A excomunhão, considerada a sanção mais severa pela Igreja Católica, tem sido aplicada pelo Vaticano a membros do grupo ultraconservador Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), o que está gerando uma nova crise no papado de Leão 14.
Nesta quinta-feira (6), o padre brasileiro Rodrigo de Oliveira da Silva foi declarado em estado de cisma e excomungado. A Diocese de Jundiaí, localizada no interior de São Paulo, comunicou essa decisão, motivada pela filiação do sacerdote à FSSPX. Este caso segue um anúncio anterior do Vaticano, feito em 2 de julho, que estabeleceu que clérigos e outros membros seriam penalizados por pertencerem a este grupo dissidente.
O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, pertencente à Arquidiocese de Brasília, também teve sua excomunhão confirmada pelo mesmo motivo. É importante notar que a pena não implica uma expulsão permanente da fé católica; contudo, enquanto a excomunhão estiver ativa, esses indivíduos ficam impossibilitados de exercer integralmente suas funções e cargos dentro da Igreja.
As punições resultam de décadas de atrito entre o Vaticano e a FSSPX. Este grupo tradicionalista recusa-se a aceitar as reformas implementadas pelo Vaticano a partir da década de 1960, vendo nessas mudanças um desvio da tradição e adotando o nome do Papa Pio X, um pontífice do início do século XX conhecido por sua postura antiliberal.
As práticas observadas em igrejas alinhadas à doutrina da FSSPX diferem das diretrizes do Vaticano. Por exemplo, as missas são realizadas em latim, com o sacerdote posicionado voltado para o altar, e qualquer interação com outras crenças é recusada. Além disso, seus adeptos se opõem à noção moderna de separação entre Igreja e Estado, defendendo um papel mais proeminente da religião na esfera pública.
A comunidade foi estabelecida em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre e conta, segundo a própria fraternidade, com aproximadamente 600 mil seguidores. Atualmente, o Vaticano afirma que os sacramentos realizados pela FSSPX, como batismos e confissões, não terão validade perante a Igreja Católica, sendo considerados nulos por não estarem em comunhão com os valores da Igreja.
Rodrigo, natural de Cajamar, no interior de São Paulo, foi ordenado padre em 12 de dezembro de 2011, na Catedral Nossa Senhora do Desterro, em Jundiaí. Após cumprir suas obrigações sacerdotais, ele passou a servir na paróquia de Santo Antônio de Pádua. No entanto, em janeiro deste ano, o padre manifestou suas preocupações sobre a direção da Igreja Católica e se afastou de seu cargo para se dedicar à FSSPX.
Pouco tempo depois, em 12 de fevereiro, a Diocese de Jundiaí emitiu um comunicado suspendendo o sacerdote. Posteriormente, em agosto, sua excomunhão foi decretada. A nota oficial declarou: «O Rev.mo. Pe. Rodrigo de Oliveira da Silva, por sua adesão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, encontra-se, em razão dos atos acima referidos, em situação de cisma e de excomunhão, assim como todos os ministros sagrados vinculados à mesma Fraternidade. Consequentemente, os atos de seu ministério são ilícitos».
O ponto de ruptura definitivo entre o Vaticano e a FSSPX ocorreu em 1º de julho. Durante um grande evento realizado na cidade de Ecône, na Suíça, e transmitido ao vivo pela internet, líderes da FSSPX ordenaram quatro novos bispos. Isso é contestado pelo catolicismo, visto que apenas o papa detém a autoridade para nomear bispos, sem ter participado desse acontecimento.


