A demência, caracterizada como uma condição crônica que afeta principalmente idosos, prejudica o funcionamento cerebral, causando alterações na memória, raciocínio e comportamento. Como a maioria das formas de demência não possui cura e tende a progredir com o tempo, pesquisas buscam identificar fatores de risco.
O Ministério da Saúde identifica 14 riscos, incluindo colesterol elevado, baixa escolaridade, tabagismo, obesidade e consumo excessivo de álcool. Estima-se que quase 60% dos casos de demência no Brasil poderiam ser evitados através do controle dessas condições.
Um estudo recente investigou o impacto de três fatores específicos – hipertensão arterial, tabagismo e diabetes tipo 2 – em indivíduos de meia-idade, na faixa etária entre 45 e 65 anos. A conclusão principal foi que pessoas livres dessas condições podem postergar o risco de desenvolver demência em aproximadamente 13 anos.
Os achados foram divulgados em 5 de agosto na revista científica Neurology. Para chegar a essa conclusão, os cientistas examinaram dados de mais de 12 mil participantes, cuja idade média era de 56 anos e que não apresentavam demência. Este grupo foi monitorado por três décadas como parte do estudo Atherosclerosis Risk in Communities, iniciado em 1986.
A nova análise segmentou os participantes conforme a presença dos fatores de risco avaliados no início do estudo, comparando esses dados com o estado de saúde cerebral ao longo dos anos. Durante o acompanhamento, cerca de 3 mil pessoas desenvolveram demência.
Observou-se que, entre aqueles que não possuíam nenhum dos três fatores de risco inicialmente, o tempo médio até o diagnóstico de demência foi de cerca de 30 anos. Esse período diminuiu para aproximadamente 26 anos para quem tinha um fator, para cerca de 21 anos com dois fatores, e para cerca de 17 anos para aqueles que apresentavam os três fatores simultaneamente.
Em resumo, indivíduos sem hipertensão, diabetes e tabagismo viveram, em média, 13 anos a mais sem apresentar demência.
O estudo também revelou distinções entre homens e mulheres: independentemente dos fatores de risco analisados, as mulheres permaneceram por mais tempo sem demência. No grupo que apresentava os três fatores, por exemplo, o período foi de 18 anos para as mulheres e 16,6 anos para os homens.
Houve também variações entre grupos raciais; em geral, os participantes brancos viveram mais tempo sem demência do que os participantes negros. Especificamente, entre aqueles com os três fatores de risco, o tempo médio foi de 19,6 anos para pessoas brancas e 16 anos para pessoas negras.
É crucial notar que a pesquisa estabelece apenas uma associação entre a presença desses fatores e o tempo de vida sem demência, e não uma relação de causa e efeito. Além disso, os pesquisadores não acompanharam as modificações comportamentais dos participantes ao longo dos anos, avaliando apenas as condições iniciais.
Apesar disso, os pesquisadores esperam que os resultados reforcem a importância de manter a saúde cardiovascular em dia durante a meia-idade, um período considerado relevante para diminuir o risco de demência nas décadas subsequentes.



