A vítima do caso Tarun Tejpal compartilhou pela primeira vez sua dor pessoal em detalhes. Em sua história, ela não apenas descreveu o incidente e a subsequente luta legal de 13 anos, mas também explicou como a violência masculina, o medo e o abuso sexual sofridos desde a infância afetaram sua personalidade e sua visão de mundo.
Ela relatou que sua compreensão inicial da política se desenvolveu através do parlamento, eleições, jornais ou movimentos sociais. No entanto, o incidente de estupro aos 27 anos e as experiências subsequentes fizeram-na perceber que a política se aplica também à existência física das mulheres. Segundo ela, o poder não se limita apenas às estruturas institucionais e decisões políticas, mas também se manifesta através do controle e da violência sobre o corpo das mulheres.
Ao relembrar suas experiências de infância, a vítima revelou que seu primeiro contato com a raiva e a violência dos homens ocorreu dentro de sua própria casa. Ela mencionou a violência doméstica cometida por seu pai, o abuso sexual na infância e a agressão e assédio posteriores por parte de homens. Ela acredita que essas experiências a forçaram a viver em um ambiente de medo constante.
De acordo com a vítima, ela aprendeu a antecipar a raiva dos homens, tentar acalmá-los e reprimir seus sentimentos. Ela escreve que, devido a essa violência, tornou-se uma mulher obediente e apavorada. Para ela, limitar-se e evitar qualquer tipo de confronto tornou-se uma espécie de escudo protetor.
A luta legal de 13 anos iniciada após as acusações de estupro no caso Tarun Tejpal esclareceu ainda mais para ela a relação entre poder e violência. Ela concluiu que o poder não está limitado apenas ao parlamento ou a instituições políticas, mas também afeta o corpo e a vida de um indivíduo.


