O Centro de Previsão Climática da NOAA indicou a possibilidade de o fenômeno El Niño, previsto para ocorrer entre outubro e dezembro, configurar-se como um evento histórico, superando a intensidade dos registros anteriores a 1950, quando os dados começaram, com temperaturas atingindo 2,5 graus Celsius acima da média.
A instituição acrescentou em um relatório divulgado na quinta-feira que o El Niño está em processo de intensificação, apresentando mais de 90% de chance de ser um evento muito forte durante o outono e inverno de 2026-27 no Hemisfério Norte.
A agência elevou suas projeções após constatar que o El Niño, que teve início em junho, se acentuou no mês anterior, manifestando anomalias de temperatura superiores a 2 graus Celsius na superfície do Pacífico equatorial e chegando a 10 graus abaixo da superfície em outras áreas.
Conforme os parâmetros estabelecidos pelo serviço meteorológico, a ocorrência do El Niño é formalizada quando as temperaturas no Pacífico equatorial permanecem 0,5 graus Celsius acima da média por um período de vários meses consecutivos. Este fenômeno climático envolve a presença de águas mais quentes que o habitual no Pacífico, juntamente com ventos de oeste mais vigorosos.
Para os países localizados na área diretamente impactada pelo El Niño, como os Estados Unidos, a NOAA observou que isso implica condições de maior secura e um inverno mais quente que o normal, embora também possa provocar chuvas e potenciais inundações na região sul do país.
Os ventos associados ao El Niño também aumentam a probabilidade de ciclones tropicais e tufões no Pacífico, enquanto diminuem a chance de furacões no Atlântico. O fortalecimento do El Niño motivou a NOAA a ajustar sua previsão para a temporada de furacões no Atlântico em 06 de agosto, estimando um máximo de 13 tempestades, o que fica abaixo da média histórica, mas prevendo até 22 ciclones e tufões no Pacífico Leste, acima da média.
Adicionalmente, a agência climática confirmou que julho foi o mês mais quente já registrado nos Estados Unidos, com uma temperatura média próxima a 25 graus Celsius, representando 1,8 graus acima da média do século XX.
Em paralelo, o Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus (C3S) da União Europeia anunciou na segunda-feira que a temperatura da superfície do mar em escala global durante julho foi a mais alta já documentada. A média das temperaturas dos oceanos extrapolares, excluindo as calotas e regiões polares extremas, alcançou 20,96 °C no mês passado, superando o recorde anterior de 20,89 °C registrado em 2023.
Um dos fatores apontados para este aumento térmico foi o calor excepcional em uma vasta extensão do Pacífico tropical, uma área onde se encontram as condições do fenômeno meteorológico conhecido como El Niño, que, segundo as projeções, deve se tornar ainda mais intenso nos próximos meses.


