Setenta anos depois da marcha aos edifícios da União, as mulheres alcançaram melhor representação na educação e na economia, mas ainda estão insuficientemente representadas em altos cargos corporativos.
Setenta anos atrás, mais de 20.000 mulheres marcharam até os edifícios da União em Pretoria para protestar contra a expansão das leis de passe para mulheres negras. A marcha de 9 de agosto de 1956 foi organizada pela Federação de Mulheres da África do Sul, com a participação de mulheres de diferentes raças. As líderes da marcha foram Lillian Ngoyi, Helen Joseph, Rahima Musa e Sophia Williams-De Bruyn, que apresentaram uma petição ao governo do primeiro-ministro J. G. Strijdom.
As exigências das mulheres iam além das leis de passe. Seu apelo anterior ao Congresso do Povo incluía pedidos de cuidados infantis, habitação, educação, igualdade salarial, bem como direitos iguais em relação à propriedade, casamento e guarda dos filhos. No dia da marcha, as mulheres permaneceram em silêncio por trinta minutos, cantando as canções Nkosi Sikelel’ iAfrika e a canção de protesto Wathint’ abafazi, Strijdom!
Representação Insuficiente
Setenta anos depois, as mulheres estão melhor representadas na educação e na economia, mas ainda carecem de representação em cargos corporativos de liderança. As mulheres constituem 46% da força de trabalho economicamente ativa na África do Sul. No entanto, um estudo da Just Share, publicado na BDO South Africa para o Mês da Mulher de 2026, mostra que em 2025 as mulheres ocupavam 38% dos assentos nos conselhos de administração e 27,4% dos cargos executivos nas empresas listadas no JSE Top 40 — um aumento em relação aos 35% e 25% em 2023, mas ainda insuficiente para alcançar a paridade. Apenas três empresas da lista JSE Top 40 tinham uma mulher como CEO, e seis tinham uma mulher como presidente do conselho de administração.
Os próprios dados da BDO demonstram que a firma ainda tem trabalho a fazer: as mulheres representam 23% dos sócios da BDO na África do Sul, o que é inferior à média mundial de 25%, embora a firma afirme que as mulheres estão bem representadas no nível de diretores, o que influencia a parceria. Dados do Fórum Econômico Mundial, citados na publicação, refletem um quadro semelhante em escala global: as mulheres agora superam os homens no ensino superior, mas representam apenas 29,5% entre os gerentes seniores com formação superior.
Lacuna de Acesso
Para as mulheres mencionadas no relatório, o avanço não está apenas na representação, mas também no acesso. Uma das participantes, Tuto Masasa, líder nacional de consultoria, distingue mentoria de patrocínio. Segundo ela, patrocínio significa endossar alguém na ausência dessa pessoa, delegar tarefas que tornam suas habilidades visíveis e usar sua própria autoridade para apoiar essa pessoa. Masasa escreveu: «Muitas pessoas talentosas não carecem de habilidades. Elas carecem de acesso».
Taraneh Rahiman, parceira de auditoria, chegou a uma conclusão semelhante com base em sua experiência pessoal. Ela aconselhou: «Procure mentores que o guiem, mas procure também patrocinadores — pessoas que falarão por você quando você não estiver na sala».
Fayas Mohamed, chefe do Centro Offshore Internacional da BDO, afirmou que as mulheres precisam se promover ativamente para obter oportunidades antes mesmo de se sentirem totalmente prontas. Ela observou: «A confiança muitas vezes se forma depois que damos o salto, e não antes. Não permita que dúvidas sobre si mesma o convençam de que você é menos capaz do que realmente é».
Em 2025, as mulheres representavam 38% dos assentos nos conselhos de administração e 27,4% dos cargos executivos nas empresas listadas no JSE Top 40, o que é superior aos 35% e 25% em 2023, mas ainda abaixo da paridade.
Como é o Patrocínio
Elzanne Lombard, chefe do departamento financeiro da BDO, apresenta um dos exemplos mais claros de como o patrocínio pode mudar uma carreira. Quando Lombard estava estudando, sua família não podia mais pagar sua educação. Ela se candidatou a uma bolsa de estudos da BDO, e a empresa patrocinou seus terceiro e último anos. Ela ingressou como estagiária em 2010 e progrediu na organização.
Quando um cargo de diretor financeiro ficou vago em 2022, o então diretor financeiro Daniel Botha a aconselhou a se candidatar. Lombard escreveu: «Ele viu em mim um potencial e uma força que eu mesma tinha dificuldade em ver. Para mim, esta é a principal lição: a BDO acreditou no meu potencial, independentemente de quem eu fosse, e me fez crescer para ser a diretora financeira que sou hoje».
Chan-re Petersen disse que as pessoas que influenciaram sua carreira foram aquelas que investiram seu tempo, conhecimento e crença nela. Ela descreveu receber esse apoio como ganhar confiança e coragem, e acrescentou que aqueles que recebem tal apoio têm a responsabilidade de passá-lo adiante. O relatório também aponta aspectos práticos do patrocínio: dar a um colega júnior a oportunidade de apresentar um trabalho, incluí-lo em uma reunião ou compartilhar conhecimentos que não são oficialmente documentados.
Chamado à Ação
Bonga Mokoena, CEO da BDO South Africa, declarou que o 70º aniversário da Marcha das Mulheres deve ser visto como um chamado à ação. Ele observou: «Setenta anos depois que as mulheres de 1956 marcharam, o tema global #GiveToGain da BDO desafia cada um de nós a usar nossa influência, patrocínio e oportunidades para elevar os outros».
Mokoena acrescentou: «É assim que construímos economias sustentáveis para todos na África do Sul: removendo barreiras e garantindo que as mulheres não apenas estejam presentes na economia, mas também tenham o poder de liderar, tomar decisões e moldar seu futuro».