Dois anos atrás, em maio de 2024, o autor visitou o porto de Sanduao, na cidade de Ninde, província de Fujian. Lá, testemunhou uma aquicultura industrial em grande escala construída com base em tecnologias avançadas. Essa experiência serve como um importante guia para entender o futuro da pesca, especialmente para o Irã, que possui ricos recursos marinhos, mas ainda não os utiliza totalmente.
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As transformações no setor de aquicultura marinha na China oferecem lições valiosas ao Irã para o desenvolvimento costeiro. A essência não é apenas copiar, mas extrair um plano estratégico de sucesso.
Da madeira ao plástico: Revolução infraestrutural
Graças à geografia ideal e à qualidade da água na Baía de Sanduao, este local foi por muito tempo habitat do valioso peixe-galo amarelo grande. No entanto, a transição para a maior base de produção do país começou com uma mudança política decisiva em 2018. A cidade de Ninde iniciou uma modernização em grande escala, substituindo gaiolas tradicionais de madeira e estruturas flutuantes de isopor por gaiolas de plástico ecologicamente corretas e instalações flutuantes modernas. Como resultado, cerca de 1,427 milhão de unidades de aquicultura foram reorganizadas ou modernizadas, marcando uma significativa padronização da infraestrutura marítima.
Para o Irã, que possui extensas linhas costeiras ao longo do Golfo Pérsico e do Oceano Omã, esta é a primeira conclusão chave: a transição de métodos obsoletos para infraestrutura moderna e sustentável é uma necessidade viável.
Energia verde: Garantindo uma indústria mais limpa
Um dos aspectos mais convincentes do modelo de Ninde é a integração de fontes de energia renovável. Um projeto piloto, desenvolvido em colaboração com o gigante energético CATL, criou um sistema de microrrede nas instalações de aquicultura. Este sistema combina turbinas eólicas verticais e horizontais, painéis solares flutuantes na superfície do mar e painéis solares nos telhados para garantir um fornecimento de energia estável e limpo.
O projeto gera anualmente aproximadamente 280.000 quilowatt-hora de energia limpa, reduzindo as emissões de dióxido de carbono em calculados 244 toneladas. É crucial que os sistemas de armazenamento de energia eliminem os problemas de interrupção de energia, garantindo o fornecimento contínuo de oxigênio para os peixes. Para o Irã, que enfrenta dificuldades energéticas nas regiões costeiras do sul, este modelo é diretamente relevante. A aplicação de instalações solares flutuantes e eólicas marinhas para alimentar fazendas de camarão e peixe em províncias como Hormozgan e Bushehr poderia reduzir custos e o impacto ambiental.
Crescimento econômico: Indo além do mar
A transformação em Ninde foi muito além das melhorias ambientais. Em 2025, o valor da indústria de peixe-galo amarelo grande em Ninde ultrapassou 20 bilhões de yuans (aproximadamente 2,9 bilhões de dólares americanos), garantindo a produção de mais de 222.000 toneladas de peixe. Hoje, oito em cada dez peixes-galo consumidos na China vêm desta região.
Além disso, a China utilizou tecnologia para expandir este setor para o interior. Graças à parceria entre Fujian e Ningxia, o peixe-galo amarelo grande foi implementado com sucesso em sistemas de cultivo terrestres nas Montanhas Helan, no noroeste da China. Esses sistemas utilizam controle de temperatura, controle de qualidade da água e alimentação automatizada, demonstrando a adaptabilidade das tecnologias modernas de aquicultura.
Para o Irã, isso mostra que o setor pesqueiro pode se tornar um motor significativo de desenvolvimento econômico, contribuindo para a criação de empregos e o fortalecimento da segurança alimentar.
Modelo para o futuro do Irã
A visita a Sanduao mostrou que essa transformação foi possível graças a três fatores chave: política coordenada (iniciada em 2018), investimento em tecnologia (de gaiolas de plástico a energia renovável) e vontade nacional (forte cooperação público-privada). Pesquisas já apontam para um potencial significativo da aquicultura nas costas sul do Irã. A experiência de Ninde oferece um roteiro para o Irã desenvolver sua própria indústria pesqueira sustentável, adaptando essas lições às condições locais.