Atualmente, diversos jogos já utilizam adversários controlados por inteligência artificial (IA) em seus modos multiplayer. Essa funcionalidade serve como uma solução para um desafio comum em jogos puramente multiplayer: garantir um número suficiente de participantes para uma sessão de jogo agradável. Adicionalmente, a presença de NPCs com IA tem sido vista como uma forma de superar a dificuldade de atrair novos usuários para esses títulos.
O caso do PUBG ilustra como essa mecânica pode ser benéfica. Em seu auge de popularidade, o jogo atraía muitos jogadores experientes e competitivos, o que acabava afastando novatos, que frequentemente sofriam derrotas e, consequentemente, perdiam o interesse em continuar jogando. Este cenário reflete um problema recorrente em jogos online que ganham grande popularidade, conforme apontado por Liangfei Qiu, pesquisador e coautor de um estudo sobre a integração de IA em jogos multiplayer online.
Em 2020, o PUBG implementou o uso de oponentes controlados por IA, configurados para serem ligeiramente menos habilidosos que os jogadores médios, em certas partidas. Essa alteração facilitou significativamente a experiência de novatos, permitindo que eles ganhassem confiança e desenvolvessem habilidades no jogo. Os resultados foram quantificáveis: os jogadores passaram 50% mais tempo jogando. Contudo, este aumento não se limitou apenas às partidas contra máquinas; houve também um crescimento de 28% nas partidas em equipe com amigos.
Como os jogadores geralmente não conseguiam discernir quem era um bot, isso elevava sua confiança e disposição para jogar. Apesar disso, o jogo mantinha modos dedicados exclusivamente a jogadores humanos, voltados para aqueles mais experientes e seguros que buscavam uma experiência mais autêntica.
O estudo intitulado 'Interlopers or Catalysts? Dissecting the Impact of Incorporating AI Players on Multiplayer Online Games', conduzido por Liangfei Qiu, Zhechao Yang e Qili Wang, examina a correlação entre oponentes com IA e a satisfação ao jogar online. Embora o PUBG seja o foco principal, o estudo oferece perspectivas valiosas sobre a reação humana à implementação dessas funcionalidades.
Para além do aumento no tempo de jogo, a pesquisa sugere que o design de oponentes de nível médio faz com que os sucessos sejam percebidos como reflexo da própria capacidade do jogador, especialmente porque esses adversários são difíceis de diferenciar de jogadores humanos comuns. Isso resulta em uma maior percepção de autoeficácia e senso de responsabilidade da equipe, o que pode impulsionar o engajamento do público e a frequência com que os jogadores formam grupos com amigos.
No entanto, os benefícios de engajamento e formação de equipes foram mais notáveis entre os jogadores iniciantes. Aqueles que inicialmente optavam por companheiros de equipe aleatórios demonstraram maior propensão a formar times com amigos após a introdução dos oponentes de IA.



