Os Denisovanos, considerados parentes extintos do Homo sapiens, possuíam uma estatura elevada, conforme revelam descobertas recentes de fósseis.
A primeira menção a esses hominídeos ocorreu em 2008, quando arqueólogos localizaram um dente adulto, fragmentos ósseos do dedo mínimo de uma criança e outros vestígios pré-históricos na caverna de Denisova, localizada na Sibéria. Dois anos depois, em 2010, análises de DNA desses restos, datados em 40 mil anos, demonstraram que eles não correspondiam a nenhuma espécie conhecida. Essa descoberta levou à nomeação do novo hominídeo como Denisovano, devido à caverna de sua localização, e ele apresentava semelhanças tanto com os Neandertais quanto com os sapiens.
Historicamente, o estudo desses parentes extintos foi dificultado pela escassez de material fóssil; desde o início, foram encontrados apenas mais um crânio e alguns poucos dentes e fragmentos ósseos denisovanos. Contudo, uma investigação atual está contribuindo para esclarecer mais sobre esta espécie.
Um artigo, ainda sob revisão no servidor bioRxiv, detalha novos fósseis denisovanos — um fêmur e uma parte de uma tíbia, ambos ossos da perna, recuperados do fundo das águas do Estreito de Taiwan. Estes fósseis foram encontrados em 2010 e passaram por estudos contínuos. A confirmação de que pertencem a indivíduos denisovanos foi obtida através da identificação de proteínas presentes nos fragmentos.
Esta nova análise aponta que os Denisovanos figuravam entre os hominídeos mais altos de sua época, com um exemplar atingindo 1,90 metro de altura, o que representa aproximadamente 15 centímetros a mais que a média dos homens brasileiros. Para fins de comparação, os Neandertais tinham uma altura média de cerca de 1,68 metro, enquanto a média entre os Homo sapiens é ligeiramente superior: cerca de 1,75 m para os homens e 1,68 m para as mulheres.
As evidências sugerem que a vida dos Denisovanos se estendeu majoritariamente pela Ásia, abrangendo desde a Sibéria até a China, até aproximadamente 30 mil anos atrás. Durante esse período, coexistiram com outros hominídeos, como Homo sapiens, Homo erectus e Homo floresiensis. É importante notar que hoje, algumas pessoas possuem DNA herdado dos Denisovanos, comprovando que nossa espécie teve interações com eles em diversos momentos passados.
Embora os ossos das pernas se assemelhem aos de outros hominídeos arcaicos, eles também exibem certas características anatômicas comuns ao Homo sapiens, o que reflete os rastros desse cruzamento. Os pesquisadores enfrentaram dificuldades para definir a qual indivíduo pertencia cada osso e como eles se encaixavam em uma cronologia completa, visto que os achados estavam misturados e não dispostos em camadas sedimentares ordenadas.
No entanto, foi possível concluir que o primeiro fóssil denisovano era de sexo masculino, pesando cerca de 83 kg e medindo aproximadamente 1,80 m. O segundo, também presumivelmente masculino, pesava 91 kg e alcançava cerca de 1,90 m. Para obter mais detalhes sobre a tíbia e o fêmur desconhecidos, os cientistas coletaram colágeno ósseo para datá-los por radiocarbono e buscaram DNA antigo em seu interior. Além disso, a composição química dos fósseis foi analisada, fornecendo informações sobre o ambiente e a dieta dos Denisovanos.
É provável que eles habitassem um ambiente de savana ou campos abertos, onde tinham acesso abundante a proteína animal, pois não foram encontrados sinais de consumo de alimentos de ambientes marinhos ou de água doce. Uma outra descoberta surpreendente refere-se à idade dos fósseis. Inicialmente, em 2023, os autores estimaram a idade dos ossos em cerca de 160 mil anos; todavia, as novas datações por radiocarbono indicam que eles são significativamente mais recentes, com apenas cerca de 45 mil anos.
Paleobiólogos conseguiram apresentar os primeiros espécimes confiáveis de ossos longos de Denisovanos. Estas descobertas foram feitas na região do Estreito de Taiwan, onde anteriormente já se encontravam fragmentos parciais de ossos do fêmur e da tíbia de hominídeos antigos.
De acordo com os dados extraídos das proteínas preservadas, esses restos pertenciam a pessoas que existiram há cerca de 45 mil anos. Observa-se que essa população apresentava uma altura aumentada em comparação com outros humanos daquela época. A informação sobre a descoberta foi publicada em um preprint na plataforma bioRxiv.org.