O Senado da Oliy Majlis do Uzbequistão aprovou em 7 de agosto a lei 'Sobre Fiscalização de Mercado'. Este documento estabelece normas unificadas para o controle de segurança de bens não alimentares após sua entrada no mercado, define as obrigações de fabricantes, importadores e vendedores, e regulamenta o procedimento de retirada e recall de produtos potencialmente perigosos.
O senador Erkin Gadoyev observou que o sistema de regulamentação técnica existente não garantia uma cobertura completa de todos os bens não alimentares nem a avaliação de sua segurança. Anteriormente, o objeto de controle era o próprio empreendedor, mas agora o foco muda para o produto, que é examinado pelos órgãos fiscalizadores, e não apenas para os empresários.
Transição para padrões internacionais de monitoramento
A principal novidade da lei é a implementação do princípio internacional de Fiscalização de Mercado (Market Surveillance). Isso marca a transição de um modelo pré-mercado (controle antes da entrada no mercado) para um modelo pós-mercado (monitoramento de produtos já em circulação).
O palestrante enfatizou que a introdução da fiscalização de mercado não implica um aumento do controle sobre os negócios. Pelo contrário, a lei visa delimitar claramente as competências das estruturas estatais e fixar as áreas de responsabilidade para diferentes grupos de produtos, a fim de evitar verificações duplicadas e interferência indevida nos assuntos dos empreendedores.
Conforme discutido anteriormente na Câmara Legislativa em abril, o novo sistema será direcionado ao controle do próprio produto, e não aos sujeitos empresariais. Os órgãos governamentais darão atenção exclusiva aos bens não alimentares. A lei não se aplica a várias categorias, incluindo trabalhos e serviços, produtos alimentícios, rações, animais vivos e plantas, bebidas alcoólicas e tabaco, medicamentos e produtos veterinários, narcóticos, materiais nucleares, artigos de uso militar, antiguidades, obras de arte e produtos que necessitam de reparo.
Expansão da responsabilidade por toda a cadeia de suprimentos
Uma das mudanças importantes foi a introdução no legislativo do termo 'operador econômico', que une fabricante, importador e vendedor. Consequentemente, se um produto não conforme ou inseguro for encontrado no mercado, a responsabilidade pode recair não apenas sobre o ponto de venda, mas também sobre o importador que trouxe o produto para o Uzbequistão ou sobre seu fabricante.
Na reunião, foi destacado que tal abordagem deve garantir a responsabilidade durante todo o percurso do produto — desde o momento de sua criação ou importação até a venda final ao consumidor. A fiscalização de mercado é definida como o conjunto de medidas realizadas após a colocação do produto em circulação para garantir sua segurança e proteger os interesses de pessoas físicas e jurídicas, bem como do meio ambiente.
A fiscalização será baseada na avaliação de riscos, e não em inspeções em massa e punições aos empreendedores, declarou o palestrante. Os órgãos de fiscalização terão a capacidade de realizar compras de controle, perícias e testes de produtos, deslocar-se para apurar os motivos da não conformidade, monitorar e aplicar medidas a produtos que não atendam às normas obrigatórias. Na presença de risco grave ou não conformidade, a comercialização do produto pode ser suspensa, e a lei também prevê seu recall ou retirada do mercado.
Os serviços alfandegários também receberam poderes adicionais. Se os resultados do controle alfandegário e da aplicação do sistema de gestão de riscos indicarem uma possível não conformidade do produto com os requisitos, a alfândega poderá impedir sua liberação para livre circulação. Após isso, o órgão de fiscalização de mercado competente deverá examinar o produto em até três dias úteis, e seus especialistas podem realizar visitas, coletar amostras e enviá-las para perícia. Em caso de confirmação das violações, restrições apropriadas podem ser aplicadas ao produto.
Registro de compras de controle
Durante a discussão, os senadores debateram formas de prevenir abusos na realização de compras de controle. Lazizbek Saidoripov, vice-diretor da Agência de Regulamentação Técnica, informou que tais compras devem ser realizadas de acordo com critérios de risco estabelecidos. O processo deve incluir registro em vídeo e, se necessário, a presença de testemunhas, o que, na opinião dos participantes da reunião, ajudará a minimizar os riscos de corrupção.
Os empreendedores terão o direito de participar dos eventos de fiscalização de mercado, consultar documentos relacionados à sua atividade e gravar áudio e vídeo das ações dos fiscais e contestar suas decisões. Os funcionários dos órgãos de fiscalização serão responsáveis pelo não cumprimento ou cumprimento inadequado de seus deveres, bem como por quaisquer atos ou omissões ilegais.
Lazizbek Saidoripov também apresentou informações sobre a criação de um registro digital de produtos perigosos (lista negra), análogo ao sistema europeu Safety Gate.
Criação de um sistema de informação unificado
A lei também prevê a formação de um Sistema Nacional de Informação de Fiscalização de Mercado. De acordo com as informações apresentadas na reunião, este sistema será usado para coletar dados sobre as atividades de controle realizadas, as violações identificadas, as decisões tomadas e os resultados de seus recursos. O projeto do respectivo decreto governamental já está pronto para lançar o sistema.
Discutiu-se a criação de um banco de dados eletrônico de produtos perigosos, seguindo o exemplo de sistemas internacionais de alerta rápido. Este banco de dados permitirá que tanto os órgãos governamentais quanto os consumidores recebam informações atualizadas sobre produtos considerados perigosos ou retirados do mercado. Os mecanismos de fiscalização de mercado também funcionarão em relação a produtos vendidos remotamente, incluindo comércio eletrônico.
Indenização de danos e significado econômico da reforma
Os senadores também definiram o procedimento de compensação de perdas aos compradores em caso de recall de produtos. O vice-presidente do Comitê de Desenvolvimento da Concorrência e Proteção dos Direitos do Consumidor informou que a legislação atual de proteção ao consumidor garante a compensação total do dano pelo fabricante relacionado ao recall do produto. Se não for possível identificar consumidores específicos prejudicados, o procedimento de distribuição desses fundos será regulamentado pelas normas legais vigentes.
Um dos motivos para a adoção da nova lei é a preparação do Uzbequistão para ingressar na Organização Mundial do Comércio. O relatório ressaltou que um sistema moderno de fiscalização de mercado é crucial para eliminar barreiras comerciais e aumentar a competitividade dos produtos nacionais. Espera-se que as novas regras ajudem a proteger os produtores e importadores honestos de concorrentes que oferecem produtos falsificados ou de baixa qualidade.
Em uma reunião com o presidente em fevereiro, foi observado que a prática estabelecida de inspeção de empresas na avaliação de produtos causa insatisfação nos negócios, pois ao detectar violações, toda a atividade da empresa é frequentemente bloqueada, e não apenas o lote do produto. Em países desenvolvidos, utiliza-se um sistema de controle de mercado baseado na análise de riscos, no qual o fabricante declara autonomamente a conformidade do produto com os padrões e assume total responsabilidade por sua qualidade e segurança.
Alguns representantes do setor empresarial apoiaram a transição para o controle de mercado em certificação e avaliação de produtos. Zafar Hashimov, fundador da rede de supermercados Korzinka e presidente da Associação de Comércio e Serviços, comparou essa reforma à abertura da conversão de moeda, afirmando que ela se tornará a base da modernização da indústria e um passo em direção a uma economia de mercado plena.

