Uma menina de nove anos do Brasil, residente na metrópole de Belo Horizonte, passou por um ataque de riso incontrolável que durou mais de três horas. Preocupada com o estado da filha, a mãe a levou ao hospital, onde encontrou uma cena bastante inesperada.
De acordo com informações publicadas pelo veículo brasileiro Metrópoles, tudo começou durante uma brincadeira em casa. Eduarda Barbosa, carinhosamente chamada de Duda, estava em casa com sua mãe, Aline Barbosa, fotógrafa e estudante de enfermagem, além de suas irmãs. Em algum momento, Duda começou a rir sem controle. Aline e as irmãs também riram, mas a menina não conseguia parar, mesmo quando todos ao redor ficaram em silêncio.
Duda permanecia consciente e reagia com gestos, mas não conseguia controlar o riso ou falar. Ao notar a dilatação das pupilas e a mudança no olhar da filha, Aline decidiu levá-la ao Hospital Municipal de Contagem.
Não é brincadeira?
A equipe médica que prestou assistência considerou o caso isolado. Duda não foi diagnosticada com epilepsia, como se supunha anteriormente. Em vez disso, recebeu o diagnóstico de 'crise gelástica' — uma 'manifestação epiléptica rara caracterizada por episódios involuntários de riso'.
Antes de perceber que poderia ser um problema médico, Aline pensava que a filha estava apenas 'brincando'. Ela recorda: 'Eu perguntava se ela havia se sujado ou se tinha desenhado um palhaço no meu rosto, e ela continuava rindo'. No entanto, agora ela sabe que era algo muito mais sério.
Após uma série de exames, o pediatra que tratava Duda explicou que este episódio foi 'isolado' e 'causado por ansiedade ou estresse, fazendo com que ela, sendo criança, não conseguisse expressar seus sentimentos ou contar o que estava acontecendo'.
Em entrevista ao site brasileiro, o neurologista e neurofisiologista clínico Victor Hugo Castro de Sá esclareceu que 'a crise gelástica é um tipo raro de convulsão. Este estado manifesta-se por episódios involuntários de riso. A pessoa ri sem sentir alegria, pois o riso é provocado por uma descarga elétrica anormal no cérebro, associada a uma lesão benigna chamada gamartoma hipotalâmico'.
Ele enfatizou: 'Entre as possíveis causas está o gamartoma hipotalâmico, uma lesão benigna, ou seja, não cancerosa, localizada na região do hipotálamo. Esta é uma ligação clássica com crises gelásticas na infância', observou.
Segundo o médico, nesses casos, 'o riso é puramente mecânico e neurogênico (causado por uma descarga elétrica anormal no cérebro), sem que o paciente sinta alegria real'.
Um dos principais sinais de 'crise gelástica' é a ausência de uma situação que possa justificar o riso. O ataque pode começar subitamente, sem piada, estímulo cômico ou motivo aparente. O médico também apontou que o riso pode parecer diferente do habitual — pode parecer forçado, artificial ou até robótico, sem a expressão emocional geralmente associada à diversão.
Geralmente, a 'crise' é breve, durando de alguns segundos a menos de um minuto. Outra característica importante é a incapacidade de interromper esse episódio por conta própria. Além do riso, segundo o especialista, podem ocorrer outros sinais, como leve alteração da consciência, olhar fixo, vermelhidão facial, taquicardia e movimentos automáticos, como bater os lábios. Outras alterações cerebrais também podem estar relacionadas a essa condição: tumores benignos ou malignos, displasias corticais e malformações vasculares localizadas nos lobos temporais ou frontais.