Ativistas que trabalham com violência de gênero expressaram séria preocupação com o aumento dos casos de violência contra trabalhadores do sexo em locais como Phoenix, Tongaat, Verulam, Chatsworth e Merebank. Eles pedem urgentemente uma reforma legal e apoio a esses grupos vulneráveis da população.
Esses ativistas observaram que o trabalho sexual se espalha rapidamente nessas comunidades interligadas, pois as mulheres são forçadas a exercer essa profissão para sustentar suas famílias e cobrir despesas de moradia. O Dr. Daniel Chettiar, fundador da DSK Group, uma organização sem fins lucrativos que ajuda vítimas de violência de gênero, abuso infantil e traumas, afirmou que em Phoenix, Verulam, Tongaat e Umkhahlamba, o trabalho sexual prospera devido ao desemprego e à pobreza.
Ele enfatizou que, embora cada vez mais mulheres recorram ao trabalho sexual por necessidade de sobrevivência, elas não possuem nenhum sistema de proteção social. Chettiar relatou que recebeu cerca de 37 denúncias de ataques a trabalhadores do sexo nos últimos quatro meses, a maioria delas explicando que foram forçadas a trabalhar no sexo por não conseguirem encontrar emprego.
Reforma Legal
Os ativistas estão preocupados com a crescente agressividade masculina. Chettiar observou que os homens tendem a concretizar fantasias que veem em filmes. Ele relatou um caso em que uma trabalhadora do sexo de 25 anos foi amarrada, vítima de violência sexual e depois severamente agredida. O principal problema é encontrar os homens culpados para processamento judicial.
Além disso, foi descrita uma situação em que uma mulher, que dependia de um encontro com um cliente, foi estuprada em grupo na praia. Ela se recusa a denunciar porque o trabalho sexual não é legalizado. Chettiar acrescentou que muitos dos 37 casos registrados estão relacionados ao fato de as mulheres estarem tentando alimentar suas famílias.
Ele cita o exemplo de uma mulher órfã e sem educação que foi forçada a cuidar de dois irmãos. Sem conseguir emprego, ela começou a trabalhar no sexo para enviar seus parentes para a escola e gerenciar o lar. Atualmente, ela está estudando no ensino médio, o que lhe dá uma chance de mudar sua vida. Na opinião de Chettiar, o trabalho sexual tornou-se uma maneira simples de ganhar dinheiro, apesar das antigas crenças de que uma mulher não deveria vender seu corpo.
Vanessa Chetti, fundadora da Hope Foundation, informou que em Merebank, Chatsworth e Shalcross, trabalhadores do sexo são atacados por clientes que se recusam a pagar. Ela observou que a imagem do trabalhador do sexo mudou: se há 30 anos estava ligada apenas ao comércio de rua, agora isso acontece também em casa, especialmente nas comunidades locais.
Chetti apontou que a violência frequentemente ocorre quando os clientes evitam o pagamento. Ela salientou que a maioria das mulheres não registra boletins de ocorrência na polícia por medo de serem acusadas de prostituição. Isso, segundo ela, encoraja os homens a cometerem ataques, pois acreditam que a responsabilidade legal será mínima.
Prem Balram, chefe da Reaction Unit South Africa (Rusa), compartilhou informações sobre incidentes recentes. Ele relatou uma trabalhadora do sexo de 29 anos que foi supostamente agredida, estuprada e abandonada na estrada entre Umkhahlamba e Mount Edgecombe por três homens indianos de Chatsworth que alegavam estar indo para Richards Bay.
Após esse incidente, outra mulher na zona industrial de Phoenix procurou a polícia, relatando um ataque após um desentendimento com um cliente. A mulher de Durban concordou em prestar serviços sexuais após receber um adiantamento de 200 rand. Ela alega que o cliente se recusou a pagar o restante e a atacou durante a discussão. O homem admitiu que a confrontação se tornou física, mas não houve registro de ferimentos, e ele concordou em reembolsar a mulher.
O Ministério da Justiça e Desenvolvimento Constitucional confirmou que está preparando um projeto de lei destinado à descriminalização do trabalho sexual adulto. Embora a data oficial de conclusão ainda não tenha sido anunciada, a aprovação de tal lei encerrará o status legal atual, segundo o qual a venda, compra de sexo ou obtenção de renda do trabalho sexual é ilegal na África do Sul.


