Suposição infundada de que o fundo resolverá o problema leva a perdas financeiras dos aposentados
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Suposição infundada de que o fundo resolverá o problema leva a perdas financeiras dos aposentados

Ao longo de mais de três décadas de consultoria para fundos de pensão, o autor encontrou inúmeras famílias enlutadas que repetiram a mesma frase: «Nós supunhamos que o fundo simplesmente pagaria os fundos».

No entanto, isso raramente acontece sem problemas, e as estatísticas da Autoridade de Fundos de Pensão (OPFA) demonstram cada vez mais o perigo dessa suposição. O autor enfatiza, no entanto, que isso não é uma crítica a toda a indústria de fundos de pensão; a maioria dos gestores fiduciários, administradores e seguradoras cumpre seus deveres adequadamente na maior parte do tempo.

Ainda assim, para uma família em uma situação estatística desfavorável, a frase «na maior parte do tempo» não traz conforto. A prática do autor lida diariamente com famílias que esperam por meses um benefício de morte por razões fora de seu controle, processam uma seguradora que violou silenciosamente seus próprios prazos ou tentam entender um extrato de benefício escrito em linguagem jurídica complexa. É precisamente porque o sistema funciona bem na maior parte do tempo que o membro do fundo diminui a vigilância, e é aí que surgem as falhas.

Exemplos de erros relacionados à documentação

Várias decisões recentes relacionadas à OPFA e ao Tribunal de Serviços Financeiros ilustram diferentes maneiras pelas quais esses problemas surgem, e nenhuma delas está relacionada à negligência do membro do fundo.

O caso mais revelador recente envolveu o Fundo de Previdência BECSA. O juiz de previdência Lebogan Mogashoa ordenou a suspensão do pagamento do benefício de morte no valor de 2,07 milhões de randes depois que uma mulher que se apresentou como parceira do falecido admitiu em depoimento nunca tê-lo conhecido. Ela estava convencida por um amigo a apresentar um pedido falso de parte dos fundos.

O fundo aceitou sua declaração juramentada, confirmada por uma segunda declaração juramentada do «locador e amigo», sem verificar nenhuma delas por conta própria. Mogashoa determinou que o conselho de administração não cumpriu seu dever legal sob a Seção 37C da Lei de Fundos de Pensão, de investigar adequadamente a dependência, e ordenou um novo pagamento com base nas evidências.

Vale ressaltar que o mesmo fundo subpagou a família real do falecido em mais de 325.000 randes, e essa deficiência só foi corrigida após pressão repetida da família e contato direto com a SARS.

Quando o fundo erra nos cálculos, e não o beneficiário

Nem todos os casos estão relacionados a fraudes. Em uma decisão proferida pelo vice-juiz de previdência Nahim Essop, o Fundo de Previdência e Seguro de Vida ZF da África do Sul foi instruído a recalcular o benefício do aposentado, pois o fundo aplicou um método de capitalização não sancionado por seus próprios regulamentos, o que levou à redução do benefício, que deveria ser superior a 1,3 milhão de randes por ano. O aposentado trabalhou para o empregador desde 1995.

A conclusão de Essop baseou-se no princípio que todo membro do fundo deve entender: a conveniência contábil do fundo não anula a interpretação literal de seus próprios regulamentos registrados. Os membros têm direito ao que os regulamentos prometem, e não ao que é administrativamente mais simples de pagar.

Investigação adequada, resultado controverso — mas fundamentado

Em contraste com o caso BECSA, considere uma decisão recente envolvendo o Corporate Selection Umbrella Retirement Fund, onde uma irmã contestava a decisão do fundo de alocar 45% do benefício de morte de 8,3 milhões de randes para o parceiro de longo prazo de seu irmão falecido. O juiz apoiou a alocação do fundo — não porque fosse favorável ao parceiro, mas porque o fundo verificou efetivamente a declaração de coabitação com provas antes de tomar a decisão.

A lição aqui é o oposto: o processo adequado protege a decisão do fundo, mesmo que a família não concorde com ela.

Mesmo conclusões fundamentadas contra o fundo podem exigir uma segunda rodada

O caso Ninety-One Retirement Annuity Fund mostra quão iterativo pode ser esse processo. O fundo inicialmente concedeu o benefício total de 2,64 milhões de randes ao parceiro do falecido, que morava com ele há quase duas décadas. No entanto, o juiz anulou essa decisão após uma reclamação da irmã do falecido, que alegou também ser financeiramente dependente e que não havia sido devidamente investigada. Após uma nova revisão, o fundo conduziu uma nova investigação e dividiu o benefício na proporção de 60/40. Foi necessário duas rodadas e cerca de dezoito meses para alcançar um resultado justo — tempo que uma família enlutada não deveria gastar lutando contra um processo que deveria ter sido correto desde o início.

Disputas causadas pelo sistema de dois «baldes»

Desde a introdução do sistema de provisão de pensão de dois «baldes», tem havido um aumento no número de reclamações sobre a aplicação incorreta das regras de saque pelos fundos. Em um caso recente, Essop ordenou que o Municipal Employees Pension Fund concedesse ao membro acesso ao benefício de saque de poupança depois de descobrir que o fundo havia aplicado incorretamente suas próprias regras.

Isso serve de lembrete de que até mesmo os fundos bem estabelecidos ainda estão se adaptando ao sistema relativamente novo, e os membros que sacam fundos dentro do sistema de dois «baldes» não devem presumir que a primeira resposta obtida através do call center é a correta.

Semelhanças desses casos

Nenhum desses membros cometeu erros. Eles contribuíram diligentemente, às vezes por décadas. O problema residia inteiramente do outro lado da mesa: uma declaração juramentada aceita cegamente, uma regra aplicada incorretamente, uma investigação omitida ou uma incompreensão do novo sistema.

O problema comum é a suposição — por parte do fundo, e não do membro do fundo — de que o caminho mais fácil é o correto.

É por isso que a existência da OPFA é tão importante quanto sua própria existência. É um canal gratuito, que não requer representação legal, que repetidamente corrigiu injustiças financeiras reais para famílias comuns que, de outra forma, não teriam recursos reais para contestar a decisão do fundo. Os membros devem saber sobre sua existência antes de precisarem dela, e não descobri-la em uma situação de crise.

O procedimento legal consiste em apresentar uma reclamação por escrito ao fundo e, em seguida, escalá-la para a OPFA após 30 dias, se o problema não for resolvido. Este é um direito que todo membro que contribui já possui.

Para os membros e suas famílias, a resposta prática a tudo isso não é paranoia, mas diligência: solicite um extrato anual de benefícios e conteste-o se não for recebido; mantenha atualizado o formulário de nomeação de beneficiário; entenda em linhas gerais como seu benefício é calculado; e se o pagamento parecer atrasado, reduzido ou incorretamente distribuído, expresse sua preocupação por escrito e escale-a.

Para os gestores fiduciários e administradores, a resposta é igualmente clara: a declaração juramentada é um ponto de partida para a investigação, e não um substituto para ela, e os próprios regulamentos do fundo, e não a conveniência administrativa, são o veredito final sobre o que o membro tem direito.

A próxima família que vier aos nossos escritórios com uma pergunta sobre a duração da análise de sua reivindicação merece um sistema que fizesse tudo certo desde o início. Até que isso se torne a norma e não a exceção, a suposição de que «o fundo resolverá o problema» permanece uma suposição que os sul-africanos não podem pagar.

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