A falta de água complica os esforços para conter o surto do vírus Ebola em Mongbwalu, uma cidade mineradora localizada na província de Ituri, na República Democrática do Congo. Muitos moradores deste local não têm acesso confiável a água potável limpa e condições sanitárias básicas.
Todas as manhãs, os moradores precisam percorrer vários quilômetros para coletar água de uma fonte natural próxima. Para famílias que não podem pagar por água das torneiras públicas, o poço é frequentemente a única fonte acessível. Além disso, as águas subterrâneas em algumas partes da cidade estão contaminadas com esgoto relacionado à atividade de mineração.
Uma moradora de Mongbwalu, Franzosa Idiidi, compartilhou seu problema: «Três jarras custam 1000 francos congoleses (US$ 0,44). Se você tem dez jarras em casa e só sobram 1000 francos, e ainda precisa alimentar as crianças, o que fazer?» Ela acrescentou que essa pressão financeira força as pessoas a caminhar diariamente por milhas em busca de água gratuita do poço.
De acordo com a organização Oxfam, apenas um em cada cinco moradores de Mongbwalu, cuja população é estimada em 140.000 pessoas, tem acesso estável a água segura. As famílias são forçadas a racionar a água disponível para beber, cozinhar e limpar, o que deixa menos reservas para a lavagem regular das mãos — uma medida chave na prevenção da propagação do Ebola.
A escassez também é observada no mercado central de Mongbwalu, onde centenas de pessoas se reúnem diariamente. A comerciante Neema Mave observou a ausência de estações de lavagem de mãos e desinfetantes, afirmando: «Passamos o dia sem lavar as mãos, a menos que façamos isso em casa. As autoridades devem tomar medidas.»
Algumas ONGs instalaram reservatórios para aliviar a escassez de água, e fontes subterrâneas ajudam parte da comunidade. No entanto, devido à contaminação da água causada pela mineração de ouro, os moradores continuam enfrentando acesso limitado a água segura enquanto as autoridades de saúde trabalham para conter o surto de Ebola.


