Em uma sala de aula estadual em Tamil Nadu, uma jovem menina senta-se em uma carteira, inclinando a cabeça com concentração. Seus dedos deslizam lentamente sobre um mapa em relevo colocado à sua frente, contornando suas linhas curvas, bordas e fronteiras. Ela ouviu histórias dos professores sobre Tamil Nadu, e agora a forma do estado assume contornos sob seus dedos. Ela é capaz de traçar o contorno do estado e delinear sua linha costeira com suas próprias mãos.
Para crianças com deficiência visual, como ela, este momento pode ser decisivo entre memorizar uma descrição e realmente compreender a essência. O mapa se transforma em um objeto que pode ser explorado; a fruta tem uma forma reconhecível; e o diagrama científico torna-se algo que pode ser rastreado e memorizado pelos dedos.
Em todo o Tamil Nadu, materiais didáticos táteis estão sendo implementados em escolas estaduais para alunos com baixa visão. Mapas em relevo, modelos de frutas, diagramas científicos e livros táteis Braille ajudam as crianças a absorver conceitos que por muito tempo dependiam exclusivamente de descrições verbais, repetição e memória.
Por trás desses materiais está a Tactile Braille India, sediada em Coimbatore e fundada por Prabhu. Esta organização firmou um memorando com o governo de Tamil Nadu para fornecer esses recursos educacionais táteis às escolas estaduais para alunos com baixa visão. Atualmente, os materiais foram entregues em 10 escolas estaduais em 10 distritos de Tamil Nadu, abrangendo cerca de 354 alunos.
O trabalho de Prabhu começou com uma questão que não o deixava em paz: como tornar conceitos originalmente destinados à percepção visual acessíveis através do tato? Prabhu veio para esta atividade de uma área distante da educação. Ele cresceu em uma família de agricultores, cercado pela terra, trabalho árduo e recursos limitados.
Após obter um diploma em comércio, ele começou a trabalhar com conteúdo digital e visual, lidando com gráficos 2D e 3D, HTML, design web e desenvolvimento de plataformas educacionais. Essa experiência o ensinou a pensar sobre como a informação pode ser transmitida visual e digitalmente, o que mais tarde se mostrou relevante para uma tarefa completamente diferente — transformar conceitos visuais em formas compreensíveis para alunos com baixa visão através do toque.
Foi nesse período que ele encontrou Braille pela primeira vez e começou a refletir sobre seus potenciais e limitações. Prabhu recorda: «Eu percebi que os alunos com baixa visão estudavam apenas palavras e números. Eles podiam ler texto, mas não tinham como entender formas, mapas ou diagramas. Geografia, ciência, até objetos simples — tudo era abstrato».
Essa percepção permaneceu com ele. Se as crianças videntes podem olhar para um mapa, diagrama ou forma e formar uma ideia dela, Prabhu se perguntava como tornar os mesmos conceitos acessíveis para crianças que aprendem pelo tato. Em 2011, ele começou a estudar sistemas de educação tátil aplicados na Índia e na Europa. Ele aprendeu como linhas em relevo podem representar informações visuais, como texturas podem explicar geografia e biologia, e como objetos cotidianos podem ser traduzidos em formas táteis.
Em 2017, ele começou a trabalhar com materiais didáticos baseados em Braille, usando métodos tradicionais. Depois, em 2023, expandiu esse trabalho para o ensino tátil e lançou uma empresa chamada Tactile Braille India. Seu foco se expandiu, incluindo mapas táteis, diagramas, modelos e outros materiais didáticos que permitem que alunos com baixa visão compreendam conceitos através do toque.
Ao longo dos anos, Prabhu importou equipamentos especializados, experimentou com materiais e trabalhou em livros táteis Braille, mapas em relevo, modelos de frutas e diagramas científicos. Ele afirma: «Braille ensina palavras. Mas os gráficos táteis ensinam o mundo».
A criação desses materiais gerou outro problema — o custo. Prabhu observa que até mesmo um livro Braille vazio pode custar cerca de 3000 rúpias, e as máquinas de impressão tátil são importações caras. Para escolas com recursos limitados, isso pode dificultar o acesso a materiais didáticos especializados.
Prabhu explica: «Eu não queria que o custo fosse mais uma barreira. Se esses materiais fossem muito caros, as escolas nunca poderiam usá-los». Ele começou a importar papel especial por conta própria, realizando a impressão dentro da empresa e cobrindo grande parte dos custos de produção. Hoje, através da Tactile Braille India, ele fornece ao governo de Tamil Nadu, a um preço reduzido, livros táteis Braille com mapas e diagramas científicos, bem como modelos didáticos.
Ele enfatiza: «Todo o meu tempo, meus esforços — eu faço isso para que as crianças cegas possam aprender por conta própria, sem depender de ninguém. Para mim, isso nunca foi uma questão de negócios. Se as crianças cegas podem aprender sozinhas, isso é felicidade em si».
Prabhu também aponta para um problema mais amplo que impulsiona seu trabalho. Ele diz: «Apenas cerca de 25% a 30% dos alunos com baixa visão na Índia têm acesso significativo à educação. Eu quero que esse número aumente».
O trabalho se espalhou além de Tamil Nadu. Prabhu fornecia livros modelo táteis e materiais didáticos através de organizações que trabalham com alunos com baixa visão em cerca de outros 11 estados, incluindo Uttar Pradesh, Karnataka, Kerala, Andhra Pradesh, Delhi, Madhya Pradesh, Odisha e Maharashtra. Por meio dessas redes, os materiais chegaram a aproximadamente 1250 alunos fora de Tamil Nadu.
