Dezenas de indivíduos buscaram assistência médica na Alemanha nos últimos dias, após o eclipse solar ocorrido na quarta-feira, apresentando sintomas como dores oculares e distúrbios visuais.
Diversas clínicas localizadas em Berlim e no estado de Bade-Vurtemberga notaram um aumento na demanda de atendimento após o evento, visto que muitos espectadores assistiram ao eclipse sem utilizar os óculos de proteção apropriados.
Uma porta-voz do hospital universitário de Bade-Vurtemberga comunicou que nenhum dos pacientes apresentou danos que pudessem ser detectados.
Situação na capital alemã
Na capital alemã, o Hospital Charité e o grupo hospitalar Vivantes reportaram ter atendido, em conjunto, aproximadamente vinte pessoas que relataram mudanças na sua visão.
Adicionalmente, em Mannheim, a clínica oftalmológica do Hospital Universitário efetuou cerca de vinte consultas nas horas subsequentes ao fenômeno.
Em Freiburg, oito pacientes foram admitidos na clínica universitária durante a noite com queixas de dor nos olhos. No dia seguinte, outros indivíduos reclamaram de ardência, cefaleias e manchas no campo visual.
Na cidade de Tubinga, foram identificados pelo menos três casos potenciais de lesões retinianas, decorrentes da observação prolongada do Sol durante o eclipse parcial.
O corpo médico indicou a possibilidade de surgimento de novos casos nos próximos dias.
Espanha regista mais de 500 queixas
Em Espanha, ultrapassaram os 530 indivíduos que receberam atendimento após o eclipse solar, sendo a maioria com problemas oculares leves, além de alguns casos de vertigem e insolação.
A maior parte dessas consultas foi motivada por desconforto ocular após a observação do eclipse. Embora a maioria dos casos não tenha sido grave, também foram registrados episódios de tontura e relacionados a golpes de calor.
Somente em Madrid, até as primeiras horas de quinta-feira, os serviços de saúde já haviam atendido mais de cem pessoas com queixas visuais ligadas à observação do eclipse.
E em Portugal?
Em Portugal, a Linha SNS 24 não registrou qualquer impacto relacionado à observação do eclipse solar na quarta-feira, conforme dados divulgados ontem pela Lusa pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS).
Os registros da Linha SNS 24 na quarta-feira apontaram para 429 triagens por problemas oculares, um número alinhado com o registrado na mesma data da semana anterior (407) e com as médias diárias de triagem por esse motivo nos meses anteriores (435 em maio, 413 em junho e 389 em julho).
Antes do eclipse, a Direção-Geral da Saúde (DGS) emitiu orientações destinadas à população e aos empregadores sobre como observar o eclipse total do sol de maneira segura, visando prevenir lesões oculares e diminuir o risco de acidentes associados ao fenômeno.
O Colégio de Oftalmologia da Ordem dos Médicos e a comunidade científica também emitiram alertas sobre os perigos de observar o eclipse solar diretamente sem a proteção adequada.
De acordo com a autoridade de saúde, a observação do eclipse deveria ser realizada exclusivamente com óculos certificados para eclipse solar, seguindo a norma ISO 12312-2 e possuindo marcação CE.
Em Portugal, o eclipse solar foi total apenas em uma área restrita do Parque Natural de Montesinho, próximo a Bragança. No restante do território nacional, o eclipse foi parcial, variando entre 92% e 99% em todo o território continental, e entre 74% e 77% nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

