À medida que se aproxima o décimo quarto aniversário do massacre em Marikana, a organização SERI observa que os processos judiciais malsucedidos, os atrasos e a falta de clareza por parte do Ministério Público Nacional (NPA) sobrecarregaram as famílias, deixando a justiça inatingível.
Catorze anos depois de a polícia abrir fogo contra 34 mineiros em greve em Marikana, parentes dos mortos e sobreviventes continuam à espera de respostas, responsabilização dos culpados e justiça.
O Instituto de Direitos Socioeconômicos da África do Sul (SERI) declarou que o aniversário do massacre, que ocorre em 16 de agosto, serve como um doloroso lembrete de que muitas famílias ainda carregam as consequências dessa violência.
Entre 12 e 13 de agosto de 2012, 10 pessoas morreram, incluindo dois seguranças da Lonmin, dois policiais e seis mineiros. Em 16 de agosto, a polícia matou 34 mineiros em greve, com pelo menos 78 feridos e cerca de 250 detidos.
O SERI enfatizou que o massacre permanece o uso mais letal da força pela polícia sul-africana desde os distúrbios estudantis em Soweto em 16 de junho de 1976, quando a polícia atirou em jovens que protestavam contra o sistema educacional do apartheid.
O SERI apontou paralelos dolorosos entre esses dois eventos, especialmente no que diz respeito ao uso da violência estatal contra jovens negros que exigem seus direitos. A organização declarou: «Cinquenta anos depois, o modelo persiste: jovens negros continuam a enfrentar violência estatal quando se mobilizam pelos seus direitos».
Dezoito dos mineiros mortos em Marikana tinham entre 23 e 34 anos. No entanto, ao contrário da revolta em Soweto, o massacre em Marikana ocorreu dentro da democracia constitucional da África do Sul, que obriga o Estado a proteger os direitos e responsabilizar aqueles culpados por atos ilegais.
O SERI considera que a incapacidade do Estado de cumprir essa obrigação não pode ser explicada apenas por falhas administrativas. A organização afirmou: «O facto de o Estado ter optado por evadir em vez de cumprir esta obrigação não é uma falha técnica, mas sim uma escolha política».

