O festival Nag Panchami, celebrado no quinto dia da lua crescente do mês Sawan, é dedicado aos nagas. Este festival enfatiza que as serpentes ou nagas não são apenas animais venenosos ou assustadores, mas seres com um significado complexo em nossa vida social. Sua contribuição é importante tanto para a agricultura e a limpeza ambiental quanto para os contos antigos e populares.
Na área da astrologia, o papel das serpentes e nagas é interpretado de forma diferente. Pessoas que sofrem com a influência de Rahu no sistema dos nove planetas recorrem à adoração das serpentes. De acordo com as representações astrológicas, cada planeta tem dois deuses: Adidevata e Pratidevata. No caso de Rahu, Kal é considerado o Adidevata, e a serpente é a Pratidevata. É por isso que aqueles cujo mapa natal contém Rahu-dosha são aconselhados a realizar a adoração ao Adidevata Kal e à Pratidevata serpente, o que é conhecido como adoração contra Rahu-dosha.
As serpentes aparecem tanto em Rahu quanto em várias Nakshatras. O deus da Nakshatra Ashlesha é uma serpente, e seu senhor é a própria serpente. Além disso, durante as chuvas, quando o Sol se move entre as Nakshatras Rohini e Hasta, um dos veículos dessas nakshatras é a serpente. Os astrólogos usam esses veículos para prever a ocorrência, ausência ou abundância de precipitação.
A descrição dos nagas está presente na história humana desde tempos antigos, e eles desempenharam papéis em muitas narrativas mitológicas. Na Ramayana, o irmão mais novo do avatar de Vishnu, Lord Rama, Lakshmana, e no Mahabharata, o irmão mais velho de Krishna, Balarama, são considerados encarnações de Sheshnaga. Na Ramayana, Sulochana, esposa do filho de Ravana, Meghanada, era uma nagakanyā e filha de Sheshnaga. A demônia Sursa também é mencionada como mãe dos nagas.
De forma semelhante, no Mahabharata, Arjuna casa-se com a nagakanyā Ulupi. Seu filho Parikshit morre por uma picada de Takshaka. Em resposta a isso, o irado Janamejaya realiza o Nag-Yajna, resultando na morte da maioria dos nagas na terra. No entanto, Astika, filho do sábio Jaratkar e irmã de Vasishtha, Nag, interrompe o Nag-Yajna e salva as serpentes. Diz-se que Janamejaya e Astika, bem como aqueles que repetem o mantra de Astika, não temem as picadas de cobras.
Vrittasura, morto pelas mãos de Indra com uma arma feita dos ossos do sábio Dadhichi, também foi rei dos nagas. Nos Vedas, a serpente é chamada de Ahī. Além disso, há menções aos nagas em várias formas. Existem também armas nomeadas em homenagem aos nagas: Meghanada usou Nagapasha para amarrar Rama e Lakshmana. Krishna acalma Kaliya Naga e Bhima, desmaiado pelo veneno de Duryodhana, cai em Nagloka, onde ganha força igual à de cem elefantes.
Até mesmo a corda de Yama é considerada feita de nagas. Este fio, que liga o karma no mundo dos mortos, é, na verdade, um naga. Uma vez, um rei chamado Nahusha foi feito por Indra, mas ele não conseguiu se libertar de seus atos. Ao ver sua mandíbula gulosa e tremulante, os sábios o amaldiçoaram com a transformação em serpente.
Nagas ou serpentes não são apenas animais; eles possuem uma história própria, comparável à história dos humanos, e são deuses e civilizações em si mesmos. Muitas culturas utilizaram os nagas como seu símbolo. Por exemplo, a região de Anantnag em Caxemira já foi uma capital próspera de nagas, o que é atestado por evidências preservadas lá e menções em lendas populares.