Em seu estado natal, o memorando com o governo de Tamil Nadu garantiu o fornecimento de materiais para escolas estaduais para alunos com baixa visão. Segundo Prabhu, as ferramentas educacionais táteis também estão sendo integradas ao currículo oficial, fornecendo aos alunos uma maneira adicional de interagir com assuntos fortemente dependentes de conceitos visuais.
A diferença é mais fácil de entender na Escola Estadual para Cegos de Pudukkottai. O diretor Vadivilan observou os alunos lidarem com conceitos usando livros e modelos táteis. Ele relata: «Antes, nossos alunos sabiam apenas o alfabeto, números e palavras básicas. Eles não tinham ideia de como era uma fruta, como era o mapa da Índia ou o que eram um rim ou um coração. Era algo que eles simplesmente não conseguiam imaginar».
Ciência e geografia apresentavam dificuldades especiais. Os professores dependiam principalmente de explicações verbais, descrevendo formas, fronteiras, órgãos e outros conceitos, enquanto os alunos tentavam criar uma imagem mental do que não podiam explorar fisicamente. Os materiais táteis lhes deram outro caminho. Vadivilan observa: «Pela primeira vez, os alunos podem explorar conceitos por conta própria. Eles podem sentir formas, traçar contornos e entender relações espaciais. O apoio dessa iniciativa pelo governo através do currículo deu aos nossos filhos uma oportunidade que eles nunca tiveram».
Os professores notam que os alunos se tornaram mais engajados, fazem mais perguntas e absorvem melhor o material. Aulas que antes pareciam distantes tornam-se mais fáceis de estudar e revisar.
Para Vignesh, um aluno do 8º ano, a geografia costumava ser uma das matérias mais confusas na escola. Seus professores falavam sobre fronteiras, linhas costeiras e estados vizinhos. Ele podia ouvir descrições e memorizar palavras, mas as formas por trás dessas palavras permaneciam abstratas. Tudo mudou no dia em que um mapa tátil foi colocado em sua carteira. Vignesh passou os dedos pela superfície em relevo, parou e traçou as linhas. Seu professor disse: «Este é Tamil Nadu». Pela primeira vez, ele conseguiu sentir o contorno de seu estado. A ponta de seus dedos traçou a curva da costa e as bordas onde uma região encontrava outra. Vignesh compartilha: «Antes, eu só conseguia imaginar o que o professor descrevia. Agora posso entender isso sozinho. Quando toquei no mapa, senti onde Tamil Nadu começa e termina. Isso ficou na minha memória».
Os professores notaram a mudança após essa aula. Vignesh começou a fazer mais perguntas nas aulas. Durante os tempos livres, ele voltava ao mapa tátil, rastreando-o repetidamente e ganhando confiança a cada toque dos dedos. Geografia, uma matéria que ele temia, tornou-se algo que ele podia apreender literalmente.
Para Harini, uma aluna do 7º ano, o problema estava mais próximo da vida cotidiana. Ela ouvia descrições de frutas a vida toda: redondas, lisas, longas e macias. Ela conhecia seus nomes, mas essas palavras não lhe davam uma ideia clara de sua forma. «Eu sabia os nomes», diz ela, «mas não sabia a forma deles».
Então, diagramas táteis de frutas apareceram em sua sala de aula. Usando as pontas dos dedos, Harini traçou o contorno em relevo de uma manga e depois de uma maçã. Ela seguiu suas curvas e bordas, sentindo as diferenças em suas formas. Mais tarde, seu professor colocou uma maçã real em sua mão. A forma pareceu familiar. Correspondia ao que seus dedos já haviam explorado na página. «Parecia exatamente como eu tinha estudado», diz ela, sua voz brilhante. «Eu não estava mais adivinhando. Eu sabia».
Esse momento lhe deu grande confiança na sala de aula e em sua própria compreensão. Os professores notam que Harini agora participa mais ativamente, especialmente em aulas relacionadas a objetos e diagramas. «Pela primeira vez», diz ela, «sinto que entendo o mundo um pouco melhor».
O ensino tátil cria um espaço para uma experiência diferente em sala de aula para alunos com baixa visão. Os alunos podem voltar ao mapa, traçar o diagrama ou explorar o modelo em seu próprio ritmo. Eles podem construir a compreensão da forma com suas próprias mãos e retornar a isso sempre que precisarem. Essa independência é importante para os educadores que trabalham com eles. Um dos professores observa: «Quando as crianças entendem que podem resolver as coisas sozinhas, isso muda sua autoimagem. Elas se sentem capazes».
Para Prabhu, esse crescente senso de confiança também dá sentido aos anos de experimentos, design e produção. «Quando vejo as crianças desenhando mapas com confiança ou explicando formas, sinto que meu trabalho tem significado. Elas não estão mais limitadas pelo que não podem ver. Todos os meus esforços são direcionados à independência dos alunos com baixa visão».
Para Vignesh, a linha costeira agora tem uma curva que ele pode traçar. Para Harini, a forma da maçã é algo que ela pode reconhecer, não adivinhar. Nas salas de aula onde esses materiais chegaram, as linhas em relevo, mapas, diagramas e modelos dão aos alunos outra maneira de conhecer o mundo ao seu redor — uma maneira que eles podem explorar com suas próprias mãos e entender por conta própria.


