Sob o lema 'Restaurar a Terra. Restaurar a Esperança', a COP17 deve reunir delegados de 197 Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), bem como líderes políticos, governamentais, empresariais e civis, cientistas, representantes de povos indígenas, pastores e pequenos agricultores.
O Secretário Executivo da UNCCD declarou que a terra é a infraestrutura mais vital que sustenta a segurança alimentar, os recursos hídricos, os meios de subsistência e a estabilidade. Ela observou que a deterioração da terra aumenta a instabilidade, levando à perda de meios de subsistência, deslocamento forçado e intensificação da competição por recursos escassos.
Yasmin Fouad enfatizou que, devido ao aumento da seca e à degradação do solo, a COP17 deve promover a implementação de soluções práticas e viáveis para fortalecer os investimentos em resiliência à seca e gestão racional da terra, para que as comunidades possam prosperar.
De acordo com dados da ONU, a degradação do solo já afeta até 40% das terras mundiais, impactando negativamente bilhões de pessoas. Este problema acarreta consequências de longo prazo para a produção de alimentos, disponibilidade de água, meios de subsistência e estabilidade econômica.
A conferência incluirá dias dedicados a finanças, água, terra e pessoas e sistemas alimentares. Estão planejadas discussões em nível ministerial sobre mecanismos financeiros inovadores para alcançar terras saudáveis, resiliência à seca, restauração de pastagens e bem-estar das comunidades pastoris.
A Mongólia, com uma área de 1,56 milhão de quilômetros quadrados, está entre os países mais afetados pela desertificação e degradação do solo, com quase 77% de suas terras já degradadas.
Esta COP ocorre no Ano Internacional dos Pastos e Pastores, declarado pela ONU para promover o valor dos pastos e da pecuária saudável, que são cruciais para a estabilidade climática, apoiando diretamente 500 milhões de pessoas e fornecendo um sexto das necessidades alimentares mundiais.
Em junho, no Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, a UNCCD alertou que as mudanças climáticas e o uso insustentável da terra estão exercendo pressão crescente sobre os pastos mundiais, metade dos quais já está degradada, ameaçando os sistemas alimentares, a segurança hídrica, a biodiversidade e os meios de subsistência das comunidades.
Nesta ocasião, a associação ambiental Zero apelou veementemente ao Governo para que torne o combate à desertificação uma prioridade nacional. Ela considera que isso requer a proteção dos pastos, que representam mais da metade da área agrícola utilizada em Portugal.
A Zero também exigiu que a revisão do Plano Nacional de Ação contra a Desertificação (PANCD) leve à criação de instrumentos políticos adequados e seja garantida por recursos suficientes.
A degradação do solo causada pelo desmatamento, pelo superpastejo e pelo uso inadequado da água na agricultura pode transformar terras férteis em áreas áridas e desérticas.
A Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação é um dos três principais tratados da ONU conhecidos como Convenções de Riga, juntamente com as Convenções sobre Clima e Biodiversidade. Foi aprovada em 17 de junho de 1994 e ratificada por Portugal em abril de 1996.
As conferências de combate à desertificação são realizadas a cada dois anos desde 2001; a XVI conferência ocorreu de 2 a 13 de dezembro de 2024 em Riade, Arábia Saudita.



