A Anthropic, desenvolvedora do Claude, está em negociações para comprar a Decart AI, uma startup israelense de inteligência artificial que foi avaliada em aproximadamente US$ 4 bilhões. Contudo, a transação pode atingir um valor de cerca de US$ 6 bilhões.
Esta aquisição faz parte da estratégia da Anthropic para fortalecer sua capacidade computacional e acompanhar a expansão do Claude. A Decart AI cria soluções de infraestrutura focadas em aumentar a velocidade e a eficiência de sistemas de IA, além de possuir seus próprios modelos.
Embora as conversas estejam em estágio preliminar, caso o negócio seja concretizado, os colaboradores da Decart serão integrados à equipe da Anthropic responsável pelo desempenho e eficiência dos seus modelos. Este movimento ocorre enquanto a empresa se prepara para uma possível Oferta Pública Inicial (IPO) nos Estados Unidos.
A Decart levantou US$ 300 milhões em uma rodada de investimento que contou com a liderança da Radical Ventures. A Nvidia juntou-se aos investidores, ao lado de outras empresas como Adobe, Amazon e Toyota Ventures. Após essa captação, o valor da startup foi estimado em cerca de US$ 4 bilhões.
Entre as tecnologias desenvolvidas pela empresa, destacam-se o Lucy, um sistema para edição de vídeos em tempo real, e o Oasis, usado para criar ambientes virtuais destinados ao treinamento e avaliação de robôs e tecnologias de condução autônoma.
A potencial compra se alinha ao esforço da Anthropic para expandir seus recursos de processamento. A companhia tem aumentado os gastos com infraestrutura para atender à demanda por seus serviços e, na semana anterior, anunciou a contratação de especialistas em hardware e software para trabalhar em chips próprios e em modelos de IA mais rápidos e eficientes.
A Anthropic foi fundada em 2021 por Dario Amodei e outros executivos que deixaram a OpenAI. Ela lançou o Claude em março de 2023, cerca de cinco meses após o lançamento do ChatGPT, e desde então conquistou espaço no mercado de IA.
O material indica que a Anthropic é avaliada em cerca de US$ 965 bilhões e já ultrapassou a OpenAI em valor de mercado. No começo de junho, a empresa também submeteu confidencialmente um pedido para realizar uma oferta pública inicial nos Estados Unidos.
Além da expansão comercial e de infraestrutura, a Anthropic ganhou notoriedade com o Claude Mythos, apresentado no início de 2026. Este modelo foi descrito como tendo a capacidade de identificar falhas de segurança que poderiam passar despercebidas pela análise humana.
Especialistas comentaram que esse avanço nas capacidades também eleva os riscos ligados ao uso de sistemas de IA. Izabela Anholett opinou que os produtos da Anthropic geralmente chegam ao mercado com bom desempenho e demonstram zelo em seu desenvolvimento. No entanto, ela alertou sobre o perigo caso o Mythos fosse usado por indivíduos mal-intencionados, devido à sua aptidão para detectar e explorar falhas em ambientes digitais.
Devido aos riscos inerentes à ferramenta, o acesso ao Mythos não foi liberado ao público geral. A Anthropic criou um grupo composto por empresas e órgãos governamentais autorizados a usar o sistema, incluindo Amazon, Apple, Microsoft, Google, Nvidia, Broadcom e Mozilla.
A Mozilla também serve de exemplo prático do modelo. Uma versão inicial do Claude Mythos Preview foi empregada na análise do Firefox, auxiliando na descoberta de vulnerabilidades que levaram a 271 correções na versão 150 do navegador. Diogo Cortiz, outro especialista citado, acredita que tais incidentes comprovam a habilidade do sistema em achar falhas de segurança, mas ressalta que as empresas de IA podem apresentar seus produtos de forma mais positiva do que suas capacidades reais.