Em vez de realizar a demolição de uma antiga casa de madeira datada dos anos 1970, o estúdio japonês HYAN decidiu adotar a edificação, reformando-a para que sirva como moradia e ateliê dos seus fundadores, localizada nas colinas de Hayama, em Kanagawa.
Esta casa foi construída no final da década de 1970, durante o período de desenvolvimento de um bairro residencial situado atrás da antiga área da vila imperial de Hayama, e pertencia a uma geração anterior à implementação do código sísmico japonês de 1981.
Ao assumirem a casa como seu lar, a arquiteta Anna Naganuma e o designer Shohei Hasegawa, membros do HYAN, observaram que os pilares e vigas ainda possuíam integridade estrutural, apesar da idade da construção. O estúdio rejeitou a ideia comum de que construções antigas necessitam ser demolidas e substituídas, optando por preservar e fortalecer o que já estava presente.
Os elementos estruturais originais, como pilares e vigas, foram mantidos como a base da reforma, recebendo reforços sísmicos e sendo reorganizados sob uma nova concepção espacial. No nível térreo, uma sala de estar com pé-direito duplo funciona como ponto de conexão sutil entre a cozinha, a despensa, o doma, o escritório e o jardim.
Essa disposição cria uma sequência fluida de ambientes, em contraste com plantas tradicionalmente separadas por funções, permitindo que atividades como trabalho, rotina diária e lazer transitem naturalmente ao longo do dia. O doma foi concebido a partir da adaptação de um antigo cômodo de estilo japonês; o piso de tatame foi retirado e o nível do chão foi ajustado para demarcar um limite claro, enquanto um armário embutido pré-existente foi reaproveitado como um pequeno nicho.
A divisão dos espaços não se dá por meio de paredes sólidas, mas sim através do uso da luz, das linhas de visão, das mudanças nos materiais e de elementos têxteis móveis. Cortinas fornecidas pela designer têxtil Haruka Shoji filtram a luminosidade e as vistas ao redor das amplas aberturas e do doma, modificando o caráter da casa conforme avança o dia e a vegetação circundante.
As bancadas da cozinha e do lavatório, confeccionadas em granilite moldado localmente e polido manualmente, estabelecem um contraste suave com a estrutura de madeira original, promovendo um diálogo entre o legado passado e a vida contemporânea. A Casa Sanduíche Verde defende uma abordagem mais gradual para a renovação residencial, priorizando o fortalecimento estrutural e a releitura espacial do patrimônio habitacional existente, em vez de iniciar com a demolição.
Este projeto, que foi planejado, habitado e testado pelos próprios criadores, serve como uma prova prática de como as antigas casas unifamiliares japonesas podem ser adaptadas à vida moderna sem serem apagadas. A equipe do HYAN declara: «A luz, o verde e as estações do ano atravessam a casa, e nossa vida cotidiana gradualmente deixa suas marcas». Eles acrescentam que desejavam criar um lar que evoluísse junto com os moradores, em vez de ser um espaço estático definido apenas no momento de sua conclusão.