar a mudança da luz sobre a água da lagoa e as aves no céu.

A Villa Baiazinha é uma opção menor e mais reservada, contando com seis suítes para até 12 hóspedes. Ela oferece varandas, redes, piscina com deck e uma sala totalmente envidraçada voltada para a paisagem. Funcionando de maneira privada, com carro e guias exclusivos, ela proporciona maior liberdade nos horários, ideal para grupos de amigos ou famílias.

Uma adição recente à Caiman é a Villa Cordilheira, que foi reformada e comporta até 16 pessoas. Esta acomodação está suspensa sobre a mata de cordilheira, possuindo sete bangalôs de 70m² equipados com varanda, piscina de borda infinita, sala de ginástica, bar e uma espaçosa sala de convívio. A decoração segue o padrão Caiman e recebeu toques da decoradora Claudia Gelpi, com atendimento exclusivo de guias e carros privados.

Rotinas de Safári e Observação da Fauna

Os passeios, incluindo cavalgadas e remadas, seguem o ritmo natural do Pantanal. Os veículos de safári costumam sair pela manhã, geralmente às cinco e meia, e novamente à tarde, por volta das três horas.

Essa programação respeita a lógica da fauna: nas primeiras horas do dia, quando a temperatura é mais amena, os animais estão mais ativos. Conforme o calor aumenta, parte da vida selvagem busca refúgio em áreas mais protegidas, e no final da tarde, a atividade retorna.

Os momentos iniciais são marcados pelo silêncio, que é gradualmente preenchido por cantos isolados e, posteriormente, pelas aves. Ao amanhecer, o céu exibe cores vibrantes — laranja, amarelo, dourado e azul —, proporcionando uma perspectiva única sobre as escalas do Pantanal.

Por volta das dez horas, os carros retornam à sede para o café da manhã completo. Após esse momento, os hóspedes podem descansar, ler ou praticar exercícios com vista para a Baiazinha. A autora recorda-se de um momento especial nessa viagem, lendo enquanto um casal de araras-azuis vocalizava perto da piscina.

O almoço é servido ao meio-dia, sendo um momento tranquilo para os hóspedes socializarem e compartilharem as descobertas da manhã, pois a próxima saída não ocorre até as três da tarde.

Assim como na África, o Pantanal possui seus animais mais procurados por observadores: onça-pintada, tamanduá-bandeira, anta, cervo-do-pantanal e capivara. Além destes, há veados-campeiros, queixadas, onças-pardas, jacarés, aves, peixes, raposas-do-campo, macacos e borboletas.

A flora também é notável, com palmeiras de acuri e carandá, cambarás e piúvas que podem atingir 20 metros de altura. Durante a estação seca, muitas plantas perdem as folhas e florescem em tons de rosa e roxo, adicionando manchas de cor à paisagem verde.

A imprevisibilidade é o que torna cada passeio único. Tuiuiús e jacarés são vistos com frequência, mas sempre causam impacto. Os jacarés, mesmo presentes constantemente, são observados em diferentes estados, seja imóveis tomando sol, com apenas os olhos visíveis, ou com a boca aberta para regular a temperatura corporal.

O Projeto Arara Azul, fundado em 1990 pela bióloga Neiva Guedes, é referência no estudo e conservação da arara-azul-grande no Pantanal. Na Caiman, os visitantes interagem com os animais em seu próprio ambiente. As onças, monitoradas pelo projeto Onçafari, passam por um processo de habituação aos veículos. Durante as excursões, a equipe do projeto acompanha onças conhecidas há anos, muitas delas nomeadas e com histórico documentado pelos pesquisadores.

A coexistência entre pecuária e vida selvagem apresenta desafios, como o fato de as onças ocasionalmente predarem o gado da própria fazenda. Foi relatado um episódio fascinante onde uma fêmea conhecida apresentava comportamentos de acasalamento repetidos com machos diferentes, o que os pesquisadores interpretaram como uma estratégia para manter os machos ocupados e afastados da cria.

Ciclo das Águas e Estações do Pantanal

As estações no Pantanal não são definidas por verão, primavera, outono e inverno, mas sim pelo ciclo das águas. Geralmente, a cheia ocorre de dezembro a março; a vazante, de abril a junho; a seca, de julho a outubro; e o período de chuvas, de outubro a dezembro.

Durante a CHEIA, o transbordamento dos rios alaga vastas áreas da planície, transformando a paisagem e aumentando a presença de aves aquáticas, como tuiuiús, cabeças-secas, patos, marrecos e garças.

Na VAZANTE, o nível da água baixa gradualmente, fazendo com que áreas antes inundadas reapareçam. Com a retração da água, mamíferos como queixadas, catetos, cervos-do-pantanal e macacos voltam a ser vistos com mais frequência.

A ESTAÇÃO SECA concentra os animais em torno das fontes de água restantes, facilitando a observação da vida selvagem. É também o período em que as piúvas, os ipês-rosas, florescem, alterando drasticamente a cor da paisagem.

O período de CHUVAS marca o início das precipitações e o renascimento do verde. Embora a avistagem de mamíferos seja menos comum, grupos de aves cruzam o céu, estando muitas espécies em fase reprodutiva.

Experiências Adicionais na Propriedade

Além dos passeios de carro, é possível explorar a região a cavalo. Em uma das últimas estadias, a autora montou um cavalo pantaneiro, cruzando pontes de madeira e passando por campos onde o gado convivia com garças e cervos. Essa perspectiva mudou sua percepção do Pantanal, intensificando os sons e o aroma da mata.

Em uma clareira, encontrou um cenário acolhedor com redes coloridas e almofadas. Sobre uma mesa de madeira havia tereré, castanhas de baru, frutas e farofa com carne-seca, sabores típicos da cultura e rotina do campo pantaneiro. Posteriormente, descansou em uma rede, observando as copas das árvores contra o céu.

A Caiman possui lagoas e baías, sendo parte de sua área banhada pelo córrego Agachi, localizada entre os rios Miranda e Aquidauana. Em uma tarde, realizou um passeio contemplativo em canoa canadense pela baía, onde a água espelhava o céu, passando por baixo da Ponte do Paizinho, um marco da propriedade.

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