A África do Sul enfrenta uma crise no setor de saúde porque mais de 1500 cargos médicos permanecem vagos. O Departamento de Saúde reconheceu que não consegue rastrear o número exato de médicos desempregados, o que indica problemas sistêmicos no planejamento de força de trabalho.
Até o final de março, havia 1518 vagas médicas disponíveis na África do Sul. No entanto, o Departamento Nacional de Saúde declarou não possuir informações sobre o número de médicos que concluíram o serviço comunitário e permanecem desempregados.
Esta declaração ocorreu em meio a crescentes preocupações de organizações médicas sobre a dificuldade de médicos qualificados em encontrar emprego, enquanto o sistema público de saúde enfrenta desafios de provisão de pessoal.
Médicos que trabalham nas comunidades
O Departamento de Saúde informou que, até o final de 2025, 1891 médicos concluíram o serviço comunitário e tinham direito ao emprego, mas o departamento não possui um registro ou contabilidade dos profissionais de saúde desempregados. Um representante do Departamento Nacional de Saúde, Foster Mohale, observou que o departamento e o ministro relataram repetidamente em respostas a questões parlamentares a ausência de tal registro.
O maior número de vagas médicas abertas foi registrado na província de Limpopo (360), seguido por Gauteng (280), KwaZulu-Natal (246) e Noroeste (209). Outras províncias, como Western Cape (147), Free State (95), Eastern Cape (88), Mpumalanga (51) e North West (42), também têm posições não preenchidas.
O departamento esclareceu que os cargos financiados são anunciados e incluídos nos planos anuais de contratação provinciais, e as províncias continuam a publicar anúncios e contratar médicos com base nas vagas financiadas disponíveis. Mohale enfatizou que os departamentos de saúde provinciais continuam a recrutar oficiais médicos de acordo com as vagas financiadas existentes.
Está planeado uma revisão da política de condições de serviço, que deve aumentar a eficiência e potencialmente criar oportunidades para financiar vagas adicionais através de economias. No entanto, o sistema PERSAL do departamento registrou 1655 nomeações para cargos de oficial médico de primeira classe (tanto permanentes quanto temporários) até o final de maio de 2026. Desses, 664 pessoas concluíram o serviço comunitário em 2025, o que significa que mais de um terço das nomeações pertenceram a médicos da coorte de 2025.
Um médico de 27 anos do Eastern Cape, que concluiu o serviço comunitário em 2025 e pediu anonimato, relatou que após o término do serviço, candidatou-se a cerca de 30 a 50 vagas, mas não recebeu entrevistas nem feedback. Este médico mudou-se para Joanesburgo em busca de melhores oportunidades, contando com trabalho temporário em departamentos de emergência e clínicas locais quando surgia a oportunidade.
O departamento afirmou não ter recebido reclamações oficiais sobre recusa de oportunidades de nomeação, especialmente em relação a preconceito, nepotismo ou interferência. Também foi observado que os médicos que concluíram o serviço obrigatório se registram como consultórios independentes em seus conselhos profissionais, o que lhes permite trabalhar através de várias plataformas, incluindo emprego no exterior.
Opiniões das organizações médicas
Esses dados surgiram após alertas de organizações médicas de que o desemprego de médicos e a escassez de pessoal no sistema de saúde pública são problemas interligados. Nhlankhla Mtize, secretário provincial de Gauteng no sindicato de trabalhadores da saúde e do setor público sul-africano (HOSPERSA), afirmou que este problema não pode ser visto apenas como uma questão de emprego. Ele enfatizou que é mais um problema do sistema de saúde e da segurança dos pacientes.
A HOSPERSA alerta que a pressão constante sobre os médicos pode levar à fadiga e ao esgotamento, e a fadiga, por sua vez, pode afetar a concentração, o julgamento clínico e a tomada de decisões, aumentando potencialmente o risco de erros médicos.
A Associação Médica da África do Sul (SAMA) relatou em janeiro de 2025 que mais de 1800 jovens médicos foram afetados pelo desemprego após a conclusão do serviço comunitário. O diretor executivo da SAMA, Dr. Mzulungile Theo Ndikida, observou que a situação aponta para um problema mais amplo de planejamento de força de trabalho. Ele afirmou que o desemprego e a escassez de médicos são dois lados da mesma moeda de planejamento de força de trabalho.
SAMA e HOSPERSA indicaram que o preenchimento de vagas depende do financiamento, qualificação, requisitos de registro, especialização e necessidades de instituições individuais. O departamento, por sua vez, continua a defender o aumento do financiamento à saúde, especialmente investimentos em pessoal médico. Mohale acrescentou que o departamento continua a defender o aumento direcionado das dotações para a saúde, particularmente em investimentos na força de trabalho médica. Além disso, o departamento prioriza cargos críticos, revisa modelos de planejamento de força de trabalho e fortalece a coordenação de alocação dentro do serviço comunitário.