O Instituto Superior de Arquitectura y Diseño (ISAD) promoveu mais uma edição do Taller del Desierto durante o verão de 2026. Este é um exercício acadêmico intenso que já ocorre há mais de dez anos, reunindo alunos de diversas áreas do design.
O Instituto Superior de Arquitectura y Diseño (ISAD) promoveu mais uma edição do Taller del Desierto durante o verão de 2026. Este é um exercício acadêmico intenso que já ocorre há mais de dez anos, reunindo alunos de diversas áreas do design.
O objetivo do Taller del Desierto é desenvolver e edificar intervenções em escala real (1:1) dentro do cenário urbano da cidade de Chihuahua. O processo se estende por um período de quatro semanas, integrando os conceitos de design, experimentação com materiais e fabricação, conduzindo uma ideia desde sua fase inicial de concepção até sua concretização física.
As informações sobre o projeto foram fornecidas pela equipe de projeto.
A Livraria da Vila Artes foi concebida a partir de um gesto arquitetônico específico dentro de um espaço inicialmente compacto. Com apenas 40m², o projeto nasceu de uma análise sobre como a arquitetura pode realçar a importância dos livros e funcionar como um momento de pausa na rotina de um shopping, transformando-se em um ponto de desaceleração onde a vivência supera o movimento constante.
Mesmo com a necessidade de uma execução rápida, a profundidade conceitual não foi diminuída; pelo contrário, isso levou a decisões mais objetivas, onde cada componente segue uma lógica de essencialidade. O grande desafio consistiu em criar um local que valorizasse o acervo — composto por livros de arte, moda, arquitetura e gastronomia — tratando-os como itens que vão além do uso, entrando no domínio do desejo e da memória.
Na parte externa, um volume de cor bege demarca o limite e proporciona uma interrupção discreta no cenário agitado do shopping. No interior, um cubo totalmente azul envolve o visitante, convidando-o a uma nova percepção do ambiente. A escolha desta tonalidade foi inspirada na obra de Yves Klein, cuja exploração do azul como um campo sensorial, espiritual e perceptivo guiou a concepção do espaço.
O azul não serve apenas como pano de fundo, mas sim como uma presença ativa: um campo ininterrupto que absorve a luz, suaviza fronteiras e estimula a contemplação. Dessa forma, o piso, as paredes, as prateleiras e o forro eliminam hierarquias visuais, direcionando o foco para os livros. A uniformidade cromática estabelece uma atmosfera quase abstrata e imersiva, enquanto a luz difusa, introduzida por uma claraboia tensionada no centro, aumenta a sensação de profundidade e enriquece a permanência no local. Este recurso unifica visualmente as estruturas técnicas e redefine a dimensão do espaço.
Este projeto se fundamenta em um conceito arquitetônico desenvolvido ao longo de quase dez anos de colaboração entre a Livraria da Vila e a ARCHITECTS OFFICE — um raciocínio contínuo que agora está sendo aplicado em 18 unidades. O resultado final diverge do modelo convencional de livraria, aproximando-se mais de uma galeria, um ambiente onde a curadoria e a arquitetura se unem para destacar cada edição como um item único. Embora pequeno em tamanho, ele é exato em sua intenção, afirmando uma arquitetura capaz de potencializar o que é exibido.
O projeto expositivo intitulado «Em Campo» foi desenvolvido para o Clube e se organiza através de cinco componentes centrais: o revestimento do chão, as paredes, os pilares, a malha estrutural e os dispositivos audiovisuais integrados aos móveis.
No que diz respeito ao piso, foi aplicada uma camada espessa de carpete bouclê na cor cinza sobre o piso vinílico originalmente alaranjado. Esta mudança teve o propósito de uniformizar a paisagem visual, permitindo que as fotografias coloridas se destacassem pelo contraste, ao mesmo tempo que melhorava a acústica da galeria, absorvendo o som em um ambiente caracterizado por superfícies lisas e rígidas.
Uma parede de 17 metros de comprimento, pintada de branco, foi adicionada para ampliar a área de exposição, que comporta 65 impressões. Esta estrutura foi posicionada com um recuo de 6 metros a partir da entrada, visando realçar a lateral existente feita de policarbonato. A parede, construída com um sistema modular que combina MDF, alumínio e nylon, é estabilizada por perfis de alumínio que atuam sob pressão, funcionando como substitutos modernizados dos pilares de concreto originais da galeria, gerando brilhos e reflexos em vez de sombras.
Os pilares foram dispostos respeitando a modulação de 1,55 metro entre eixos dos pilares de concreto existentes. Cinco suportes verticais de alumínio e nylon, com 2,7 metros de altura, foram colocados no centro do espaço. Uma estrutura em formato de «H» exibe 36 retratos em suas duas faces, complementada por três pilares individuais que apresentam fotografias coloridas. Este arranjo pode ser interpretado, quando visto em planta, como o posicionamento estratégico de uma equipe esportiva.
A malha, um sistema estrutural composto por cabos de aço fixados no perímetro, serve para sustentar os pilares soltos, ecoando soluções encontradas na arquitetura moderna, como nos trabalhos de Lina Bo Bardi e Franco Albini. Essa teia suspensa suporta 21 lâmpadas tubulares inclinadas a 45 graus, conferindo ao local uma escala e uma dimensão cartográfica. Adicionalmente, uma viga metálica branca, cujo diâmetro corresponde exatamente às balizas de futebol, atravessa a malha próximo aos caixilhos, introduzindo elementos figurativos na composição geométrica e abstrata, juntamente com pequenos holofotes.
Quanto às peças expostas, as impressões utilizam diversas texturas e tamanhos, como metacrilato, fine art aplicado em ACM e papel de parede, espalhando-se por paredes e vidros. Os móveis, fabricados com perfis de alumínio idênticos aos da expografia e cobertos por superfícies de PEAD, incentivam a permanência do visitante. Um painel de LED, inclinado a 45 graus para quebrar a ortogonalidade da sala, exibe um vídeo em proporção 4:3, utilizando os próprios gabinetes modulares da tela como uma estrutura contemporânea pronta para uso. Por fim, a instalação sonora utiliza o recuo inicial da nova parede para acomodar as três primeiras caixas de som, distribuindo os demais alto-falantes e o subwoofer ao longo de toda a extensão, assegurando uma vivência imersiva e estéreo em toda a galeria.