A UEFA, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a CONCACAF emitiram uma carta aberta conjunta, exigindo alterações no sistema de gestão da FIFA e a realização de uma investigação independente. O motivo foi o escandaloso apelo à atração de investimentos privados para as competições da organização, incluindo a Copa do Mundo, no âmbito do plano de Gianni Infantino.
Na carta, as confederações enfatizaram que a liderança da estrutura mundial de futebol deve servir aos interesses do futebol, e não tentar governá-lo. O conflito surgiu devido ao projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), que previa a atração de capital privado para as atividades comerciais da FIFA. Esta iniciativa foi apresentada e depois cancelada poucos dias após ter gerado forte crítica por parte das organizações de futebol.
As três confederações observaram que o problema não residia apenas no mérito da proposta, mas também nos métodos de sua promoção. Na opinião delas, o projeto foi levado à discussão muito rapidamente, sem consulta adequada às federações nacionais, o que limitou significativamente a possibilidade de análise de suas condições.
As organizações também criticaram a reação da própria FIFA à situação. Em particular, apontaram a reunião urgente da liderança em Marrocos, onde, segundo a carta, apenas um representante eleito estava presente, e os membros do Conselho da FIFA e as federações nacionais não foram convidados.
A exigência das três confederações é a realização de uma investigação completa sobre os fatos por uma estrutura independente que não tenha laços com a FIFA, seus funcionários ou outras partes interessadas. Elas acreditam que a própria organização não deve investigar uma situação que consideram uma grave violação de confiança.
Neste cenário de confronto, surgiram informações sobre uma possível união dos opositores de Infantino em torno de outro candidato à presidência da FIFA. De acordo com o The Guardian, um dos potenciais candidatos é o presidente da CONCACAF, Victor Montaliani. O prazo para a declaração de participação dos candidatos nas eleições está fixado para 18 de novembro.
No entanto, ainda não há uma posição unificada no futebol mundial. A Confederação Africana de Futebol, várias federações asiáticas e o México apoiaram publicamente Infantino. Ao mesmo tempo, as federações de futebol dos EUA e Canadá aderiram aos apelos pela necessidade de mudanças na gestão da FIFA.
Além disso, as três confederações iniciaram discussões preliminares sobre a organização de competições alternativas. Anteriormente, a UEFA havia sinalizado a possibilidade de boicotar torneios da FIFA, e uma das consequências mais próximas deste conflito pode ser a participação das seleções europeias no Campeonato Mundial Feminino Sub-20.
A disputa, iniciada em torno do projeto FFE, transformou-se em um conflito mais amplo entre a liderança da FIFA e diversas estruturas de futebol proeminentes. Agora, as críticas não se restringem apenas à iniciativa específica de Infantino, mas também a questões de transparência, responsabilidade e distribuição de poderes dentro da organização global de futebol.
Anteriormente, a FIFA manteve Gianni Infantino no cargo após o escândalo relacionado aos planos de venda de participação nos direitos das Copas do Mundo. Após uma reunião de sete horas em Rabat, a liderança da organização reconheceu os erros cometidos, Infantino pediu desculpas e declarou que não voltaria à ideia de atrair investimentos privados para os torneios.