O escritório Pelli Clarke & Partners completou o Centro Cultural Lola Mora, localizado em San Salvador de Jujuy, Argentina. Esta nova instituição cultural foi dedicada à vida e à obra da escultora argentina Lola Mora, nascida em 1866 e falecida em 1936.
Situado na região noroeste do país, este projeto representa a primeira edificação cultural do escritório na América do Sul e constitui o último trabalho liderado pelo fundador, César Pelli, que já faleceu. O centro foi concebido como uma instalação com metas de energia líquida zero (net-zero).
A estrutura abriga seis esculturas monumentais de mármore de Lola Mora, reunindo-as pela primeira vez em mais de um século. Essas obras, que antes eram expostas ao ar livre em Jujuy, agora possuem um local permanente de abrigo.
O edifício está posicionado em uma encosta com vista para San Salvador de Jujuy, margeando a Cordilheira dos Andes e rodeado pela floresta subtropical de Yunga. Seu formato curvo segue a topografia do terreno e se integra ao redor das árvores nativas existentes. O acesso principal é feito por uma ponte que cruza um desfiladeiro natural.
O programa funcional do centro inclui galerias de exposição, um espaço de interpretação, biblioteca, restaurante, loja de presentes, além de áreas destinadas a exposições temporárias e artistas convidados.
As seis esculturas alegóricas, feitas em mármore de Carrara por Lola Mora, são notáveis por terem sido uma das primeiras escultoras argentinas a alcançar reconhecimento internacional. Originalmente encomendadas para a inauguração do Palácio do Congresso Nacional Argentino em Buenos Aires em 1906, elas foram removidas após cerca de quinze anos e posteriormente doadas à província de Jujuy.
Após mais de cem anos expostas aos elementos, as obras — nomeadas Os Leões, A Liberdade, O Progresso, O Trabalho, A Paz e A Justiça — encontram agora um ambiente construído especificamente para garantir sua preservação e facilitar sua interpretação.
O projeto paisagístico foi desenvolvido pela Balmori Associates, empresa fundada pela arquiteta paisagista Diana Balmori. As diretrizes de preservação ecológica influenciaram tanto as estratégias de paisagismo quanto as de arquitetura, resultando no posicionamento cuidadoso do prédio entre a vegetação existente e sua adaptação ao relevo natural.
A equipe de projeto descreveu o processo de concepção como sendo moldado pelas particularidades do terreno, pela cooperação com os moradores locais e pelo envolvimento com a história cultural da região.
Diversos aspectos do projeto foram guiados pelo desempenho ambiental. Uma torre vertical, que contém cinco turbinas eólicas, funciona como um ponto de referência na paisagem e auxilia na produção de energia para o edifício. Sistemas adicionais, como painéis fotovoltaicos e coletores solares térmicos, foram implementados para suprir as demandas energéticas operacionais do centro, complementados por uma envolvente de alta performance e sistemas mecânicos eficientes que diminuem o consumo.
Outras medidas ambientais adotadas incluem a coleta de água da chuva para fins de irrigação paisagística e a construção de pequenas barragens dentro do desfiladeiro para desacelerar o fluxo hídrico e prevenir a erosão. Além disso, o projeto utiliza materiais provenientes localmente, como revestimentos de pedra, visando reduzir os impactos logísticos e fomentar as cadeias de suprimentos regionais.
Em outras novidades sobre projetos arquitetônicos, foi mencionada a conclusão da Shenzhen Bay Culture Square, do escritório MAD / Ma Yansong, iniciada em 2018, que abrange um complexo cultural e parque de 188.000 m² na orla de Shenzhen. Adicionalmente, o consórcio composto por 3XN, B+H Architects e Zhubo Design finalizou o Museu de História Natural de Shenzhen, com mais de 100.000 m², sendo o maior desse tipo no sul da China.
Em Amsterdã, o edifício The Martin, projetado pelo OMA, foi concluído como parte da reestruturação da antiga prisão de Bijlmerbajes em um bairro de uso misto com energia neutra, sucedendo o The Jay em 2025 e precedendo o The Cardinal, previsto para 2030.

